Isabel Veloso vive pontos críticos do pós-transplante e médico explica: ‘Paciente fica sem…’

Para CARAS Brasil, especialista detalha riscos, causas e sinais de alerta no pós-transplante de medula óssea, como em casos de Isabel Veloso

Isabel Veloso - Foto: Instagram

A influenciadora Isabel Veloso (19) deixou a UTI na sexta-feira, 28, em uma reviravolta que abriu uma nova onda de dúvidas sobre seu estado de saúde. A informação foi divulgada pelo marido da jovem, Lucas Borbas, que acompanhou toda a internação. Diagnosticada com câncer — linfoma de Hodgkin — aos 15 anos, Isabel enfrentou uma complicação grave após apresentar excesso de magnésio no sangue, quadro que levou à intubação.

Para compreender o que pode ter acontecido e como funciona o risco em pacientes recém-transplantados, a equipe da CARAS Brasil ouviu o médico oncologista Dr. Jorge Abissamra, que esclareceu ponto a ponto o cenário clínico. As explicações ajudam a entender por que alterações súbitas podem ocorrer no período mais delicado do transplante de medula óssea (TMO).

Excesso de magnésio após TMO: quando isso acontece?

Segundo o médico, esse tipo de alteração não é frequente, mas pode surgir em contextos específicos. “Não é comum, mas pode acontecer em situações específicas. O mais frequente no TMO é o oposto: hipomagnesemia (magnésio baixo), principalmente pelo uso de imunossupressores como tacrolimo e ciclosporina. Hipermagnesemia (magnésio alto) pode ocorrer quando há insuficiência renal aguda — comum no pós-TMO (por sepsis, drogas, hipoperfusão), uso de suplementos de magnésio, antiácidos ou laxantes com magnésio e administração endovenosa excessiva. Portanto: não é esperado, mas se houver lesão renal, o magnésio realmente pode subir“.

Essa fase é crítica para o organismo. O especialista reforça que as primeiras semanas após o transplante são marcadas por desequilíbrios que podem afetar múltiplos órgãos.

Por que o corpo entra em colapso após o transplante?

“As primeiras 2 a 6 semanas pós-TMO são as mais críticas”, explica o oncologista. Ele detalha que fatores como aplasia medular, toxicidade das quimioterapias, imunossupressores, infecções graves e disfunções pulmonares podem desencadear reações súbitas.

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Entre os riscos imediatos, o Dr. Jorge cita sepse fulminante, hemorragia pulmonar, complicações hepáticas, toxicidade medicamentosa, sangramentos e reações inflamatórias. “Todas essas alterações podem desequilibrar rapidamente órgãos vitais”, afirma.

Queda abrupta no quadro: o que provoca essa piora?

O especialista destaca que o corpo de um paciente recém-transplantado é extremamente vulnerável. “As causas mais comuns são agudas, rápidas e potencialmente fatais”, explica ele, mencionando sepse, hemorragia pulmonar, falência hepática, toxicidade de imunossupressores e hemorragias decorrentes de plaquetopenia.

Após intubação: o que define o prognóstico?

O médico também detalha os fatores que orientam a avaliação da equipe de UTI após um episódio tão grave. “Os principais são o tempo de hipóxia antes da intubação, a função neurológica após a reanimação, a causa da parada, o estado geral antes do evento, a função dos órgãos após a reabordagem e o tempo até a reversão do quadro inicial”, resume. Para pacientes de TMO, qualquer oscilação pode se tornar determinante.

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Dr. Jorge Abissamra é médico (145307 CRM SP) pela Universidade de Santo Amaro e especialista em Clínica Médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho. Atualmente é coordenador da Oncologia da Hospital Santa Clara e coordenador da Oncologia da HapVida Intermedica NotreDame. Também atua como diretor da Oncologia da Amo Saúde e possui experiência na área de Clínica Médica, com ênfase em Oncologia.