Filha de Maíra Cardi deixa a UTI: Psicóloga Perinatal explica como famílias enfrentam o pós-internação
Rafaela Schiavo explica como o período pós-UTI exige acolhimento emocional das famílias como no caso de Maíra Cardi

Maíra Cardi usou as redes sociais na noite do último domingo (26) para desabafar sobre os primeiros dias de vida da filha recém-nascida, Eloah, fruto do casamento com Thiago Nigro. A bebê precisou ser levada à UTI Neonatal logo após o parto para receber auxílio na respiração e foi alimentada por sonda durante a internação, e recebeu alta na segunda-feira (27).
Eloah finalmente pôde conhecer os irmãos, Lucas e Sophia, e Maíra compartilhou nas redes o momento de encontro entre as crianças, descrevendo a emoção da família. A situação, que comoveu seguidores, também reacende o debate sobre o impacto emocional vivido por pais e mães quando um recém-nascido precisa de cuidados intensivos.
De acordo com a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, o período após a alta hospitalar pode ser desafiador para os pais, que frequentemente enfrentam ansiedade e medo após dias de tensão. Ela destaca que o acolhimento psicológico das famílias e a comunicação sensível entre equipes médicas e cuidadores são fundamentais para garantir uma recuperação emocional saudável após a passagem pela UTI Neonatal.
Após a alta
Mesmo após a alta, o casal pode continuar sentindo medo e ansiedade. Por isso, o acompanhamento psicológico deve se estender ao pós-internação. “Depois da alta da UTI, sim, pais e mães podem continuar se sentindo inseguros, podem continuar apresentando ansiedade e, às vezes, até continuar com sintomas de depressão caso tenham vindo a desenvolver. Então, a melhor forma que as pessoas que passam por essa situação têm é continuar, mesmo após a alta, um acompanhamento com psicólogo perinatal”, completou a psicóloga perinatal.
Rafaela lembra que o acompanhamento é garantido por lei. “Só lembrando que existe a Lei 14.721, que garante o acompanhamento psicológico durante a gestação, parto e pós-parto. Então, por lei, em saúde pública, deveria ter esse profissional da psicologia perinatal para fazer esse acompanhamento durante o período da internação, da alta do bebê”.
Ela reforça que nem todo psicólogo tem formação para esse tipo de demanda. “Não é qualquer psicólogo que consegue dar conta de atender essas demandas, por isso sempre recomendamos o psicólogo perinatal, para acompanhar e auxiliar em toda essa trajetória”.
O vínculo entre mãe e bebê mesmo à distância
Durante o período de UTI, a separação física entre mãe e bebê é uma das dores mais difíceis nesse processo, e é o que gera medo nas famílias, mas pode ser amenizada com políticas hospitalares humanizadas e horários amplos de visitação. “A separação entre mãe e bebê pode ser amenizada quando o hospital libera visitação. Se houver horários amplos, possibilidade de o pai e a mãe estarem com o bebê, conversarem e, se possível, tocarem nele, tudo isso facilita o processo”, explica Rafaela.
Rafaela destaca que nem todas as famílias têm o mesmo acesso. “O problema surge quando o acesso é dificultado, quando os hospitais deixam entrar apenas a mãe, ou apenas por 30 minutos ao dia; mães que moram em outra cidade e não conseguem visitar diariamente; mães com outros filhos sem com quem deixar. São dificuldades diferentes, inclusive por classe social”.
No caso de Maíra Cardi, a psicóloga observa que o contexto permite maior aproximação. “No caso da Maíra, ela tem condições de escolher um hospital mais humanizado, o que possibilita maior visitação e contato. Em outras camadas sociais, muitas famílias precisam ir ao que está disponível, e nem sempre o serviço permite aproximação com facilidade por diversos motivos”.
Ela reforça a importância de melhorias no sistema: “Seria importante que os hospitais se programem, e que políticas públicas melhorem a acessibilidade, para garantir a presença dos pais em momentos de internação”.
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CONFIRA O ENCONTRO DOS FILHOS DE MAÍRA COM A CAÇULA:
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