Maya Massafera voltou a repercutir após passar por uma cirurgia para reduzir a largura dos ombros e das costas. A influenciadora realizou o procedimento em São Paulo como mais uma etapa de seu processo de transição de gênero e contou que foram retirados cerca de 2 centímetros de cada clavícula, reduzindo aproximadamente 4 centímetros da largura dos ombros.

A técnica foi divulgada como inédita no Brasil e despertou curiosidade nas redes sociais. Em entrevista à CARAS Brasil, o cirurgião plástico Dr. Nicola Biancardi explica que a cirurgia de redução da largura dos ombros já é descrita na literatura médica, embora seja pouco frequente e bastante específica.

Cirurgia feita por Maya Massafera é inédita?

De acordo com Dr. Nicola Biancardi, é preciso diferenciar uma técnica realmente nova de um procedimento que já existe, mas ganha repercussão por ser realizado em uma pessoa pública ou em um novo contexto.

“Apesar da repercussão recente, esse não é um procedimento inédito. O que aconteceu foi que ele ganhou visibilidade por ter sido realizado em uma figura pública. A cirurgia de redução da largura dos ombros, por meio da ressecção de uma pequena porção da clavícula, já é descrita na literatura médica e faz parte, principalmente, do arsenal da ortopedia”, explica.

Na cirurgia plástica, segundo o médico, a técnica pode aparecer em planejamentos de afirmação de gênero, mas apenas em casos específicos. “Ela pode integrar o planejamento de pacientes em processos de afirmação de gênero, quando existe uma indicação muito bem estabelecida e uma expectativa realista em relação aos resultados. O objetivo é suavizar a largura da cintura escapular e contribuir para uma silhueta corporal mais feminina”, afirma.

O especialista reforça que o procedimento não deve ser visto como uma cirurgia simples ou indicada de forma ampla. “Vale destacar que essa é uma cirurgia pouco frequente e bastante específica. Não se trata de um procedimento indicado para qualquer pessoa que deseje ‘diminuir os ombros’, mas sim de uma intervenção que exige avaliação criteriosa da anatomia, da função do ombro e dos riscos envolvidos”, alerta.

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Como é feita a feminização do tronco?

A redução da largura dos ombros é apenas uma das possibilidades dentro de um planejamento corporal. Segundo Dr. Nicola Biancardi, a feminização do tronco pode envolver diferentes abordagens, dependendo da anatomia de cada pessoa.

“Na maioria dos casos, o tratamento concentra-se nos tecidos moles. A lipoaspiração permite reduzir depósitos de gordura em regiões estratégicas, enquanto a lipoenxertia pode redistribuir gordura para áreas que valorizam uma silhueta mais curvilínea. Procedimentos sobre a pele também podem contribuir para melhorar o contorno corporal”, explica.

No entanto, quando a largura dos ombros está relacionada principalmente à estrutura óssea, procedimentos focados apenas em gordura podem não mudar significativamente o contorno. “Nessas situações muito específicas, pode haver indicação de intervenções sobre o esqueleto, como a cirurgia da clavícula”, afirma.

Já intervenções em músculos são raras quando o objetivo é apenas estético. “Procedimentos envolvendo músculos são extremamente incomuns com finalidade exclusivamente estética. A preservação da função muscular é um princípio fundamental da cirurgia moderna, e qualquer intervenção nessa estrutura precisa ser muito bem justificada”, pontua.

 

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Médico faz alerta sobre procedimentos chamados de “inéditos”

Com a repercussão do caso de Maya Massafera, Dr. Nicola Biancardi também chama atenção para a forma como procedimentos médicos são apresentados ao público. Segundo ele, nem toda técnica divulgada como nova é, de fato, inédita do ponto de vista científico.

“Na medicina, uma técnica verdadeiramente inovadora normalmente é respaldada por estudos científicos, publicações em revistas especializadas, descrição detalhada da metodologia, acompanhamento dos resultados e reprodutibilidade por outros grupos de pesquisa”, explica.

O médico afirma que, muitas vezes, algo já conhecido pela medicina passa a parecer novo quando aparece associado a uma celebridade ou a uma finalidade diferente. “Muitas vezes, o que é apresentado como ‘inédito’ para o público já existe há anos na literatura médica, mas passa a receber atenção após ser utilizado em um novo contexto ou em um paciente de grande visibilidade”.

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