A cantora Roberta Miranda (69) revelou um capítulo dramático e impactante de sua história pessoal ao descobrir, na vida adulta, que não era filha biológica da mulher que a criou.
A revelação veio à tona em um momento delicado, pouco antes do falecimento daquela que sempre considerou sua mãe, a senhora Maria Corrêa de Miranda.
Em entrevista ao programa Provoca, da TV Cultura, a artista relatou que o segredo foi exposto inicialmente durante um conflito familiar. “Não faz muitos anos. O irmão que jogou na minha cara. Ele disse: ‘Imagina, minha mãe não é sua mãe, sua mãe era uma prostituta’. Aí eu fiquei louca“, recordou a cantora.
Buscando processar o impacto da notícia, Roberta levou o assunto ao acompanhamento terapêutico antes de confrontar a matriarca sobre a versão contada pelo irmão.
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“Eu fui tomar coragem para falar com a minha mãe, quase perto de minha mãe morrer. Eu disse: ‘Mãe, o Marcelo está falando que a minha mãe era uma prostituta’. Não tem problema nenhum se fosse. A minha mãe disse: ‘Não, ele está enganado. A sua mãe era uma pessoa muito pobre, não conseguia dar nada para você se alimentar’“, relatou.
A confirmação definitiva dos fatos ocorreu após uma intervenção médica, na qual a história real da dinâmica familiar foi revelada ao profissional que a atendia.
“Eu disse: ‘Mãe, qual a verdade disso tudo?’. Ela falou: ‘Chama o Marcelo [irmão que trouxe a história à tona]. Eu falei: ‘Não, mãezinha, não vou chamar o Marcelo. Ele vai no meu psiquiatra, vai conversar’. Ele foi ao meu psiquiatra. E para a minha surpresa, não sou filha da minha mãe, sou filha do meu pai, sangue do meu pai. E o Marcelo, junto com o meu pai, foi na maternidade e me roubou no jornal“, disse.
O relato deixou o apresentador Marcelo Tas visivelmente perplexo, levando-o a questionar a dinâmica do episódio: “Te roubou na maternidade? Quando você nasceu?“
Chorando, Roberta explicou: “Não é que roubou, me pegou. Porque minha mãe não tinha condições. Me pegou, me embrulhou no jornal e me levou para casa. Eu digo para todo mundo: ‘Eu sou normal, porque era para eu enlouquecer’. Com tanta infelicidade que aconteceu na minha vida. E eu me tornei uma pessoa leve, uma pessoa que brinca, uma pessoa que tenta levar uma vida bonita. Porque se eu parar, acho que enlouqueço.“
Apesar das reviravoltas e da dor envolvida na descoberta das origens, a cantora enfatizou que o afeto e a gratidão pela criação recebida permaneceram inabaláveis até o fim da vida da matriarca. Roberta reforçou, acima de tudo, que o amor pela mãe continuou o mesmo.
“Porque essa mãe me deu o colinho que ela achava que era um colo para o filho. Bordou a minha roupinha, me alimentou… Certo ou errado, essa é a mãe que eu amo. Foi essa mãe que lutei para dar dignidade na velhice, já que nós temos um país que não dá dignidade ao velho, muito menos ao aposentado. Então, eu lutei para essa mãe, [que] chama-se Maria Corrêa de Miranda“, completou.
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