Eric Dane enfrenta doença progressiva e com evolução imprevisível, aponta especialista

Após o ator de Grey’s Anatomy, Eric Dane, surgir em cadeira de rodas em outubro, médico detalha diagnóstico, progressão e os cuidados essenciais

Eric Dane - Foto: Reprodução MAX.

A recente aparição do ator Eric Dane, conhecido mundialmente por seu papel em Grey’s Anatomy, em uma cadeira de rodas reacendeu a atenção do público para a esclerose lateral amiotrófica (ELA) — uma doença neurológica rara, progressiva e ainda cercada de dúvidas. Diagnosticado com a condição em abril deste ano, o ator já perdeu movimentos de um dos braços, segundo relatos recentes, o que evidencia como a evolução da doença pode ser rápida e impactante.

Para entender melhor como a ELA se manifesta, como é feito o diagnóstico e por que cada caso evolui de forma diferente, a CARAS Brasil conversou com o neurologista Dr. Sergio Jordy.

Por que a ELA é difícil de diagnosticar?

Diferente de muitas doenças, a esclerose lateral amiotrófica não possui um exame único que confirme o diagnóstico de forma direta. O processo exige tempo, observação clínica e exclusão de outras condições neurológicas. “Algumas doenças não têm um marcador diagnóstico como por exemplo um exame positivo ou negativo, e seu diagnóstico é feito com base em critérios e eliminação de outras causas possíveis”, explicou o neurologista. “No caso da esclerose lateral amiotrófica é necessário aliar a história clínica, achados de exame neurológico e alguns exames complementares como a eletroneuromiografia”, disse o Dr. Sergio Jordy.

Segundo ele, outros exames também podem ser utilizados ao longo do processo. “Às vezes se utilizando de outros exames para confirmar sinais e descartar outras causas”, relatou.

Evolução da ELA

O caso de Eric Dane ilustra uma das características mais marcantes da ELA: a imprevisibilidade. Enquanto alguns pacientes apresentam uma progressão mais lenta, outros evoluem de forma agressiva em pouco tempo.

“A variabilidade da evolução é comum na ELA, às vezes iniciando de maneira branda com evolução mais lenta e por vezes com início agressivo e evolução rápida”, explicou o especialista. “O início com idade avançada, comprometimento bulbar, rápida progressão, além de alguns tipos genéticos, podem apresentar uma evolução mais rápida”, afirmou.

Além dos impactos motores, o neurologista chama atenção para outros possíveis acometimentos. “Há uma grande variabilidade da apresentação e acometimento cognitivo também pode e comportamental”, pontuou.

Existem tratamentos para a ELA?

Apesar de ainda não haver cura, existem abordagens que ajudam a retardar a progressão da doença e a melhorar a qualidade de vida do paciente. “Existem medicamentos que podem ajudar a diminuir a velocidade da progressão, embora a eficácia não seja muito elevada”, explicou Dr. Sergio Jordy. “Além dos cuidados de suporte e paliativos que envolvem equipe multidisciplinar para reabilitação motora e respiratória”, completou.

Em estágios mais avançados, intervenções adicionais podem ser necessárias. “Inclusive com ventilação não invasiva quando a função pulmonar começa a declinar, às vezes gastrostomia para alimentação quando o paciente não conseguir mais engolir”, relatou o neurologista.

A importância da equipe multidisciplinar e da família

O tratamento da ELA não se limita ao acompanhamento neurológico. Pelo contrário: envolve uma rede ampla de cuidados e suporte emocional. “Conforme citado, a necessidade da equipe multidisciplinar é crucial no tratamento de pacientes portadores de ELA”, afirmou o médico. “Tendo suas mais variadas queixas e disfunções atendidas como as motoras, respiratórias, fonoaudiológicas e psicológicas”, disse.

Ele também reforça o impacto da doença sobre quem está ao redor do paciente. “Esses cuidados devem envolver a família, inclusive pelo grande impacto no seio familiar que a patologia causa”, concluiu o Dr. Sergio Jordy.

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Dr. Sergio Jordy (CRM 111428) é especializado em Neurologia formado há 22 anos. Tem especialização em Neuroimunologia no CATEM. Santa Casa de Misericórdia São Paulo atuando no hospital São luiz Itaim, e Centro médico Sinapse. Membro da academia americana de neurologia e membro da academia europeia de neurologia