Denúncia de atriz da Globo expõe feridas emocionais do abuso sexual
Denúncias como a de atriz da Globo expõem impacto profundo que experiências traumáticas podem ter na saúde mental

Denúncias de abuso sexual no meio artístico continuam a revelar histórias que chocam o público, mas, para além do escândalo, há consequências muitas vezes silenciosas para a saúde mental das vítimas. A recente acusação feita por uma atriz da Globo trouxe novamente à tona o debate sobre os efeitos psicológicos do trauma, que podem se prolongar por anos ou até décadas.
Traumas vão muito além do momento do abuso
De acordo com a psicóloga clínica Dra. Larissa Monteiro, especializada em traumas e abuso, as vítimas frequentemente desenvolvem quadros como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão, ansiedade, insônia, pesadelos e dificuldade de concentração. “Nem sempre as pessoas conseguem falar sobre o que viveram, mas os sintomas aparecem no corpo e nas emoções. O trauma, muitas vezes, é invisível“, alerta a especialista.
O TEPT, por exemplo, pode provocar flashbacks tão intensos que a vítima sente como se estivesse revivendo a violência, com reações físicas como sudorese, taquicardia e crises de pânico. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mulheres vítimas de violência sexual têm quase três vezes mais risco de desenvolver transtornos depressivos ou ansiosos em comparação com mulheres que não sofreram abuso.
O perigo do silêncio e a culpa injusta
Muitas vítimas permanecem anos caladas, seja por medo de não serem acreditadas, seja pela vergonha ou culpa — sentimentos comuns a quem passa por esse tipo de violência. O silêncio prolongado pode intensificar o sofrimento, gerar isolamento social e levar até a comportamentos autodestrutivos, como automutilação ou abuso de álcool e drogas.
Além disso, a psicóloga lembra que existe um fator cultural que contribui para o silêncio: “Muitas mulheres ouvem frases como ‘a culpa é sua’, o que só aumenta a vergonha. É preciso entender que a responsabilidade nunca é da vítima.“
O caso da atriz da Globo e o impacto social
A denúncia feita pela atriz reforça que o abuso sexual não escolhe classe social, profissão ou nível de escolaridade. Quando figuras públicas compartilham essas histórias, há um duplo impacto: incentivo à denúncia, mas também exposição intensa que pode agravar o trauma. Para a Dra. Larissa, “a coragem de se expor pode inspirar outras mulheres, mas traz também uma pressão emocional imensa.“
Como ajudar quem sofreu abuso?
Segundo a Dra. Larissa, acolher sem julgamentos é o primeiro passo. “É preciso ouvir, respeitar o tempo da vítima e, sempre que possível, orientar a buscar apoio psicológico ou psiquiátrico especializado. Não se deve pressionar a vítima a relatar detalhes se ela não estiver pronta.“
Organizações como o Disque 180, o Ligue 190 em casos de urgência, delegacias da mulher e serviços especializados em atendimento a vítimas de violência sexual podem ser pontos de apoio fundamentais. Quanto mais rápido a vítima receber assistência adequada, maior a chance de evitar danos emocionais duradouros.
A conscientização social sobre o tema é essencial para reduzir o estigma que ainda cerca as vítimas e garantir que elas não se sintam sozinhas em seu processo de recuperação.
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