Cláudia Rodrigues enfrenta doença e médica aponta o segredo para a qualidade de vida: ‘É um dos pilares’

Especialista analisa a condição de saúde da artista de 55 anos e aponta o que é capaz de transformar o peso de diagnósticos delicados

Foto: Instagram

Aos 55 anos, Cláudia Rodrigues voltou a tocar o coração do público. Afastada das telinhas devido a uma doença autoimune, a atriz trouxe à tona debates profundos ao destacar o apoio incondicional de sua companheira durante o tratamento. Mais do que um grande desafio físico, o caso da artista joga luz sobre um tema urgente: a importância da saúde emocional, do acolhimento e da qualidade de vida para pacientes que enfrentam condições crônicas na maturidade.

Para desvendar os bastidores emocionais de quem vive essa realidade, a médica especialista em longevidade consciente e saúde mental, Roberta França, analisou o cenário. Segundo ela, condições que afetam diretamente a autonomia do paciente costumam trazer uma pesada carga de insegurança.

“Nunca é fácil receber o diagnóstico de uma demência, de uma doença de Parkinson ou de uma esclerose múltipla. São doenças degenerativas que comprometem a rotina, exigem mudança de hábitos e trazem medo, angústia e o temor do futuro, principalmente pela perda da sensação de controle”, detalha a especialista.

O impacto do diagnóstico

O primeiro choque costuma ser emocionalmente devastador, exigindo uma verdadeira jornada interna para que o paciente consiga retomar as rédeas da própria história.

“Toda doença crônica, doenças autoimunes e doenças neurodegenerativas, que são mais comuns no momento em que a gente está envelhecendo, vão gerar um impacto emocional inicial muito grande. Existe o processo de aceitar o diagnóstico, passar pelo luto que ele muitas vezes traz, da raiva, do inconformismo, do não entendimento e da falta de aceitação, até que finalmente você aprende a lidar com aquela situação”, explica Roberta.

Longe de reprimir os sentimentos negativos, a médica defende que vivenciá-los é parte essencial da cura emocional: “Eu preciso viver esses sentimentos, acolher a minha dor, a minha raiva e a minha angústia, mas também entender que depende de mim a busca pela qualidade de vida”, afirma.

Afinal, um laudo médico não pode resumir a história de ninguém: “Você tem a escolha de seguir em frente, de tratar, de não se deixar abater pelo diagnóstico e nem passar a se ver através da doença, e sim através da sua essência. Através da pessoa que está passando por um processo de doença”, complementa a profissional.

Claudia Rodrigues e Adriane Bonato - Fotos: Instagram
Claudia Rodrigues e Adriane Bonato – Fotos: Instagram

O amor como pilar do tratamento

Assim como Cláudia Rodrigues faz questão de exaltar o suporte de sua parceira, a Dra. Roberta França confirma que a rede de apoio muda as regras do jogo no enfrentamento dessas condições.

Ter um apoio emocional, um suporte afetivo e pessoas ao seu redor que mostram que você é amado e pertencente faz toda a diferença. É muito difícil passar por doenças crônicas, neurodegenerativas e autoimunes sem um suporte emocional forte“, ressalta. “Todo esse apoio emocional, seja do parceiro, dos amigos ou da família, é um dos pilares para que o processo da doença seja menos pesado, menos angustiante e menos doloroso. Isso ajuda o paciente a fazer escolhas conscientes todos os dias em busca de uma vida melhor.”

Além do afeto indispensável, a busca constante por bem-estar passa por escolhas e hábitos diários que devolvem o protagonismo ao paciente: “Hoje, podemos utilizar atividade física regular, melhora dos hábitos de vida, alimentação saudável, sono preservado, mindfulness e meditação para enfrentar o desgaste emocional e as dificuldades físicas e cognitivas dessas doenças”, conclui a médica, apontando caminhos possíveis e cheios de esperança.

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Dra. Roberta França é médica geriatra e psiquiatra (CRM: 52744859), com 22 anos de formação pela Universidade Gama Filho. É pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá e em Psiquiatria. Membro da Comissão de Direito da Pessoa Idosa (OAB/RJ), integra também a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) e palestrante em temas voltados à medicina geriátrica e psiquiátrica, é idealizadora do projeto social Cantinho da Geriatria, que impacta mais de 250 mil pessoas com conteúdo diário para a terceira idade nas redes sociais. Coautora do livro Estratégia de Vencedores, foi condecorada com a Medalha Pedro Ernesto e homenageada com Moção Honrosa pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos relevantes serviços prestados aos idosos. Em 2023, foi reconhecida como Medicina Destaque pela mesma instituição.