Luciana Giménez revela que abandonou a vida pessoal por trabalho, e psicanalista alerta: ‘Romantização’

Apresentadora Luciana Giménez contou que sacrificou amizades durante 20 anos para cumprir rotina profissional intensa

Luciana Giménez - Reprodução: Youtube

A apresentadora Luciana Gimenez voltou a abrir detalhes delicados de sua vida pessoal ao revelar que praticamente não tinha mais vida social após duas décadas priorizando o trabalho. Em entrevista ao podcast Festa da Firma, ela contou que percebeu a dimensão do isolamento apenas após a separação. “Eu sacrifiquei minha vida social”, disse. Segundo Luciana, durante anos ela trabalhava à noite das 22h à meia-noite e, entre compromissos profissionais e familiares, “não sobrou tempo” para cultivar amizades.

O relato da comunicadora reacendeu o debate sobre o impacto do excesso de trabalho na saúde mental. Para aprofundar o tema, a CARAS Brasil ouviu a psicanalista Cintia Castro, que explica como reconhecer sinais de alerta e o que fazer quando a vida profissional passa a ocupar todo o espaço emocional de uma pessoa.

Sinais de que o excesso de trabalho já compromete a saúde mental

Segundo a psicanalista, quadros como o vivido por Luciana não são raros. Ela afirma que o primeiro sinal costuma ser o afastamento silencioso da vida social. A pessoa deixa de frequentar encontros, eventos e relações importantes passam a ser negligenciadas.

De acordo com Cintia, também é comum o surgimento de sintomas físicos e emocionais, como insônia, tensão, irritabilidade e dores no corpo, além da sensação permanente de cansaço que passa a ser normalizada. A especialista alerta que a mente pode continuar acelerada mesmo em momentos de descanso.

Parte dos sinais mais graves aparece quando “a romantização pelo excesso de trabalho vira quase um troféu”. Para muitos, trabalhar além do limite se torna sinônimo de valor pessoal, um comportamento perigoso, segundo ela.

Estratégias terapêuticas para reconstruir a vida pessoal

Cintia explica que a recuperação exige, antes de tudo, uma reorganização emocional profunda. A terapia é apontada como ferramenta essencial para entender o excesso e reconstruir uma identidade que não dependa apenas da produtividade. Segundo a especialista, o processo envolve reaprender a inserir pausas reais na rotina, resgatar interesses esquecidos e retomar vínculos afetivos que ficaram suspensos por anos.

Quando há sinais intensos de ansiedade, insônia ou esgotamento, ela afirma que o tratamento medicamentoso pode ser necessário para estabilizar o quadro. Esses recursos permitem que a pessoa recupere equilíbrio suficiente para retomar uma vida pessoal saudável.

Como o isolamento social afeta o bem-estar emocional

O isolamento prolongado, como o que Luciana descreveu, pode produzir efeitos profundos. Segundo Cintia, ele enfraquece a sensação de pertencimento e aumenta significativamente o risco de depressão, ansiedade e esgotamento.

A psicanalista destaca que, sem vínculos, a autoestima passa a depender exclusivamente do que a pessoa produz não do que vive ou sente. “O isolamento prolongado não apenas cansa, ele desorganiza”, afirma. Ela explica que a falta de trocas afetivas reduz a capacidade de regular emoções e de recuperar energia, criando uma solidão silenciosa e difícil de perceber.

Quem trabalha à noite também pode ter equilíbrio: veja como

A antiga rotina noturna de Luciana é realidade para muitas pessoas, e não precisa ser sinônimo de desequilíbrio. Segundo a especialista, o segredo não está no horário em si, mas na capacidade de criar uma estrutura emocional que sustente esse ritmo.

Entre as recomendações, ela destaca a importância de estabelecer limites claros de início e fim da jornada, priorizar um sono consistente mesmo em horários incomuns e ajustar a vida social para janelas possíveis. “A vida social não precisa acontecer no mesmo horário que a maioria das pessoas, mas precisa existir”, diz.

Práticas de relaxamento, pausas reais e hobbies fora do ambiente profissional também ajudam a reconstruir o desligamento interno e a sensação de identidade para além do trabalho.

Há risco de burnout, depressão ou ansiedade?

O isolamento prolongado e a renúncia a vínculos sociais, mesmo quando motivados por trabalho — ampliam silenciosamente o risco de burnout, depressão e ansiedade. A psicanalista afirma que o ser humano pode até sobreviver sozinho, mas não se sustenta emocionalmente sem troca.

Para prevenir adoecimento, é preciso recolocar a própria vida na agenda. Isso significa criar microcompromissos constantes, como reservar horários de descanso, manter uma conversa semanal com alguém de confiança e estabelecer limites claros no trabalho. “O plano ideal não é rígido, é vivo”, explica Cintia, ressaltando que rotina emocional, vínculos possíveis e autopercepção devem caminhar juntos.

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