Neste sábado, 25 de julho, o Brasil celebraria o centenário de uma grande dama da atuação. A artista nasceu no Rio de Janeiro e faleceu em setembro de 2018, aos 92 anos. Portanto, ela construiu uma trajetória impecável no teatro, no cinema e na televisão. No entanto, sua imagem ficou eternizada como a inesquecível Odete Roitman. A vilã arrogante marcou a novela Vale Tudo (1988).

Beatriz Segall é o nome por trás desse ícone da cultura popular. Para além da novela da TV Globo, a atriz acumulou histórias marcantes. Além disso, manteve posicionamentos firmes e uma vida dedicada à arte dramática.

Anos de hiato para se dedicar à família

Beatriz demonstrou amor pelas artes ainda na infância. Na época, ela cursava línguas e fez sua primeira peça na Aliança Francesa. Em relato ao site Memória Globo, a atriz contou que seu pai sofreu um enfarte na época. Consequentemente, ele desaprovou sua ida ao ensaio e ela acabou adiando o início nos palcos.

Contudo, na década de 1950, a atriz tomou a decisão de se afastar do teatro. O motivo da pausa de 14 anos foi o desejo de focar na vida pessoal. De acordo com declaração dada pela atriz ao programa Provocações, da TV Cultura, em 2014, a decisão ocorreu naturalmente após o casamento com Maurício Segall:

“Queria muito me casar, ter filhos, ser mãe de família. Nunca ninguém me disse ‘Agora você não pode mais trabalhar’. Parei automaticamente.”

A artista permaneceu distante dos holofotes até 1964. Nesse ano, o diretor Zé Celso a convidou para a peça Andorra. Em entrevista ao mesmo programa Provocações, a intérprete afirmou que pretendia apenas “brincar um pouco” no palco. No entanto, a experiência foi marcante e ela não deixou mais a profissão.

Beatriz e a trajetória brilhante na TV e no teatro

Ao longo de décadas, a artista transitou pelas principais emissoras do país. Assim, trabalhou na Tupi, Record, Excelsior, Cultura, Bandeirantes e Globo. Em seu currículo, colecionou produções emblemáticas. Por exemplo, atuou em Dancin’ Days, Pai Herói, Água Viva, Barriga de Aluguel e O Clone.

Contudo, nenhuma produção alcançou a dimensão de Vale Tudo. Na trama, sua Odete Roitman paralisou o país. O impacto foi tão grande que a atriz desabafava sobre as abordagens nas ruas. Em declarações da época, ela revelou que não ia mais ao supermercado por ouvir brincadeiras repetitivas sobre a vilã durante todo o dia.

Logo após o fim do folhetim, ela estrelou a peça Lillian, em 1989. Ao jornal O Globo, a atriz explicou que não trazia características dos papéis para casa e rebateu comparações com a vilã da TV. Já sua despedida da televisão ocorreu em 2015, no episódio O Assalto, da minissérie Os Experientes. Em entrevista ao Gshow, a artista analisou o projeto:

“Não é sobre a terceira idade. Trata de pessoas mais vivas, que têm uma história a contar que você não imaginava que aconteceu com elas.”

O impacto de Vale Tudo e o sucesso do remake com Débora Bloch

O impacto cultural da trama de 1988 foi tão avassalador que a TV Globo produziu um remake da novela em 2025. Na nova versão da história, o papel da temida vilã ficou sob a responsabilidade da atriz Débora Bloch.

No entanto, a recepção do público seguiu caminhos bem diferentes entre as duas eras. Na versão original, a Odete Roitman de Beatriz Segall era abertamente odiada por seus comentários elitistas e preconceituosos. Em contrapartida, a nova Odete interpretada por Débora Bloch conquistou os telespectadores. Consequentemente, o público abraçou a atuação da atriz, criando uma forte associação entre Débora e a personagem, marcando a história recente da teledramaturgia.

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