Juliana Paes revela sintomas que a assustam e levanta alerta sobre fase pouco falada

Atriz Juliana Paes relata mudanças cognitivas e emocionais associadas à perimenopausa; médico explica

Juliana Paes - Instagram

Aos 46 anos, Juliana Paes decidiu falar abertamente sobre mudanças físicas e emocionais que têm chamado sua atenção e gerado apreensão. Em entrevista recente, a atriz contou que já percebe sinais que associa à perimenopausa, fase de transição hormonal que antecede a menopausa e ainda é pouco compreendida por muitas mulheres.

Relatos como o de Juliana têm se tornado mais frequentes entre mulheres públicas, que ajudam a dar visibilidade a um período marcado por sintomas sutis, confusos e, muitas vezes, difíceis de identificar. Embora a menopausa seja amplamente discutida, pouco se fala sobre os anos que a antecedem e sobre como diferenciar sinais hormonais de estresse, rotina intensa ou envelhecimento natural.

O que Juliana Paes relatou?

Durante entrevista ao canal de Thais Fersoza no YouTube, Juliana Paes contou que um dos sintomas mais marcantes tem sido a chamada névoa mental, caracterizada por lapsos de memória e dificuldade de concentração. “Já estou experimentando coisas que têm a ver com perimenopausa”, disse a atriz, ao relatar que os episódios ainda são pontuais, mas suficientes para causar angústia.

Segundo Juliana, a sensação de lentidão mental tem impacto direto na forma como ela se percebe no dia a dia. “Falo: ‘cara, hoje eu estou muito avoada. Não estou conseguindo concatenar… Estou demorando para fazer uma coisa simples’. Isso me dá uma angústia muito grande”, relatou.

A atriz também refletiu sobre o processo de envelhecimento e a necessidade de aceitar mudanças no próprio ritmo. “A gente vai envelhecendo e vai perdendo aquela coisa tenaz. O tempo é outro. E é sábio, né? O nosso corpo e a natureza sabem isso”, afirmou.

Perimenopausa começa antes do que se imagina

De acordo com o ginecologista Dr. Igor Padovesi, a perimenopausa é uma das fases mais mal compreendidas da saúde feminina, inclusive entre profissionais da área. “A perimenopausa é uma questão bem importante de esclarecer, porque é o que gera mais dúvida entre as mulheres, entre os médicos, e o entendimento sobre a perimenopausa mudou muito recentemente”, explicou o especialista.

Segundo ele, o tema ganhou destaque no último Congresso Americano de Ginecologia, justamente por revelar que essa fase pode começar mais cedo do que se acreditava. “Destacaram exatamente essa questão do novo entendimento da perimenopausa, que ela chega muito mais cedo do que se acreditava antes que chegava, que os sintomas iniciais geralmente não são aqueles mais característicos, que se fala mais, que são as alterações menstruais e as ondas de calor, então cursa com outros sintomas”, afirmou.

Entre esses sintomas menos óbvios estão exatamente os relatados por Juliana Paes. “A alteração de memória é muito comum, esquecimentos, esquecimento de palavra, a mulher fica distraída, avoada, muitas falam que se sentem burras, a capacidade de concentração e raciocínio é menor, que são chamados Brain Fogs, em inglês, nevoeiro mental”, disse o ginecologista.

Rotina intensa e desconhecimento podem atrasar o diagnóstico

Segundo Padovesi, mulheres com agendas cheias, múltiplas responsabilidades e alta carga mental costumam ter mais dificuldade para reconhecer os sinais da perimenopausa. “A maioria das mulheres nessa fase tem uma rotina intensa, sobrecarga de trabalho, demanda de filhos, geralmente crianças, às vezes adolescentes, muitas cuidam dos pais”, relatou.

Esse contexto faz com que sintomas hormonais sejam frequentemente atribuídos apenas ao estresse. “E principalmente o desconhecimento que esses podem sim ser sintomas da perimenopausa”, afirmou o médico.

Além disso, a expectativa de que a menopausa só ocorre por volta dos 50 anos contribui para a surpresa. “A maioria das mulheres se surpreende a perceber que estão passando por esse período, porque acham que a menopausa é algo que vai chegar lá perto dos 50 anos, e hoje em dia se sabe que ao final dos 30, início dos 40 anos, é quando a maioria das mulheres começa a ter algum sintoma”, explicou.

Oscilações hormonais afetam corpo e mente antes da menopausa

De acordo com o especialista, a transição menopausal não acontece de forma gradual e previsível. “É muito importante esclarecer isso, porque muitas mulheres imaginam que a aproximação da menopausa, a transição menopausal, seja uma coisa linear, que o hormônio vai acabando aos poucos. E não”, disse Padovesi.

Ele explicou que essa fase é marcada por grandes oscilações hormonais, que impactam diretamente o funcionamento do organismo. “É uma fase que, tipicamente, os sintomas oscilam, os níveis hormonais oscilam muito”, afirmou.

Esse desequilíbrio entre estrogênio e progesterona pode explicar alterações no humor, no sono, na memória, na libido e na sensação geral de bem-estar, mesmo antes da última menstruação.

Tratamento pode começar ainda na perimenopausa

O ginecologista reforça que a perimenopausa tem tratamento e que ele não precisa ser adiado até a menopausa definitiva. “Sobre opção de tratamento para perimenopausa, é a terapia hormonal. Ponto final. Tratamento da perimenopausa ou menopausa é a terapia hormonal”, afirmou.

Segundo ele, medidas como atividade física, melhora do sono e redução do estresse ajudam, mas são apenas complementares. “Porém, o tratamento padrão da perimenopausa é a terapia hormonal”, disse.

Padovesi destacou ainda que muitas mulheres se surpreendem ao iniciar tratamento mesmo menstruando regularmente. “A gente muitas vezes vai iniciar a terapia hormonal para uma mulher que ainda menstrua normalmente, que ainda não está na menopausa, está na perimenopausa”, explicou.

Para mulheres como Juliana Paes, que desejam manter qualidade de vida, desempenho profissional e clareza mental, o reconhecimento precoce dessa fase pode fazer toda a diferença.

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Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi