Além de Lucas Lucco, outros famosos se afastaram da carreira por depressão e ansiedade
Ao anunciar uma pausa na carreira para tratar crises de ansiedade e depressão em 2023, Lucas Lucco reacendeu o debate sobre saúde mental

A decisão de Lucas Lucco de se afastar temporariamente da carreira para tratar quadros de ansiedade e depressão reacendeu o debate sobre saúde mental no meio artístico. O cantor sertanejo já relatou publicamente crises intensas, dificuldades para subir ao palco e a necessidade de priorizar o tratamento para recuperar o equilíbrio emocional.
Ele não está sozinho. Ao longo dos últimos anos, diversos artistas nacionais e internacionais também optaram por pausar a carreira ao perceber que o sofrimento psíquico começava a comprometer não apenas o trabalho, mas a própria qualidade de vida.
Segundo o psiquiatra Dr. João Borzino, essa escolha não representa fragilidade, mas consciência. “A saúde mental está profundamente conectada à capacidade criativa, empática e expressiva, que são pilares da atuação artística”, explicou o médico.
Medicamentos psiquiátricos afetam a criatividade e o desempenho artístico?
Um dos exemplos mais emblemáticos é Lady Gaga, que revelou ter enfrentado um colapso emocional durante e após as gravações do filme Nasce Uma Estrela. A artista já contou que precisou recorrer a tratamento psiquiátrico e ao uso de medicação para lidar com sofrimento emocional intenso, agravado pela pressão profissional e pela exposição pública.
Outro caso conhecido é o de Selena Gomez, que interrompeu turnês mundiais para tratar quadros de ansiedade e depressão, além de questões relacionadas à saúde emocional. A cantora sempre reforçou que o afastamento foi fundamental para retomar o equilíbrio e continuar a carreira de forma mais saudável.
No Brasil, Whindersson Nunes também se afastou temporariamente dos palcos após falar abertamente sobre crises depressivas e a necessidade de acompanhamento profissional. O humorista afirmou que, naquele momento, o cuidado com a mente era mais urgente do que qualquer compromisso profissional.
Para o Dr. João Borzino, existe um mito perigoso de que a arte depende do sofrimento desregulado. “Medicamentos psiquiátricos não existem para anular emoções, mas para promover estabilidade emocional em cérebros que vivem estados extremos de sofrimento. No caso de artistas sob forte pressão criativa, essa regulação pode ser libertadora”, disse.
O psiquiatra reforça que o acompanhamento adequado faz toda a diferença. “É claro que alguns medicamentos podem afetar energia, sono ou concentração em fases iniciais, mas isso é ajustável. A verdadeira expressão artística floresce quando a mente está integrada”, concluiu.
Trabalhar durante o tratamento é possível?
Além de Lady Gaga, outros artistas já falaram sobre conciliar tratamento psiquiátrico e carreira. Selena Gomez, por exemplo, revelou pausas em turnês e projetos para cuidar da saúde mental, assim como Shawn Mendes, que interrompeu uma turnê mundial ao perceber que a ansiedade estava fora de controle.
Segundo o especialista, continuar trabalhando é possível — desde que com limites. “Muitos artistas conseguem encontrar um novo equilíbrio justamente durante o tratamento, mas é essencial respeitar os sinais do corpo e da mente”, afirmou Dr. Borzino.
Ele destaca ainda a importância do ambiente profissional. “Uma rede de apoio com diretores sensíveis, colegas empáticos e rotinas mais humanas faz toda a diferença. Integrar saúde mental e vida profissional não só é possível, como desejável”, pontuou.
Quando os efeitos colaterais interferem na rotina de gravações
Em produções intensas, como filmes, turnês ou novelas, alguns efeitos colaterais podem surgir. “Sonolência, alterações no apetite, leve embotamento emocional ou dificuldade de concentração podem acontecer, especialmente no início”, explicou o psiquiatra.
Ainda assim, ele reforça que esses efeitos não são definitivos. “Na maioria das vezes, são temporários ou ajustáveis com mudanças de dose ou medicação. O acompanhamento psiquiátrico é um processo de escuta e adaptação à vida real do paciente”, destacou.
Exposição pública e o impacto no combate ao estigma
Ao falar abertamente sobre saúde mental, artistas como Lucas Lucco e Lady Gaga acabam exercendo um papel social importante. Para o Dr. João Borzino, essa exposição pode ser transformadora. “Quando figuras públicas compartilham suas experiências, humanizam o tema e ajudam a desconstruir a ideia de que buscar ajuda é fraqueza”, disse.
O médico pondera, no entanto, que é preciso cuidado. “A saúde mental não pode virar espetáculo. O ideal é que essas falas promovam informação, acolhimento e responsabilidade”, concluiu.
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