Mauro Machado, conhecido como Painitto, de 62 anos e pai da cantora Anitta, 33, chamou atenção ao deixar um recado para o apresentador Alex Escobar, 51, após o jornalista ter passado mal durante uma participação ao vivo no programa Encontro com Patrícia Poeta, no dia 22 de junho. Na ocasião, a Globo informou que Escobar sofreu um pico de pressão arterial. Ele chegou a ser levado ao hospital, realizou exames e recebeu alta em seguida.

Apesar de não terem sido identificados problemas mais sérios nos exames feitos nos Estados Unidos, o apresentador optou, por precaução, por interromper a cobertura da Copa do Mundo e retornar ao Brasil.

Em uma publicação de despedida do jornalista, Painitto aproveitou os comentários para desejar uma boa viagem de volta e também compartilhar uma experiência pessoal. Ele afirmou ter se identificado com o episódio ao lembrar de um problema de saúde que enfrentou.

Segundo ele, os sintomas de Escobar o fizeram recordar um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que teve em 2022. Na época, ele relatou ter sentido perda de controle motor parcial e dificuldade de coordenação, percebendo o problema ao notar que o braço direito batia constantemente em objetos dentro de casa. Ele contou que tomou aspirinas e procurou atendimento médico em seguida. Posteriormente, exames também identificaram um câncer no pulmão.

Panitto alerta Alex Escobar — Foto: Reprodução/Instagram

O que é o AIT?

De acordo com o Ministério da Saúde, o Ataque Isquêmico Transitório ocorre quando há uma obstrução temporária ou ruptura de uma artéria cerebral, provocando alterações neurológicas passageiras. Diferente do AVC, os sintomas do AIT desaparecem em menos de uma hora e não deixam sequelas permanentes.

Mesmo sendo considerado menos grave, o AIT é um sinal de alerta importante e exige avaliação médica imediata. O neurologista João Brainer Clares de Andrade, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante da Sociedade Brasileira de AVC, explica que o episódio não causa danos permanentes ao cérebro, já que o fluxo sanguíneo é restabelecido rapidamente.

Segundo ele, isso acontece porque o organismo possui mecanismos naturais que ajudam a dissolver coágulos antes que eles provoquem danos maiores. No entanto, quando esse sistema falha e o coágulo chega a bloquear uma artéria cerebral, pode ocorrer tanto o AIT quanto um AVC, dependendo da gravidade e duração da obstrução.

O especialista também alerta que episódios repetidos de AIT aumentam significativamente o risco de um AVC, já que ambos compartilham as mesmas causas. Ele reforça que a prevenção é fundamental, destacando que a maioria dos casos de AVC poderia ser evitada com cuidados adequados.

Sintomas

Mesmo que os sinais desapareçam rapidamente, qualquer suspeita de AIT ou AVC deve ser tratada como urgência médica. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • perda de sensibilidade em partes do corpo
  • náuseas
  • dificuldade na fala
  • problemas para se expressar
  • perda de controle urinário
  • falta de equilíbrio
  • paralisia em braços ou pernas
  • visão embaçada
  • desmaios

Prevenção

De acordo com o neurologista, hábitos saudáveis são essenciais para reduzir o risco da doença. Isso inclui a prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial e do diabetes, além de evitar o sedentarismo, o consumo excessivo de ultraprocessados e o tabagismo.

Ele também recomenda uma dieta com maior presença de vegetais e peixes, redução de carnes vermelhas e carboidratos em excesso, além de exames regulares, especialmente para monitorar possíveis alterações cardíacas, como a fibrilação atrial, que pode estar associada ao AVC.

Pessoas acima dos 50 anos devem redobrar a atenção, mas qualquer indivíduo que apresente sintomas deve buscar atendimento médico imediatamente.

No Brasil, desde 12 de abril de 2012, a Portaria nº 655 do Ministério da Saúde define diretrizes para a criação de centros especializados no atendimento de pacientes com AVC dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Esses centros devem contar com tomografia computadorizada quando necessário, equipes treinadas, protocolos clínicos definidos e leitos monitorados para casos agudos, entre outras exigências.

O médico reforça ainda que, quando o organismo não consegue eliminar os coágulos, o AIT pode evoluir para um AVC, o que pode gerar sequelas importantes, como dificuldades motoras, cognitivas, de fala, visão ou sensibilidade, dependendo da área cerebral afetada e da gravidade do quadro.

*Fonte: Ministério da Saúde.

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