Além de Edu Guedes, outros famos já enfrentaram uma das doenças mais silenciosas da oncologia, aponta especialista

Casos de Marcelo Rezende, Edu Guedes, Steve Jobs, Patrick Swayze e Aretha Franklin ajudam a entender a doença

Edu Guedes - Instagram

O chef de cozinha e apresentador Edu Guedes, de 51 anos, foi diagnosticado com câncer de pâncreas no início de julho de 2025, após procurar atendimento médico por causa de uma infecção urinária e uma crise renal que levaram à realização de exames detalhados em São Paulo, quando um nódulo de cerca de 2 cm foi identificado no pâncreas.

No sábado, 5 de julho, ele foi submetido a uma cirurgia complexa de emergência no Hospital Israelita Albert Einstein, que durou cerca de seis horas e envolveu a retirada do tumor, parte do pâncreas, o baço e gânglios próximos, em um procedimento delicado comandado por especialistas.

Dias depois, Edu passou por um total de quatro cirurgias em cerca de 15 dias, e recebeu alta no dia 12 de julho, tendo surpreendido médicos e familiares com uma recuperação mais rápida do que o esperado.

A situação do chef reacendeu o debate sobre o câncer de pâncreas, especialmente por se tratar de uma doença que, na maioria das vezes, é diagnosticada tardiamente e pode evoluir de forma silenciosa, cenário que reforça a importância da informação, do rastreamento de fatores de risco e da atenção aos sinais do corpo.

Casos famosos que marcaram a luta contra o câncer de pâncreas

No Brasil, um dos casos mais conhecidos foi o do jornalista Marcelo Rezende, que revelou o diagnóstico em 2017. À época, ele explicou que a doença já estava avançada, o que limitava as opções terapêuticas. O comunicador morreu poucos meses depois, aos 65 anos, evidenciando a agressividade do tumor.

Outro caso emblemático foi o do ex-vice-presidente José Alencar, que enfrentou por anos complicações relacionadas a tumores na região abdominal, incluindo o pâncreas, passando por múltiplas cirurgias e tratamentos.

No cenário internacional, o exemplo mais citado é o de Steve Jobs, fundador da Apple. Diagnosticado com um tipo raro de câncer pancreático neuroendócrino, ele conviveu com a doença por quase uma década antes de morrer, em 2011. O caso chamou atenção para a diversidade de subtipos do câncer de pâncreas e para como alguns evoluem de forma mais lenta.

O ator Patrick Swayze, astro de Ghost e Dirty Dancing, também tornou pública sua batalha contra a doença. Ele recebeu o diagnóstico em 2008 e morreu no ano seguinte, após um tratamento intenso. Já a cantora Aretha Franklin, conhecida como a Rainha do Soul, morreu em 2018 em decorrência de complicações do câncer de pâncreas, aos 76 anos.

Esses relatos ajudam a desmistificar a ideia de que a doença atinge apenas pessoas anônimas e reforçam que nem fama, nem acesso a bons médicos eliminam os riscos, especialmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.

Câncer de pâncreas atinge mais homens do que mulheres?

Segundo o oncologista Dr. Ramon Andrade, existe sim uma diferença de incidência entre os sexos. “O câncer de pâncreas é mais comum em homens do que em mulheres…. o que pode estar relacionado, em parte, à maior incidência histórica do tabagismo entre homens”, explicou o especialista.

Ainda assim, ele ressalta que o número de casos entre mulheres tem crescido nos últimos anos, especialmente em faixas etárias mais jovens, o que preocupa a comunidade médica.

Faixa etária mais comum e aumento de casos em jovens

De acordo com o médico, o câncer de pâncreas é mais frequentemente diagnosticado entre 55 e 60 anos. “Esse é o pico de incidência etária da doença”, afirmou.

No entanto, Dr. Ramon Andrade alertou que há uma tendência de aumento de casos em pessoas mais jovens, especialmente mulheres, muitas vezes associada a fatores como obesidade, diabetes tipo 2 e sedentarismo, o que exige atenção redobrada da população.

Fatores de risco: genética e estilo de vida pesam no diagnóstico

O especialista explicou que o câncer de pâncreas está fortemente ligado ao estilo de vida. “Tabagismo, obesidade, diabetes, dieta rica em gordura, consumo excessivo de álcool e sedentarismo são fatores de risco importantes”, destacou.

Além disso, há fatores genéticos relevantes. “Pessoas com mutações como BRCA1, BRCA2 ou síndrome de Lynch apresentam maior suscetibilidade ao câncer de pâncreas”, disse o oncologista, ressaltando também a exposição ocupacional a agrotóxicos e solventes como um fator adicional de risco.

Por que o diagnóstico costuma ser tardio?

Um dos maiores desafios da doença é o diagnóstico precoce. “O câncer de pâncreas é silencioso, os sintomas iniciais são vagos e muitas vezes confundidos com problemas digestivos comuns”, explicou Dr. Ramon Andrade.

Segundo ele, ainda há barreiras importantes como desinformação, medo, estigma, dificuldades de acesso a exames e filas no sistema de saúde. Quando surgem sinais mais claros, como dor abdominal persistente, icterícia ou perda de peso inexplicada, a doença muitas vezes já está avançada.

Exames de imagem, marcadores tumorais como o CA 19-9 e técnicas mais modernas, como biópsias líquidas, podem auxiliar tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento da doença, conforme ressaltou o especialista.

A importância da conscientização

Casos como os de Edu Guedes, Marcelo Rezende, Steve Jobs e Patrick Swayze reforçam a necessidade de falar abertamente sobre o câncer de pâncreas. A visibilidade dada por figuras públicas ajuda a informar a população e a incentivar a busca por avaliação médica diante de sintomas persistentes.

Para o Dr. Ramon Andrade, “a principal estratégia ainda é a prevenção e a redução de fatores de risco, associadas à atenção aos sinais do corpo”, concluiu.

ACOMPANHE O INSTAGRAM DA CARAS BRASIL E FIQUE POR DENTRO DE TUDO O QUE ACONTECE NO MUNDO DOS FAMOSOS:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)

Dr. Ramon Andrade de Mello (CRM-SP: 181245 RQE: 67356) Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello