Angelina Jolie abriu caminho para uma geração de mulheres que enfrentam medo de cicatriz, aponta médico
Especialista explica como cicatrizes podem ser tratadas e lembra a importância da informação após caso de Angelina Jolie

A decisão de Angelina Jolie de revelar publicamente sua mastectomia preventiva, em 2013, transformou a forma como o mundo enxerga o câncer de mama. A atriz, que carregava mutações hereditárias do gene BRCA1, optou pela retirada das mamas para reduzir drasticamente o risco de desenvolver a doença e, desde então, tornou-se um marco global de conscientização.
Hoje, com técnicas mais avançadas e maior abertura para falar sobre o assunto, outras celebridades têm compartilhado suas trajetórias envolvendo diagnóstico, cirurgias e reconstruções mamárias. Casos recentes — como o de Anitta, que revelou ter nódulos e necessidade de vigilância constante, e o de Olivia Newton-John, que enfrentou múltiplas recidivas da doença — reforçam a urgência de discutir prevenção, autoestima e cicatrização.
Para entender como a medicina evoluiu e como as pacientes podem lidar emocionalmente e esteticamente com as marcas da cirurgia, conversamos com o oncologista Dr. Ramon Andrade.
As técnicas modernas que reduzem e tratam cicatrizes após a mastectomia
Dr. Ramon explica que as opções atuais são muito mais avançadas e permitem resultados estéticos e funcionais superiores. Segundo ele, “após a mastectomia, existem técnicas de reconstrução que hoje em dia são muito mais evoluídas, como a reconstrução com retalhos, a lipoenxertia e outras abordagens cirúrgicas que preservam a pele também são bem importantes”, destaca o oncologista.
Ele acrescenta que os recursos para melhorar a aparência das cicatrizes também evoluíram muito. “Técnicas para minimizar cicatrizes após a reconstrução incluem laser, microagulhamento, cremes e géis de silicone e também a tatuagem médica. É uma situação delicada, mas que melhora muito a qualidade de vida das pacientes”, completou.
O caminho seguido por Angelina Jolie, que chegou a mostrar as marcas da cirurgia em fotos e exposições públicas, ajudou a normalizar o tema e mostrar que há alternativas estéticas e reconstrutivas reais.
O medo das cicatrizes ainda faz mulheres evitarem diagnóstico e cirurgia
Mesmo com avanços, o medo das cicatrizes ainda afasta muitas mulheres de exames e procedimentos. Dr. Ramon reforça que acolher esse medo é parte importante do processo terapêutico. “A primeira abordagem do profissional é reconhecer o medo e explicar claramente as possibilidades modernas para minimizar as marcas da cicatriz”, diz.
Segundo ele, educação é o ponto central. “É basicamente a questão da educação e da exposição das técnicas, como cremes, proteção solar, curativos, que podem melhorar a cicatriz”, afirma o médico.
Celebridades que falaram publicamente sobre suas cicatrizes — como a cantora Anitta, que recentemente comentou exames e procedimentos preventivos — ajudam a reduzir o tabu e a incentivar que outras mulheres procurem ajuda.
Reconstrução e autoestima: por que o acompanhamento multidisciplinar é essencial
Dr. Ramon reforça que a jornada após a mastectomia não é apenas física, mas também emocional, o que exige suporte conjunto. “O papel da equipe multidisciplinar — oncologia, cirurgia plástica e dermatologia — é fundamental, porque cada um foca em uma área, sempre centrando no bem-estar e na qualidade de vida do paciente”, explica.
Ele lembra que a cirurgia e os tratamentos oncológicos são agressivos e podem trazer efeitos colaterais intensos. “É importante entender que há uma equipe capaz de mitigar esse sofrimento”, finaliza.
O exemplo de Olivia Newton-John, que conviveu com o câncer por mais de 30 anos, e a maneira transparente como ela discutia autoestima, reconstrução e cuidados paliativos reforçam a importância dessa rede de suporte.
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