‘Me afetou’: Fernanda Lima revela desafios sexuais na menopausa e médico explica causas
Especialista detalha como hormônios, cérebro e corpo mudam o desejo sexual durante a menopausa como no caso de Fernanda Lima

A atriz e apresentadora Fernanda Lima compartilhou recentemente que a menopausa trouxe impactos significativos à sua vida sexual. Em entrevista ao Fantástico, na TV Globo, ela revelou sentir uma queda na libido que chegou a afetar o casamento, um tema que, segundo especialistas, é mais comum do que se imagina entre mulheres nessa fase da vida.
“O mais chocante da menopausa, pra mim, foi perder a libido. Não ter vontade de transar é um negócio que me afeta. Me afetou como mulher e afetou de alguma maneira meu casamento”, disse Fernanda.
Como a menopausa recalibra o desejo sexual
Segundo o ginecologista Dr. Igor Padovesi, autor do livro Menopausa Sem Medo, a queda de estrogênio é apenas uma das várias mudanças que podem interferir no desejo sexual durante a menopausa. “A sexualidade é bem complexa e sofre interferência de muitas coisas, embora, para muitas mulheres, a questão do estrogênio e da transição menopausal tenha um impacto significativo, mas tem mulheres que não estão nessa fase e começam a ter queixas relacionadas a desejo, resposta sexual, então a sexualidade é algo bem complexo”, explica.
O médico ressalta que o cérebro é o órgão sexual mais importante da mulher: “Do ponto de vista cerebral, ocorrem também, nessa fase do climatério, alterações dos neurotransmissores, como dopamina, serotonina, noradrenalina, enfim, que regulam a motivação, recompensa, humor, o sono. Então, se a mulher passa a dormir pior, está num quadro de ansiedade, quadro mais depressivo, existe um mecanismo biológico que o cérebro, de certa forma, passa a dar menos prioridade ao sexo”.
Essas mudanças se refletem nos comportamentos do casal, com menos iniciativa da mulher de iniciar relações sexuais, menor desejo espontâneo e respostas sexuais mais lentas. O especialista alerta que fatores como cansaço extremo, ressecamento vaginal e desconforto físico relacionados à síndrome geniturinária também influenciam.
Distinguindo libido física e psicossocial
Dr. Padovesi explica que é fundamental diferenciar se a falta de libido é corporal ou relacionada a fatores psicossociais. “É preciso separar esse tema em três dimensões principais, que seriam o desejo, a vontade, a volição, aquele desejo de ter a relação; a excitação física, lubrificação, aumento do fluxo sanguíneo que acontece nos sexuais, no caso do homem a ereção e da mulher a lubrificação e ereção do clitóris, e as zonas erógenas que são as outras áreas do corpo que também respondem a um estímulo erótico, sexual, e podem ser afetadas”.
Ele ainda complementa que fatores emocionais e o contexto do relacionamento são determinantes para o desejo: “Sempre é preciso avaliar também o contexto psíquico, emocional da relação. Então a gente precisa conseguir aprofundar um pouco nesse tema, entender se a mulher tem desejo, mas o corpo não responde, é uma coisa mais física, ou ela tem uma resposta do corpo física, mas ela só realmente não tem a vontade de iniciar, se tem dor, ressecamento, desconforto físico, e qual a qualidade da relação com o parceiro ou parceira, o que também tem, obviamente, um impacto grande”.
Opções de tratamento sem reposição hormonal
Para mulheres que evitam sexo por dor mas não querem reposição hormonal sistêmica, existem alternativas locais seguras. “O uso de hormônio local basicamente não tem contraindicação. A maior contraindicação para a terapia hormonal, que é a mulher que teve câncer de mama, com receptores hormonais positivos no tumor e que deve, então, evitar a terapia hormonal sistêmica, tem estudos grandes, muito recentes, revisões sistemáticas, meta-análises mostrando segurança do uso do estrogênio vaginal sem aumentar a recidiva de câncer de mama, sem aumentar a mortalidade por câncer de mama, mesmo em mulheres que tiveram esse diagnóstico”.
Além disso, hidratantes e lubrificantes vaginais, fisioterapia pélvica e tecnologias como laser, radiofrequência e ultrassom microfocado podem aliviar sintomas, fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sensibilidade sexual.
Como lidar com culpa e vergonha
Dr. Padovesi destaca ainda o impacto emocional da menopausa na sexualidade: “A mulher que tem culpa ou vergonha pela perda do desejo, sem dúvida, o ginecologista tem um papel muito importante. Uma primeira coisa que eu destaco em relação a isso é perguntar ativamente para a mulher, porque muitas vezes elas não trazem essa queixa espontaneamente, ela fala de todo o resto, mas pode ter vergonha, e aí é preciso ter habilidade clínica de entrar no assunto, comendo pelas bordas”.
Ele reforça que flutuações no desejo são normais e que abrir espaço para conversar já pode ter efeito terapêutico. Terapias de casal ou orientação sexual podem ser indicadas quando necessário.
ACOMPANHE O INSTAGRAM DA CARAS BRASIL E FIQUE POR DENTRO DE TUDO O QUE ACONTECE NO MUNDO DOS FAMOSOS:
Ver essa foto no Instagram