Grazi Massafera faz comentário e detalhe reacende debate sobre gravidez após os 40 anos

Aos 43 anos, atriz brincou sobre maternidade ao lado de Murilo Benício; especialista explica os desafios da fertilidade perto da menopausa

Grazi Massafera e Murilo Benicio - Reprodução: TV Globo

A fala de Grazi Massafera sobre precisar ter um filho antes que a menopausa a pegue surgiu em clima de brincadeira, mas rapidamente se tornou assunto nas redes. Aos 43 anos, a atriz contracena com Murilo Benício, de 54, na novela Três Graças, onde vivem um casal de amantes, parceria que reacendeu a empolgação dos fãs e aproximou ainda mais os dois colegas de elenco. O comentário da ex-BBB foi deixado justamente em um vídeo em que o ator respondia perguntas dos internautas, e acabou animando os seguidores, que logo começaram a pedir um filho do casal fictício.

A descontração, porém, também trouxe à tona um tema que muitas mulheres acima dos 40 enfrentam: Os limites da fertilidade e o planejamento reprodutivo tardio. Grazi é mãe de Sofia, fruto do relacionamento com Cauã Reymond, enquanto Murilo é pai de Pietro, com Alessandra Negrini, e de Antônio, com Giovanna Antonelli, ambos já experientes na vida familiar, mas também em fases diferentes da maturidade. Por isso, o comentário, mesmo leve, dialoga com uma realidade fisiológica: a diminuição da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos após os 35 anos, algo que especialistas reforçam com frequência.

Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Igor Padovesi, o primeiro passo quando uma mulher pensa em engravidar perto da menopausa é entender como estão seus ovários. De acordo com ele, tanto o exame de sangue que mede o hormônio antimuleriano quanto o ultrassom transvaginal para contagem de folículos são essenciais para estimar a reserva ovariana. Porém, o especialista destaca que idade e reserva são parâmetros diferentes, e que um não compensa o outro.

“Indicadores objetivos que são avaliados são o hormônio antimuleriano, que é o exame de sangue mais usado para estimar a reserva ovariana, mais preciso, e o ultrassom transvaginal, usado para contagem de folículos antrais. Isso dá uma avaliação da reserva ovariana. Porém, a reserva ovariana é um parâmetro mais quantitativo […] a idade é um fator independente que é muito crítico também”, disse o médico.

Riscos que aumentam após os 40

Conforme explica o ginecologista, tanto riscos maternos quanto fetais se elevam com o avançar da idade, mas pelos seus próprios motivos. Do lado materno, condições como hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional tornam-se mais frequentes. Já para o bebê, o fator que mais pesa é a idade do óvulo, que aumenta a chance de alterações cromossômicas e de abortamento.

“Os dois, mas por motivos diferentes. […] O maior risco da mulher quando engravida mais tardiamente é a maior chance de aborto espontâneo, da gestação não progredir. O que aumenta muito relacionado ao bebê é, pelo fato de o óvulo já ser mais velho, leva a maior chance, maior risco de alterações dos cromossomos, principalmente a síndrome de Down, mas a síndrome de Down é uma malformação que ainda é compatível com a vida e se desenvolve. ”, afirmou o especialista.

Idade biológica x idade reprodutiva

Embora muitas mulheres relatem sentir-se jovens e saudáveis aos 40, assim como Grazi frequentemente diz, isso não significa que seus óvulos acompanhem esse ritmo. A ideia de ter “ovários de 30 anos” aos 40 não se sustenta do ponto de vista biológico. “Não, não existe mulheres de 40 com ovários de 30. […] a qualidade desses óvulos já é consideravelmente pior aos 40 em relação aos 30”, explicou o ginecologista.

Quando congelar óvulos?

O planejamento reprodutivo, segundo o médico, é mais eficaz quando começa cedo. Para mulheres que pretendem engravidar tardiamente — por decisão pessoal ou circunstâncias da vida, o congelamento de óvulos se torna um recurso valioso.

“Antes dos 30 anos. […] Depois disso ainda é possível, e vai depender da reserva ovariana da mulher […] porém já são óvulos de qualidade bem pior”, orientou Padovesi.

Pré-natal tardio: Muda alguma coisa?

Apesar do aumento de alguns riscos obstétricos, o acompanhamento pré-natal não sofre mudanças bruscas. O que ocorre, segundo o especialista, são ajustes pontuais, como inclusão de testes genéticos mais precisos.

“Ele é bem pouco diferente. […] a maioria das mulheres, mesmo engravidando mais velhas, costumam ter gestações normais, sem grandes desafios, exceto a questão do risco de aborto”, completou.

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Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi