Ex-apresentador da Globo revela efeito colateral da quimioterapia e médico alerta: ‘Risco aumenta’
Jonas Almeida, ex-apresentador da Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba, relatou um 'efeito tardio da quimioterapia'

Recentemente, o ex-apresentador da Globo, Jonas Almeida usou as redes sociais para atualizar o público sobre seu quadro de saúde. Para quem não se lembra, o comunicador revelou no mês de maio que foi diagnosticado com câncer de pulmão. Agora, o famoso detalhou que a quimioterapia causou a perda de audição de um dos ouvidos.
Em seu relato, Jonas explicou que a condição trata-se de ‘um efeito tardio da quimioterapia que pode ser irreversível’. Após receber a notícia, o apresentador contou que buscou ajuda profissional e conseguiu recuperar parte da audição com um tratamento.
“Após eu ficar completamente surdo do ouvido direito no dia do meu aniversário por um efeito tardio da quimioterapia que pode ser irreversível […] Recuperei uma parte da audição e tô feliz da vida perto da previsão de fonoaudiólogas (fui em duas) e otorrinos (também duas) de que o risco era grande de eu não mais ouvir… Hoje ouço abafado e com uma marginal Tietê de buzinas o dia todo tocando nos ouvidos […] Medicações, restrições por meses, mas o melhor remédio é sempre tirar a vida pra dançar…VIVER!!!”, disse o comunicador.
No mês de setembro, Jonas Almeida contou que concluiu a última sessão de quimioterapia, mas seguirá o tratamento com radioterapia e imunoterapia pelos próximos dois anos.
Opinião de um médico oncologista
Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil, entrevista o Dr. Jorge Abissamra, médico oncologista e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho.
“Alguns tipos de quimioterapia podem causar perda de audição, embora não seja um efeito colateral comum a todos os tratamentos. Esse problema está mais relacionado a um grupo específico de medicamentos chamados derivados de platina, principalmente o cisplatina, que é amplamente utilizado no tratamento de vários tumores, inclusive câncer de pulmão”, declara o oncologista.
Dados que chamam a atenção
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 704 mil casos novos de câncer no Brasil para cada ano do triênio 2023-2025, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que concentram cerca de 70% da incidência. O Dr. Jorge Abissamra Filho reforça que nem toda quimioterapia causa este efeito colateral.
“A maioria dos esquemas modernos utilizados no câncer de pulmão, como imunoterapia, terapias-alvo ou combinações com carboplatina, têm um perfil de segurança muito melhor e raramente cursam com perda auditiva”, diz.
Por que alguns pacientes têm este efeito?
O médico oncologista aponta que esses medicamentos têm um potencial chamado ototóxico, ou seja, podem lesionar células delicadas da cóclea, estrutura dentro do ouvido interno responsável pela audição. Essa lesão pode levar a:
- Zumbido;
- Redução da audição;
- Em casos mais severos, perda auditiva permanente.
“O risco aumenta quando o paciente recebe doses mais altas, tem tratamentos prolongados, já tem alguma doença auditiva prévia ou possui fatores genéticos que o tornam mais sensível à toxicidade da medicação”, finaliza o oncologista ao analisar casos como do ex-apresentador da Globo, Jonas Almeida.
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