Influenciadora convive com a ‘pior dor do mundo’; médico explica: ‘Dor mesmo sem estímulo’

A influenciadora Carolina Arruda compartilha sua rotina ao conviver com a 'pior dor do mundo'; a CARAS Brasil conversou com neurologista para entender mais sobre a doença

Influenciadora convive com a 'pior dor do mundo'; médico explica: 'Dor mesmo sem estímulo'
Influenciadora convive com a 'pior dor do mundo'; médico explica: 'Dor mesmo sem estímulo' - Reprodução/Instagram

Carolina Arruda, de 28 anos, convive com neuralgia do trigêmeo, condição conhecida como a ‘pior dor do mundo’, há 12 anos. A influenciadora compartilha sua rotina nas redes sociais e vive com dores insuportáveis, comparadas a choques elétricos constantes no rosto.

Para entender um pouco sobre a doença vivida por Carolina, a CARAS Brasil conversou com o Dr. Saulo Nader, médico neurologista. Ele ressaltou que a condição realmente causa uma das dores mais intensas que existem, e ocorre por uma irritação ou compressão do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face.

“Em alguns casos, o problema é provocado por um vaso sanguíneo que encosta no nervo, lesionando sua camada protetora (a bainha de mielina). Isso faz com que o nervo envie sinais de dor mesmo sem haver estímulo real”, explicou.

Diagnóstico

Sobre o diagnóstico, o Dr. Saulo disse que é clínico, baseado no tipo e na localização da dor, geralmente uma dor em choque, de início súbito, sempre no mesmo lado do rosto, em uma área específica do rosto, e com gatilhos bem definidos. “Por exemplo: escovar os dentes ou pentear o cabelo”.

“Mas é fundamental realizar uma ressonância magnética de crânio com protocolo específico para o nervo trigêmeo, pois esse exame permite identificar se há contato do nervo com vaso e descartar outras causas secundárias. O diagnóstico correto é essencial para direcionar o tratamento e muitas vezes evita anos de sofrimento desnecessário”.

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Tratamento

Segundo o especialista, o tratamento, geralmente, começa com medicamentos que atuam estabilizando a atividade elétrica do nervo e não deixando a dor ocorrer. “Esses remédios costumam controlar bem as crises na maior parte dos casos”.

O Dr. Saulo explica que, quando isso não acontece, entram em cena os procedimentos cirúrgicos ou minimamente invasivos, como:

  • Descompressão microvascular: indicada quando há compressão evidente de um vaso sobre o nervo;
  • Termocoagulação por radiofrequência, injeção de glicerol ou balonização, técnicas que atuam diretamente sobre o nervo para reduzir a dor;
  • Radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife), que aplica radiação precisa sobre o nervo, sem cortes.

“A mudança do tratamento medicamentoso para o cirúrgico é usualmente indicado quando o paciente não responde às medicações ou sofre com efeitos colaterais importantes. A decisão é sempre individualizada, levando em conta a idade, o estado de saúde e o impacto da dor na vida do paciente”.

Hábitos que ajudam a prevenir crises ou reduzir a intensidade da dor

“Embora não exista uma forma garantida de prevenir a neuralgia do trigêmeo, alguns cuidados ajudam a diminuir a frequência e a intensidade das crises“, disse. São eles:

  • Evitar gatilhos conhecidos, como vento frio no rosto, mastigação de alimentos muito duros, escovação de dentes vigorosa ou estímulos manuais na região afetada;
  • Manter o sono adequado e controlar o estresse, pois o sistema nervoso se torna mais sensível em situações de privação de sono e tensão emocional;
  • Seguir corretamente o tratamento prescrito e fazer acompanhamento neurológico regular, para ajustar doses e evitar recaídas;
  • Cuidar da saúde geral, mantendo alimentação equilibrada, hidratação e atividades relaxantes.

“Em resumo: quanto mais cedo o diagnóstico é feito e o tratamento é iniciado, maior a chance de controlar a dor e preservar a qualidade de vida. Neuralgia do trigêmeo tem tratamento e ninguém precisa conviver com essa dor sem alívio”, completou o médico.

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Médico neurologista (CRM-SP:146114) pela USP, atua fortemente como comunicador em saúde dentro do tema TONTURA, sua área de maior expertise. É membro oficial da Bárány Society, a sociedade internacional de experts em Tontura e Vertigem, e foi coordenador (2022-24) do Departamento Científico de Tontura da Academia Brasileira de Neurologia. É médico do Hospital Albert Einstein.