Especialista alerta para erros após cirurgia de Leandro Hassum: ‘Não muda a mente’

Em conversa com a CARAS Brasil, nutrólogo revela erros silenciosos que comprometem a cirurgia de pacientes como Leandro Hassum e alerta para riscos pouco conhecidos

Leandro Hassum - Foto: Globo/Cadu Pilotto

Há mais de uma década, Leandro Hassum passou pela cirurgia bariátrica e eliminou cerca de 65 kg, mas a jornada não terminou no centro cirúrgico. A realidade, segundo especialistas, é que o procedimento marca apenas o início de uma transformação profunda. A alimentação saudável, o apoio psicológico e o acompanhamento médico contínuo são pilares essenciais para manter o peso e garantir bem-estar no longo prazo.

Para entender como a reeducação alimentar influencia esses resultados, a CARAS Brasil conversou com o nutrólogo Rubem Regoto, que explicou os principais erros, cuidados e desafios após a operação.

Os erros mais comuns após a bariátrica

O nutrólogo destaca que o problema começa quando o paciente acredita que a cirurgia resolve tudo. Como explica, “o maior erro é acreditar que a cirurgia é o fim do problema, quando, na verdade, deve ficar bem claro que ela é apenas o início de uma nova relação com a comida e com o próprio corpo”.

Ele reforça que a operação altera o tamanho do estômago, mas não transforma automaticamente hábitos e emoções: “A bariátrica muda o estômago, mas não muda a mente. E sem reeducação alimentar e apoio psicológico, o cérebro tende a buscar antigos padrões, como beliscar, usar a comida como válvula de escape emocional e escolher alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura”.

Outro ponto crítico está nas escolhas inadequadas: “O abandono do acompanhamento médico e o consumo exagerado de alimentos moles ou líquidos extremamente calóricos, que passam facilmente pelo novo estômago, como doces, milk-shakes e bebidas alcoólicas, anula parte do efeito da cirurgia e leva à recuperação do peso em meses”.

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O nutrólogo alerta ainda para a perda de massa magra: “Muitos pacientes perdem peso rápido, mas também perdem massa muscular, o que reduz o metabolismo e facilita o reganho. Sem o ajuste proteico adequado, o corpo entra em modo de quebra de músculo para gerar energia”.

Por que a alimentação balanceada é decisiva no pós-operatório?

Com a anatomia digestiva modificada, o organismo precisa reaprender a absorver nutrientes. Como explica o especialista: “Depois da bariátrica, o corpo precisa reaprender a absorver. Com o estômago reduzido e parte do intestino desativada, a digestão muda completamente”.

A falta de planejamento alimentar traz consequências sérias: “Se a alimentação não for planejada, o paciente terá deficiência de ferro, cálcio, vitamina B12, zinco e vitamina D, que se manifestam em queda de cabelo, fraqueza, anemia e, pasme, até depressão”.

Regoto também reforça a ligação entre intestino e saúde mental: “Nós não podemos esquecer que existe um eixo intestino-cérebro que conecta nossas emoções e digestão. Quando você muda a anatomia dessa região, também muda essa comunicação, o que, associado à má absorção de nutrientes, pode trazer ainda mais quadros de saúde mental, como alcoolismo, abuso de substâncias e depressão grave”.

A solução está na qualidade dos alimentos: “Comer pequenas porções de proteínas magras, vegetais coloridos, grãos integrais e boas gorduras garante saciedade, preserva músculo e mantém o metabolismo ativo”.

E, na maioria dos casos, suplementação é essencial: “Como a absorção intestinal estará diminuída, em boa parte dos casos será preciso reposição de vitaminas e nutrientes por suplementação tanto oral como até mesmo por via venosa em grande parte dos casos”.

A importância do acompanhamento

O especialista é categórico ao dizer que o procedimento não é suficiente sozinho: “A bariátrica é o começo de um processo, não um milagre, mas sim uma ferramenta. Os pacientes que mantêm acompanhamento nutricional e psicológico são os que realmente transformam o resultado em estilo de vida”.

Esse cuidado contínuo é o que impede o retorno do peso: “A ciência já mostrou: sem esse suporte contínuo, até 70% dos pacientes podem recuperar parte do peso em até cinco anos”.

E ele acrescenta: “Não é por falta de força de vontade, é biologia. O corpo tenta voltar ao padrão anterior, o apetite aumenta, a absorção muda e o cérebro resiste à restrição”.

A mudança real acontece quando o paciente entende o processo: “O sucesso não depende só da cirurgia, mas de uma mudança de comportamento e principalmente de propósito. A bariátrica funciona muito melhor quando o paciente entende que o bisturi reduz o estômago, mas é a consciência que reeduca o cérebro. Quem entende isso não só emagrece, mas passa a viver com mais saúde, energia e equilíbrio”.

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Rubem Regoto - CRM: 78868-6 Formado na Universidade Iguaçu (UNIG), é médico nutrólogo e nutricionista, possui 10 anos de experiência no mercado, trabalhando com o método de emagrecimento da Clínica Regoto e mais de 100 toneladas de gordura eliminados. Possui sólida experiência na área de Medicina Integrativa e Ortomolecular  com foco em injetáveis e implantes hormonais e não hormonais. Tem especialização em Neurologia na Santa Casa de Misericórdia do RJ e especialização em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia). Rubem possui também formação em Ortomolecular com o Dr. Artur Lemos.