Clara Maia defende infância livre e natural; médica explica benefícios

Os filhos de Clara Maia brincam na areia, andam descalços, tomam chuva e exploram o mundo com autonomia

Clara Maia e o marido André Coelho com os filhos José e João - Instagram

Nas redes sociais, Clara Maia causou repercussão ao falar sobre sua forma de educar os filhos: ela defende uma infância livre, sem excesso de regras, permitindo que as crianças brinquem na areia, andem descalças, tomem chuva, toquem a terra e explorem o mundo com naturalidade.

 A declaração reacende uma questão antiga entre pais, educadores e especialistas: como equilibrar liberdade e segurança nas brincadeiras das crianças, especialmente quando o ambiente é externo ou envolve contato com a natureza.

Para entender os benefícios desse estilo de criação e quais cuidados deveriam acompanhá-lo, a Casa do Brasil conversou com a pediatra Maria de Fátima Mota.

Liberdade na infância

Para a pediatra, liberdade na infância não significa ausência de cuidado, mas sim oportunizar experiências adequadas a cada fase de desenvolvimento. Ela afirma que dar à criança a chance de entrar em contato com grama, areia, água, chuva leve, animais ou outros elementos naturais pode trazer inúmeros ganhos físicos, emocionais e sensoriais.

“A liberdade na infância deve ser oferecida de forma gradual. Cada idade permite um tipo de experiência e de contato com o ambiente. Liberdade não é ausência de cuidado: é proporcionar vivências adequadas e seguras para cada fase.”, afirma Maria de Fátima Mota.

Segundo ela, esse tipo de vivência estimula coordenação motora, equilíbrio, sensações distintas, curiosidade e autonomia — uma visão que conversa diretamente com a defesa de Clara Maia sobre permitir que os filhos vivam a infância em contato real com o mundo.

Benefícios físicos, mentais e emocionais

Diversos estudos apontam que o contato com espaços naturais contribui de forma ampla para o desenvolvimento infantil. Entre os benefícios estão melhora da coordenação motora, estímulo da criatividade, fortalecimento sensorial, bem-estar emocional e até melhora do sono.

A pediatra explica que o nível de liberdade deve acompanhar a idade:

  • Bebês de cerca de 6 meses: podem sentir a areia da praia, tocar a grama ou molhar os pés na água, sempre sob supervisão. 
  • Crianças maiores: podem caminhar descalças em superfícies variadas, tocar plantas, interagir com animais e explorar mais livremente, desde que o ambiente seja seguro. 

“Quando a criança tem contato com a natureza — grama, areia, água, chuva leve, animais — ela recebe estímulos que fortalecem o desenvolvimento motor, sensorial, emocional e ainda reduzem o estresse. Crianças que exploram o ambiente ganham autonomia, criatividade e confiança.”, diz a pediatra.

Andar descalço, por exemplo, ativa a propriocepção, fortalece a musculatura dos pés e melhora o equilíbrio — quase como uma “aula natural” de desenvolvimento.

Além disso, o contato frequente com o ambiente natural pode favorecer a imunidade, reduzir ansiedade e prevenir sedentarismo, problema comum na infância atual.

Como oferecer liberdade com segurança

Brincar ao ar livre não significa abrir mão de supervisão. De acordo com Maria de Fátima, a liberdade precisa ser gradual e acompanhada, considerando a fase de desenvolvimento da criança. Entre os principais cuidados:

  • Garantir que o ambiente seja seguro, sem objetos cortantes, resíduos perigosos ou itens pequenos; 
  • Adaptar a exploração ao desenvolvimento infantil; 
  • Estar presente durante as brincadeiras, especialmente em contato com água ou animais; 
  • Ensinar limites de maneira progressiva. 

“Cada faixa etária exige supervisão diferente.”, alerta a pediatra.

Ela reforça que o ambiente deve ser preparado, mas sem transformar liberdade em proibição. Quanto mais o espaço é seguro, menos os adultos precisam dizer “não”.

Lesões e imprevistos: como agir diante de acidentes leves

A pediatra explica que acidentes leves são parte da infância, e não motivo para impedir que a criança explore o ambiente. Ela orienta como agir:

  • Cortes pequenos: lavar com água e sabão, remover sujeiras e cobrir com curativo limpo; 
  • Arranhões ou ralados: limpar, manter seco e observar sinais de inflamação; 
  • Picadas leves de insetos: lavar, aplicar compressa fria e observar alergias; 
  • Batidas sem gravidade: compressa fria e monitoramento; 
  • Quando buscar ajuda médica: sangramento intenso, dor forte, febre, sinais de infecção, queda com alteração de comportamento, vômitos ou dificuldade para andar.

“A exploração segura não elimina riscos, mas ensina a criança a conhecer o próprio corpo, os limites, o ambiente e a desenvolver resiliência.”, afirma Maria de Fátima.

ACOMPANHE O INSTAGRAM DA CARAS BRASIL E FIQUE POR DENTRO DE TUDO O QUE ACONTECE NO MUNDO DOS FAMOSOS:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)

Dra. Maria de Fátima Alves Soares Mota é médica pediatra (CRM56127 e RQE 35354), titulada especialista em Pediatria, formada pela Faculdade de Taubaté. Possui pós-graduação pela Universidade São Camilo e residência médica pela Santa Casa de Santos, com especializações em Cuidados Paliativos, Neonatologia e Terapia Intensiva Pediátrica. Atua como Coordenadora do Hospital Saint Patrick e responsável técnica (RT) da Unidade Kids da Rede Altana, Clínica de Retaguarda especializada em cuidados paliativos e reabilitação infantil. Proprietária da Clínica Jardim das Estrelas, onde promove um atendimento humanizado e integrado, voltado à saúde e ao bem-estar das crianças e suas famílias. @_clinicajardimdasestrelas