Jogador do São Paulo sofre desmaio e segue internado; médico explica quadro: ‘Não há cura’
Oscar foi internado após sofrer desmaio durantes testes físicos no São Paulo

Oscar, jogador do São Paulo, foi diagnosticado com uma síncope vasovagal após uma bateria de exames. Segundo o clube, o atleta sofreu um desmaio durante testes físicos no CT, na última terça-feira, 11. O meio-campista foi encaminhado ao Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e segue internado após apresentar alterações cardiológicas.
CARAS Brasil entrevista o Dr. Arthur Rente, cardiologista, que explica o problema como algo comum, capaz de afetar pessoas saudáveis, como no caso do jogador de futebol. No entanto, é importante ficar em alerta para evitar complicações.
“A síncope vasovagal é o ‘desmaio’ mais comum, provocado por uma reação exagerada do sistema nervoso autônomo (que controla funções automáticas do corpo, como batimentos cardíacos e pressão). Nesse reflexo, o nervo vago (parte do sistema parassimpático) é ativado de forma intensa, levando a: diminuição da frequência cardíaca (bradicardia), dilatação dos vasos sanguíneos, o que reduz a pressão arterial. Como consequência, o fluxo de sangue para o cérebro cai rapidamente, causando desmaio”, destaca.
Segundo o médico, pode ocorrer em pessoas saudáveis, incluindo jovens e atletas. “Não é necessariamente uma doença ‘grave’: mesmo quem não tem problema cardíaco pode ter síncope vasovagal”, alerta ele, que destaca a tontura, fraqueza, náusea, sudorese (suor frio), visão turva ou visão em túnel, que é o zumbido nos ouvidos, e a palidez como os principais sintomas que antecedem o desmaio.
Durante o desmaio, a perda de consciência costuma ser rápida e curta. “A recuperação geralmente também é rápida, sem confusão mental prolongada”, fala o cardiologista.
Dr. Arthur explica que o tratamento é, em grande parte, comportamental, porque não há um “remédio milagroso” que bloqueie totalmente esse reflexo: “Identificar e evitar os gatilhos que provocam a síncope: calor intenso, ficar em pé por muito tempo, jejum, estresse etc. Manter uma boa hidratação”, diz.
“Fazer mudanças posturais ao sentir os pródromos: se perceber tontura, fraqueza ou visão turva, deitar ou sentar com as pernas elevadas ajuda a restabelecer o fluxo de sangue para o cérebro. Exercícios: fortalecer a musculatura das pernas pode ajudar porque aumenta o retorno venoso (o ‘sangue que volta ao coração’). Suplementação de sal: em alguns pacientes isso é usado para melhorar a tolerância ortostática (mais sal pode ajudar a manter a pressão). Em alguns casos, medicações podem ser consideradas, mas não são usadas rotineiramente para todos, pois os efeitos variam muito de pessoa para pessoa”, complementa.
O médico alerta que não há cura para a síncope vasovagal. “No sentido de eliminar para sempre a possibilidade de síncope vasovagal, porque é uma reação do sistema nervoso. Mas há controle eficaz: com mudanças de estilo de vida, muitos pacientes aprendem a reconhecer os sinais de alerta e evitar o desmaio. A longo prazo, a maioria das pessoas com síncope vasovagal vive bem, sem episódios graves frequentes”, finaliza.
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