Rita Batista fala sobre racismo e criação do filho em guarda compartilhada: ‘Sofri muito’
Em entrevista para a CARAS, Rita Batista divide como é exercer o papel de mulher preta independente e mãe separada sem perder a força em meio à rotina intensa

De apresentadora do É de Casa para atriz na novela das seis, A Nobreza do Amor, Rita Batista é uma daquelas mulheres que serve de inspiração e exemplo para muitas outras nos dias atuais. Preta, independente e separada, ela é mãe de Martim, de oito anos, e exala empoderamento. Em entrevista exclusiva para a CARAS, ela contou como se tornou o que é hoje e como concilia seus papeis.
Carreira de Rita Batista
Formada em Publicidade, ela seguiu a carreira da comunicação e se tornou jornalista ao ser ousada e pedir um emprego. “Muita gente conhece essa história: eu já trabalhava em uma produtora e, um dia, estava ouvindo a Rádio Metrópole, em Salvador, quando mandei um e-mail para o dono da rádio dizendo que a emissora dele era boa, mas ficaria ainda melhor comigo. Ele me chamou para uma entrevista e, em poucos dias, eu já estava assumindo a bancada do jornal“, disse como tudo aconteceu.
Após anos como apresentadora, integrando o elenco do É de Casa e do Saia Justa, Rita Batista resolveu mudar os ares e mais uma vez tomou frente da situação. “Eu fui atrás dessa minha nova fase, bati na porta mesmo. Quando vi que a oportunidade estava ali, na minha frente, após participar de algumas novelas como Rita Batista, percebi que também poderia entrar nesse universo, porque dramaturgia é um mundo, né? Acho que toda essa experiência agrega talento e conhecimento. A arte e o jornalismo são formas diferentes de comunicação, o que me dá essa possibilidade de ser multiartista”, falou.


Racismo e maternidade
Mulher preta, Rita Batista, mesmo sendo conhecida e famosa, também sofre racismo. Consciente de sua história, ela comentou como sua criação a ajudou a ser forte e saber lidar com o preconceito sem deixar que isso a desmotivasse ou não acreditasse em seu potencial.
“Eu nasci em uma família de mulheres, cercada por mulheres de atitude, que tomavam a frente das decisões e resolviam tudo. Eu sou assim. Fui criada para dar certo, para me bancar, para ter sucesso e independência financeira. Eu sou a melhor coisa que pode acontecer na vida de qualquer pessoa ou corporação”, declarou.
“Nós, pessoas pretas, infelizmente passamos por racismo o tempo todo. Racismo é crime! Diariamente, recebo mensagens absurdas e trato isso com a pedagogia do constrangimento, porque foi assim que minha mãe, Joana Angélica, e minha avó, Rosinha, me ensinaram. Processo também resolve, e muito. Eu não tenho apenas um advogado; tenho um escritório que me representa”, ressaltou.
Além do racismo, a atriz revelou como lida com a educação do filho não apenas falando desse tipo de preconceito, mas de outros como o machismo. “Converso com ele sobre tudo: sobre racismo, sobre como o homem deve tratar a mulher, sobre abuso, sobre sexo… sobre violência. Comigo, a conversa é direta. Claro que o papo é mais leve, mas ele entende tudo. Assistimos ao jornal juntos, e isso é rotina. Quando estou em casa, ele sabe que precisa assistir ao jornal. Ele precisa entender o mundo em que vive e o que o espera”, disse um pouco como o educa.
Guarda compartilhada
Separada do pai de Martim desde 2022, Rita Batista tem guarda compartilhada do herdeiro. A cada 15 dias o menino fica com Marcel Suzart e a decisão de se separar, segundo a famosa, não foi nada fácil. Contudo, ela tenta lidar da melhor forma possível com a situação e dividiu como faz isso.
“A decisão nunca é fácil, mas aconteceu, foi um processo que eu e Marcel entendemos que o melhor naquele momento era trabalhar o bem-estar do nosso filho e assim seguimos. Ninguém casa pra separar, mas às vezes as incompatibilidades são mais fortes“, comentou.
Ainda sobre a criação compartilhada do filho, a atriz relembrou um momento em que ficou longe de Martim. Inclusive, a distância é apontada por ela como a maior dificuldade que tem na maternidade até hoje.
“Na pandemia, eu fui morar em São Paulo, e ele ficou com o pai em Salvador. Ele sabe que a mãe dele está trabalhando e vai voltar para casa. No início, sofri muito julgamento por estar longe. Às vezes, ainda aparece algum ousado que pergunta: “Cadê Martim?”. E, às vezes, eu respondo: “Não sei!”. Porque realmente não sei. Ele está com o pai, está bem, com saúde e recebendo todo o cuidado. Ele tem pai!“, compartilhou.
“Passei quatro anos indo e vindo entre Salvador, Rio e São Paulo. Hoje, esse ciclo apertou, e me mudei recentemente para o Rio. Fiquei muito sentida por, mais uma vez, deixá-lo. Conversei com ele, expliquei tudo, disse que não vou poder ficar muito em casa, e ele apenas me respondeu: “Mamãe, o Rio é logo ali. Vai passar!”. E é isso: vai passar. É uma fase”, relatou a conversa que teve com o pequeno.
Diante de tantos aprendizados e experiências, Rita Batista finalizou a entrevista dizendo como se tornou uma personalidade tão inspiradora e que transparece segurança para outras mulheres serem autoras de sua própria vida.
