O acidente de helicóptero que matou o cantor Rick e outras quatro pessoas em Santa Catarina deixou alguns detalhes que chamaram a atenção das equipes que chegaram ao local da queda. Entre os destroços da aeronave, foram encontradas garrafas de vinho sem sinais aparentes de quebra. Além disso, um ruído semelhante a um bip teria sido ouvido em intervalos regulares.

As informações foram reveladas pelo vereador de Bom Jardim da Serra, Gilmar Nunes, ao SCC SBT. Ele esteve na região pouco depois da localização do helicóptero, acompanhado por profissionais do Corpo de Bombeiros e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Segundo o vereador, algumas das garrafas estavam dentro de uma caixa, enquanto outras foram encontradas próximas aos destroços. O fato de os objetos terem permanecido intactos chamou sua atenção diante da dimensão do acidente.

“Essa parte chamou atenção, porque o impacto teria que ter quebrado as garrafas de vinho”, afirmou Gilmar.

Em outro momento da entrevista, ele explicou que encontrou duas garrafas dentro de uma caixa e outras duas do lado de fora. Para o vereador, a condição dos objetos levantou a possibilidade de que a aeronave tenha perdido altitude de maneira diferente de uma queda em alta velocidade.

“Elas estavam intactas, não quebraram. Então, isso chamou bastante atenção. Eu penso que [a aeronave] pode ter vindo se debatendo, que não estaria em uma velocidade tão alta para se destruir ou explodir. Se não estou enganado, havia duas garrafas em uma caixa e duas fora, todas intactas”, relatou.

Ruído nos destroços

Outro detalhe percebido durante os primeiros trabalhos no local foi um som emitido pelo helicóptero. De acordo com Gilmar, um bip era ouvido aproximadamente a cada cinco ou dez minutos.

Ainda conforme o relato do vereador, pessoas que estavam na área chegaram a cogitar que o sinal pudesse estar relacionado a algum equipamento de localização da aeronave.

“O que me chamou a atenção é que a gente escutava um bip na aeronave. Daí, alguém comentou que aquilo seria para enviar um sinal, que não aconteceu. Que era para enviar um sinal para os radares ou via satélite, algo do tipo, e não aconteceu. Mas, a cada cinco ou dez minutos, ouvíamos um bip”, contou.

Especialista comenta trajetória do helicóptero

A dinâmica da queda também foi analisada pelo comandante Hamilton, que comentou imagens divulgadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Em uma publicação nas redes sociais, o piloto destacou que a aeronave não teria atingido o solo diretamente na vertical.

“As fotos [do CENIPA] mostram que o helicóptero fez uma trajetória até colidir. Ele não caiu na vertical, foi cortando árvores. É uma informação muito importante. Outro detalhe é que tinha muito combustível. Se tinha muito combustível, por que não pegou fogo? Será que os motores vieram funcionando? Havia ignição? Ou seja, muitas dúvidas”, declarou.

Hamilton também comentou a existência de um equipamento de gravação de dados associado ao Bell 430, de prefixo PP-MGR. O material foi encaminhado ao Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo, em Brasília.

Segundo o comandante, a utilização de um dispositivo desse tipo não seria comum em helicópteros da categoria do Bell 430.

“Não é comum para um helicóptero desse porte. Isso é exigido para helicópteros maiores, por exemplo, que levam trabalhadores a plataformas de petróleo”, explicou.

Como o helicóptero foi encontrado

Os destroços foram localizados na tarde de terça-feira (22/9), em uma área de mata fechada em Santa Bárbara, em Santa Catarina. Até que o ponto exato fosse identificado, aeronaves da FAB participaram das buscas durante aproximadamente 13 horas.

O acesso ao local também foi considerado difícil. O Arcanjo 03, do Corpo de Bombeiros, pousou em uma região de planície e, depois, os profissionais precisaram seguir por cerca de 20 minutos pela vegetação até chegar aos destroços.

Rick, cujo nome de batismo era Geraldo Antônio de Carvalho, estava acompanhado do empresário Bruno Avelar, do videomaker Paulo Soares, do piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e do copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu.

As circunstâncias do acidente começaram a ser investigadas pelas autoridades. Na quarta-feira (23/9), a Polícia Científica iniciou os trabalhos de perícia no local da queda. Entre os pontos que deverão ser analisados está a possível influência da neblina sobre a visibilidade durante o voo, além da hipótese de a aeronave ter atingido algum obstáculo antes de chegar às árvores.

Acidente

Rick estava em um helicóptero que desapareceu na tarde de segunda-feira, 21, na Serra Catarinense. A aeronave foi localizada na terça-feira, 22, por volta das 12h, mas nenhum dos ocupantes sobreviveu.

Além do cantor, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, de 41 anos; o videomaker Paulo Soares; o piloto Antônio, de 72 anos; e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

Helicóptero é um Bell 430

A aeronave utilizada no voo é um Bell 430, helicóptero biturbina de médio porte fabricado pela norte-americana Bell Helicopter. O modelo foi desenvolvido para diferentes finalidades e pode ser empregado tanto no transporte executivo quanto em operações corporativas e missões aeromédicas.

Entre os recursos do Bell 430 está o rotor principal de quatro pás, construído com material composto. O helicóptero também utiliza dois motores Rolls-Royce 250, configuração que proporciona redundância de propulsão durante a operação.

O modelo possui ainda opções de configuração do trem de pouso, podendo utilizar sistema de esquis ou rodas retráteis. Por suas características de autonomia e velocidade de cruzeiro, o Bell 430 é utilizado em deslocamentos entre diferentes cidades.

Apesar das especificações do helicóptero, não há, até o momento, confirmação oficial sobre as circunstâncias que levaram à perda de contato com a aeronave. As equipes responsáveis seguem trabalhando para localizar o aparelho e esclarecer o que aconteceu.

Rick e o empresário Bruno Avelar – Foto: reprodução/montagem Instagram

Quem é Rick

Natural de Monte do Carmo, no Tocantins, Rick foi casado com Geralda Carvalho por mais de quatro décadas. O casal teve dois filhos, Victor Henrique e Mônica, e quatro netos: Maria Helena e Mateus, filhos de Mônica, além de Marina e Isabela, filhas de Victor.

Rick e Renner formavam uma dupla desde 1986 e construíram uma carreira marcada por sucessos como “Muleca”, “Fim de Semana”, “O Amor e Eu”, “Só Pensando em Você” e “Eu e Você”.

Os sertanejos estavam juntos novamente nos palcos em uma turnê que celebrava quatro décadas de parceria. Após a morte do amigo, Renner se manifestou nas redes sociais e refletiu sobre a imprevisibilidade da vida.

Cantor Rick, da dupla com Renner

Rick – Foto: reprodução/Instagram

Rick e Renner anunciam retorno da dupla: 'Estamos de volta e vamos seguir em frente' | G1

Rick e Renner – Foto: reprodução/Instagram

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