Pedro Bial revela que biografia de Isabel do Vôlei nasceu de um pedido da família; entenda
À pedido dos filhos, a intenção da obra de Pedro Bial era eternizar a trajetória de Isabel: "Queriam que os netos soubessem quem ela foi"

Pedro Bial lançou em agosto deste ano o livro “Isabel do Vôlei da Vida”, uma homenagem à amiga e ícone do esporte brasileiro, Isabel Salgado. A biografia, escrita em formato de carta, apresenta uma narrativa pessoal e afetiva que reflete a admiração do autor pela atleta, com quem dividiu a juventude em Ipanema, no Rio de Janeiro. Isabel morreu aos 62 anos, em novembro de 2022, vítima de uma síndrome respiratória aguda.
Logo nas primeiras páginas, Pedro Bial deixa claro o tom do livro: não há neutralidade, apenas o desejo de celebrar a vida de Isabel com emoção e proximidade. “Tua morte é um escândalo”, escreve o jornalista, que conduz o texto em diálogo direto com a amiga, revisitando memórias, conquistas e valores que marcaram a trajetória da ex-jogadora.
A ideia da biografia partiu dos filhos de Isabel — Carol, Pedro e Maria Clara Salgado, atletas de vôlei de praia — que procuraram Bial para garantir que a história da mãe fosse preservada para as gerações futuras. “Eles me chamaram dizendo que queriam que os netos da Isabel pudessem saber quem ela foi. Por isso, desde o início, foi um caminho afetivo”, contou o autor.
Durante o processo de escrita, Bial enfrentava o luto pela morte de sua mãe, aos 101 anos. Ele reconhece que o momento se misturou à homenagem à amiga. “Enquanto eu falava da Isabel, também falava sobre mim, sobre a morte da minha mãe. Foi tudo muito misturado”, revelou.
Uma mulher à frente de seu tempo
Isabel Salgado foi uma das maiores referências do vôlei brasileiro. Representou o país em duas Olimpíadas, conquistou seis medalhas em campeonatos mundiais e tornou-se a primeira mulher a jogar profissionalmente no exterior. Posteriormente, migrou para o vôlei de praia, abrindo caminho para novas gerações.
Para Bial, a maternidade foi um dos pilares da vida de Isabel. Mãe de cinco filhos, ela conciliou o esporte com a família, algo incomum na época. “A Isabel nunca se disse feminista, mas foi fundamental para a emancipação da mulher. Ela não via conflito entre ser mãe e seguir sua carreira”, observa o escritor.
O livro também revela o lado social e político da atleta. Isabel foi ativista, participou de movimentos pela democracia e chegou a integrar o grupo Esporte pela Democracia. Mesmo após tantas conquistas, ela mantinha o desejo de discutir temas como o envelhecimento feminino. Planejava um projeto sobre etarismo, com encontros entre mulheres acima dos 60 anos, para refletir sobre representatividade e visibilidade.
Pedro Bial encerra o livro destacando o que mais aprendeu com a amiga: “Ser livre, para Isabel, não era fazer o que quisesse, mas entender quem era e usar essa força em prol dos outros. Isabel sempre foi uma líder.”
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