Angelina Jolie abriu caminho para uma geração de mulheres que enfrentam medo de cicatriz, aponta médico

Especialista explica como cicatrizes podem ser tratadas e lembra a importância da informação após caso de Angelina Jolie

Angelina Jolie - Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images

A decisão de Angelina Jolie de revelar publicamente sua mastectomia preventiva, em 2013, transformou a forma como o mundo enxerga o câncer de mama. A atriz, que carregava mutações hereditárias do gene BRCA1, optou pela retirada das mamas para reduzir drasticamente o risco de desenvolver a doença e, desde então, tornou-se um marco global de conscientização.

Hoje, com técnicas mais avançadas e maior abertura para falar sobre o assunto, outras celebridades têm compartilhado suas trajetórias envolvendo diagnóstico, cirurgias e reconstruções mamárias. Casos recentes — como o de Anitta, que revelou ter nódulos e necessidade de vigilância constante, e o de Olivia Newton-John, que enfrentou múltiplas recidivas da doença — reforçam a urgência de discutir prevenção, autoestima e cicatrização.

Para entender como a medicina evoluiu e como as pacientes podem lidar emocionalmente e esteticamente com as marcas da cirurgia, conversamos com o oncologista Dr. Ramon Andrade.

As técnicas modernas que reduzem e tratam cicatrizes após a mastectomia

Dr. Ramon explica que as opções atuais são muito mais avançadas e permitem resultados estéticos e funcionais superiores. Segundo ele, “após a mastectomia, existem técnicas de reconstrução que hoje em dia são muito mais evoluídas, como a reconstrução com retalhos, a lipoenxertia e outras abordagens cirúrgicas que preservam a pele também são bem importantes”, destaca o oncologista.

Ele acrescenta que os recursos para melhorar a aparência das cicatrizes também evoluíram muito. “Técnicas para minimizar cicatrizes após a reconstrução incluem laser, microagulhamento, cremes e géis de silicone e também a tatuagem médica. É uma situação delicada, mas que melhora muito a qualidade de vida das pacientes”, completou.

O caminho seguido por Angelina Jolie, que chegou a mostrar as marcas da cirurgia em fotos e exposições públicas, ajudou a normalizar o tema e mostrar que há alternativas estéticas e reconstrutivas reais.

O medo das cicatrizes ainda faz mulheres evitarem diagnóstico e cirurgia

Mesmo com avanços, o medo das cicatrizes ainda afasta muitas mulheres de exames e procedimentos. Dr. Ramon reforça que acolher esse medo é parte importante do processo terapêutico. “A primeira abordagem do profissional é reconhecer o medo e explicar claramente as possibilidades modernas para minimizar as marcas da cicatriz”, diz.

Segundo ele, educação é o ponto central. “É basicamente a questão da educação e da exposição das técnicas, como cremes, proteção solar, curativos, que podem melhorar a cicatriz”, afirma o médico.

Celebridades que falaram publicamente sobre suas cicatrizes — como a cantora Anitta, que recentemente comentou exames e procedimentos preventivos — ajudam a reduzir o tabu e a incentivar que outras mulheres procurem ajuda.

Reconstrução e autoestima: por que o acompanhamento multidisciplinar é essencial

Dr. Ramon reforça que a jornada após a mastectomia não é apenas física, mas também emocional, o que exige suporte conjunto. “O papel da equipe multidisciplinar — oncologia, cirurgia plástica e dermatologia — é fundamental, porque cada um foca em uma área, sempre centrando no bem-estar e na qualidade de vida do paciente”, explica.

Ele lembra que a cirurgia e os tratamentos oncológicos são agressivos e podem trazer efeitos colaterais intensos. “É importante entender que há uma equipe capaz de mitigar esse sofrimento”, finaliza.

O exemplo de Olivia Newton-John, que conviveu com o câncer por mais de 30 anos, e a maneira transparente como ela discutia autoestima, reconstrução e cuidados paliativos reforçam a importância dessa rede de suporte.

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Dr. Ramon Andrade de Mello (CRM-SP: 181245 RQE: 67356) Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello