Uma reviravolta impressionante movimentou o universo das celebridades e do noticiário policial. Uma aeronave pertencente ao renomado cantor e compositor Almir Sater, ao lado de outros dois aviões de grande valor, foi finalmente localizada após ter sido levada por criminosos armados em uma ação audaciosa no interior de Mato Grosso do Sul. O caso teve um desfecho significativo com a descoberta dos veículos aéreos em território internacional.
De acordo com informações do portal G1, a confirmação sobre o paradeiro dos bens ocorreu por meio do secretário de Segurança Cidadã de Santa Cruz, Jorge Santiesteban, uma autoridade oficial da Bolívia. A informação traz um alívio para os proprietários, embora todo o processo de liberação das máquinas ainda dependa de trâmites burocráticos e judiciais delicados. As aeronaves estavam sumidas desde que uma quadrilha organizada promoveu momentos de terror e rendeu funcionários no local onde os itens ficavam guardados.
A invasão ao aeroporto e a ação da quadrilha
O episódio criminoso que deu origem a toda essa saga aconteceu na madrugada do dia 6 de setembro de 2021, no aeroporto localizado no município de Aquidauana, a cerca de 140 quilômetros de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul. Conforme informações repassadas pela polícia ao portal na época, um grupo composto por pelo menos 18 homens fortemente armados e usando capuzes para esconder os rostos invadiu as instalações do local de maneira surpreendente e violenta.
Os invasores conseguiram acesso à área interna entrando pelos fundos do aeródromo. Em seguida, renderam o profissional responsável pela vigilância do local e o forçaram a abastecer completamente os tanques dos três aviões escolhidos. Uma testemunha chegou a relatar para as autoridades que ouviu o barulho dos motores no momento em que as máquinas levantavam voo, mas imaginou que fosse apenas um atendimento de emergência médica e não foi checar o que estava acontecendo. Após garantirem o combustível necessário para a fuga, os criminosos amarraram o funcionário indefeso e conseguiram decolar com todas as máquinas rumo ao espaço aéreo, desaparecendo na escuridão sem deixar pistas imediatas.
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Entre os itens roubados pela quadrilha estava o modelo registrado como PT-DST, um famoso Cessna 182 Skylane que pertencia diretamente ao sertanejo Almir Sater. Além do avião do artista de renome nacional, o grupo levou o modelo PT-ING, um Bonanza V35B de propriedade do pecuarista e ex-prefeito da cidade de Aquidauana, José Henrique Trindade. A terceira aeronave levada foi o modelo PT-KDI, outro Cessna 182 Skylane pertencente ao pecuarista Zelito Alves Ribeiro em sociedade com o empresário Joel Jacques.
Logo após a ação criminosa, o cantor Almir Sater fez questão de esclarecer ao G1 qual era a real utilidade de seu avião no dia a dia. Ao contrário do que muitas pessoas do público e fãs poderiam imaginar, o veículo não era utilizado para deslocamentos de turnês ou compromissos com apresentações musicais pelo país. A função principal da máquina era prestar apoio logístico absoluto nas atividades agropecuárias e no transporte pessoal entre as propriedades rurais que a família do artista mantém na região do Pantanal. O transporte aéreo se mostrava essencial para garantir o acesso do sertanejo e de seus trabalhadores durante as intensas épocas de cheias da região pantaneira.
A apreensão das aeronaves na Bolívia
Desde o início das investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a suspeita de que os veículos aéreos tivessem sido levados para fora das fronteiras brasileiras, tendo a Bolívia como destino principal, sempre foi a hipótese mais forte considerada pelos investigadores. Em reportagens publicadas pelo portal ao longo do processo, foi revelado que as autoridades mantinham contato direto com a Força Aérea Brasileira (FAB) para verificar os radares da fronteira e que chegaram a comparar fotografias das aeronaves apreendidas no país vizinho, aguardando autorizações para periciar os modelos.
Essa linha de apuração se confirmou quando a autoridade boliviana Jorge Santiesteban confirmou que as aeronaves estavam guardadas no Aeródromo Mondaca, localizado na cidade de Santa Cruz, na Bolívia. As matrículas identificadas no local correspondiam exatamente aos registros dos modelos levados durante a invasão ao aeroporto de Aquidauana. A assessoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul também orientou que os detalhes fossem apurados junto ao governo boliviano.
A estrutura onde as aeronaves foram localizadas encontra-se totalmente interditada e sob estrita custódia do Poder Judiciário da Bolívia desde março de 2022. Essa medida drástica foi tomada após o cumprimento de uma grande operação focada no combate ao narcotráfico internacional promovida naquela região. A ação das forças de segurança conseguiu identificar diversos hangares e múltiplos aviões que mantinham ligações diretas com atividades consideradas ilícitas pelo governo local. O complexo, também conhecido no meio comercial como La Cruceña, segue completamente impedido de realizar qualquer tipo de operação de voo civil ou comercial.
Mesmo com o anúncio oficial da localização e a identificação exata das matrículas dos aviões, a assessoria do cantor Almir Sater informou que não foi notificada de forma oficial. O processo para que peritos possam examinar a fundo as condições dos bens e autorizar a futura devolução aos seus donos legítimos no Brasil depende de negociações entre as autoridades competentes. Até o momento, a investigação sobre o caso já levou à prisão de pelo menos seis pessoas suspeitas de participação no crime, sendo um desses indivíduos localizado em território boliviano.
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