Gisele Bündchen chama atenção ao falar sobre ultrassom natural durante a gestação; entenda
Modelo Gisele Bündchen contou que adotou prática alternativa de conexão corporal na gravidez; especilista alerta sobre limites da técnica

Gisele Bündchen voltou ao centro das atenções ao comentar práticas adotadas durante sua gestação mais recente, que resultou no nascimento de seu terceiro filho. A modelo brasileira é mãe de Benjamin, de 14 anos, e Vivian, de 11, frutos do antigo casamento com o ex-jogador de futebol americano Tom Brady, e deu à luz recentemente a um menino, seu primeiro filho com o instrutor de jiu-jítsu Joaquim Valente, com quem é casada.
Em entrevistas recentes, Gisele Bündchen tem falado sobre maternidade, escolhas conscientes e uma relação mais profunda com o próprio corpo. Entre os temas citados, chamou atenção a menção ao chamado “ultrassom natural”, prática comentada por sua parteira e que despertou debates sobre segurança, embasamento científico e limites entre bem-estar e acompanhamento médico.
O que é o chamado “ultrassom natural”
Segundo a descrição divulgada, o ultrassom natural, feito por Gisele Bündchen, seria uma prática voltada à percepção corporal, ao toque e à escuta dos sinais do próprio corpo, com a proposta de resgatar uma sabedoria ancestral feminina. Apesar do nome, especialistas explicam que a técnica não se trata de um exame médico.
O que diz a medicina sobre o ultrassom natural
De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Igor Padovesi, é fundamental diferenciar práticas de autoconhecimento corporal de exames diagnósticos reconhecidos pela medicina. “O termo ‘ultrassom’ é um termo médico específico. Ultrassonografia é um exame de imagem, feito com equipamento, que permite avaliar estruturas internas (útero, ovários, placenta, líquido amniótico, crescimento fetal etc.)”, disse o médico.
Segundo ele, o que vem sendo chamado de ultrassom natural não possui reconhecimento científico como método diagnóstico. “O chamado ‘ultrassom natural’, pelo que é descrito, parece ser uma prática de conexão corporal (atenção ao corpo, toque, percepção de sinais), e não um exame diagnóstico”, pontuou o especialista.
A técnica pode substituir exames ginecológicos ou obstétricos?
O Dr. Igor Padovesi reforça que não há evidência científica de que a prática possa substituir exames tradicionais. “Portanto, não existe evidência de que substitua ultrassonografia ou qualquer exame ginecológico/obstétrico. Pode até ter valor subjetivo, como autoconhecimento ou redução de ansiedade, mas não deve ser vendido como ferramenta para ‘avaliar’ saúde reprodutiva ou gestação”, explicou.
Quais são os riscos do ultrassom natural?
Segundo o médico, o principal risco não costuma ser físico, mas sim indireto. “O maior risco costuma ser indireto: gerar falsa segurança e atrasar diagnósticos importantes ou o acompanhamento adequado”, afirmou.
Ele lembra que muitos problemas ginecológicos e obstétricos são silenciosos no início. “Em ginecologia e obstetrícia, muitos problemas são silenciosos no começo e só aparecem em exame (por exemplo: alterações do colo do útero, miomas, cistos, endometriose, complicações iniciais da gestação)”, explicou.
Alerta para gestantes e acompanhamento pré-natal
Embora o toque abdominal leve, quando respeitoso, tenha baixo risco físico, o especialista faz um alerta importante. “Se houver toque abdominal leve e respeitoso, o risco físico tende a ser baixo, mas qualquer prática que prometa ‘diagnóstico’, ‘substituição do pré-natal’ ou ‘dispensa de exames’ é um sinal de alerta”, disse. Ele concluiu: “Em gestantes, principalmente, a recomendação é clara: não substituir pré-natal e exames indicados pelo obstetra”.
Práticas seguras para se conectar com o corpo
Segundo o Dr. Igor Padovesi, existem práticas complementares seguras para quem busca maior consciência corporal, desde que não substituam cuidados médicos. Entre elas estão respiração guiada, mindfulness, meditação, yoga e pilates com profissionais qualificados, exercícios leves e regulares, alongamentos e fisioterapia pélvica com especialistas habilitados.
“A fisioterapia pélvica é ótima para consciência corporal, dores e cuidado com o assoalho pélvico”, destacou o médico.
O que deve ser evitado, segundo o especialista
O médico recomenda evitar qualquer prática que prometa substituir exames, pré-natal, ultrassom ou Papanicolau, além de diagnósticos baseados em toque, energia ou intuição. Também devem ser evitadas manipulações internas, procedimentos invasivos fora de ambientes adequados e o uso de chás, hormônios ou substâncias naturais sem orientação médica, especialmente durante a gestação.
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