Após caso de Galvão Bueno, médico alerta sobre rotina pesada para idosos: ‘Sistema imunológico enfraquecido’

Dr. Ricardo Ratti explica por que quadros como o de Galvão Bueno exigem atenção redobrada

Galvão Bueno: Foto; Reprodução Band

Nos últimos dias, Galvão Bueno apareceu sorridente ao deixar o hospital após ser diagnosticado com pneumonia viral e comemorou a melhora ao lado da família. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o narrador demonstrou entusiasmo com os próximos compromissos esportivos. “Estou firme, inteiro. Estou com vocês, vocês estão comigo… Vamos estar juntos, tem muito trabalho até o fim do ano e com muita saúde graças a Deus”, afirmou.

Para entender por que casos como o do comunicador podem evoluir silenciosamente em pessoas mais velhas, mesmo quando parecem estáveis, a CARAS Brasil ouviu o médico-geral Dr. Ricardo Ratti, que explica riscos, sinais de alerta e cuidados necessários para prevenir complicações respiratórias.

Por que a pneumonia é mais perigosa em pessoas mais velhas?

De acordo com o Dr. Ricardo Ratti, a pneumonia viral silenciosa costuma ser especialmente arriscada em idosos porque o organismo já não responde às infecções da mesma forma. Segundo ele, fatores como imunidade enfraquecida, presença de doenças crônicas e resposta inflamatória reduzida tornam o quadro mais difícil de identificar e tratar.

O especialista reforça que, em muitos casos, os sintomas clássicos — febre, tosse e falta de ar — podem nem aparecer. “Os idosos podem apresentar sintomas atípicos como confusão mental, perda de apetite e fraqueza generalizada”, explica. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial.

Rotina intensa pode agravar ou desencadear pneumonia?

O médico destaca que agendas muito cheias, noites mal dormidas e altos níveis de estresse podem aumentar significativamente o risco de infecções respiratórias. Conforme explica, a falta de descanso enfraquece o sistema imune, reduz a produção de anticorpos e facilita a entrada de vírus e bactérias.

Segundo o especialista, essa combinação é perigosa: “A rotina estressante pode levar a menos cuidado com a higiene e maior exposição a patógenos”. Para pessoas que trabalham sob grande pressão — como é o caso de Galvão em grandes coberturas esportivas — priorizar o sono, manter uma rotina equilibrada e gerenciar o estresse são medidas fundamentais.

Como diagnosticar pneumonia “silenciosa” sem sintomas óbvios

O diagnóstico costuma ser desafiador, e por isso requer uma abordagem mais completa. De acordo com o Dr. Ratti, exames de imagem como radiografia de tórax e tomografia, além de hemograma, PCR e testes de função pulmonar, permitem identificar alterações mesmo antes dos sintomas clássicos.

Ele reforça que protocolos como o CURB-65, que avalia fatores como confusão mental, pressão arterial, respiração e idade, ajudam a classificar a gravidade do quadro e definir o melhor tratamento.

Prevenção

Para pessoas com agendas intensas, uma rotina preventiva é indispensável. Segundo o especialista, medidas simples já fazem diferença:

  • Higiene constante das mãos

  • Evitar contato com pessoas gripadas

  • Vacinação em dia

  • Noites de sono completas

  • Hidratação adequada

  • Alimentação equilibrada

  • Pausas ao longo do dia para descanso

“Gerenciar o estresse e manter o estilo de vida saudável é fundamental para reduzir o risco de pneumonia atípica”, afirma.

O papel da fisioterapia respiratória na recuperação de idosos com pneumonia

No caso de pessoas mais velhas, o cuidado multidisciplinar é essencial. Conforme explica o Dr. Ratti, a fisioterapia respiratória ajuda a melhorar a função pulmonar, reduzir secreções, prevenir complicações e acelerar o retorno às atividades.

“A fisioterapia deve começar logo após o diagnóstico e continuar durante toda a internação e pós-internação”, destaca o médico. Ele reforça que o recurso diminui o risco de piora clínica e encurta o tempo de hospitalização.

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Dr. Ricardo Ratti é médico (CRM 104747 SP) formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS) e especialista em Cirurgia Geral e do Trauma (RQE 22701) pelo Hosp Fernando Mauro Pires da Rocha (Hosp Municipal do Campo Limpo SP). Ainda, pós graduado em Coloproctologia pelo Hosp Francisco Morato de Oliveira (Hosp do Servidor Público Estadual SP). Possui MBA em Gestão de Serviços de Saúde, MBA de Auditoria Médica e Pós Graduação em Administração Hospitalar (Uninove SP); MBA Gestão Empresarial pela FGV, MBA em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente pela Faculdade Verbo Educacional SP e Pós Graduação em Perícia Médica e Medicina do Trabalho pela Unitau SP. Consultor de Qualidade e Acreditação na ONA, Membro Conselheiro da Saúde pela Board Academy, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Membro do Conselho Brasileiro de Executivos da Saúde. Atualmente é Diretor Técnico Nacional Corporativo da OSS InSaude e Diretor Técnico do Complexo Hospitalar Saint Patrick.