A cena cultural do Estado do Rio de Janeiro e a comunidade acadêmica despedem-se de uma de suas vozes mais plurais e inspiradoras.
O poeta, compositor e professor Marcelo Diniz Martins faleceu no último domingo (16), aos 58 anos, em decorrência de um infarto. A informação é do portal Metrópoles.
Conhecido afetuosamente como “Paredão” por amigos, alunos e parceiros de criação em Niterói, Marcelo construiu uma trajetória brilhante, na qual o rigor da pesquisa universitária e a vivência lírica e musical caminhavam lado a lado.
Nascido e criado no município de Niterói, Marcelo teve sua formação intelectual fortemente vinculada às universidades públicas do estado. Graduou-se em Português e Literaturas pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e construiu sua pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde obteve os títulos de mestre e doutor em Letras e Ciência da Literatura.
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Na UFRJ, atuava com destaque como professor adjunto da Faculdade de Letras, ministrando disciplinas fundamentais como Teoria Literária e Literatura Comparada, além de conduzir oficinas de escrita criativa que formaram novas gerações de escritores.
No campo acadêmico, o professor destacou-se por investigar caminhos originais da literatura brasileira e ocidental. Suas pesquisas focavam as relações entre a poesia, o elemento lúdico e a obscenidade, tendo como eixo central a obra do escritor paulista Glauco Mattoso (pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva).
Somando-se a isso, Marcelo ministrava cursos sobre a tradição lírica satírico-fescenina no Ocidente e coordenava oficinas literárias no Grupo de Educação e Multimídia (GEM), projeto de extensão da UFRJ.
Como autor, Marcelo Diniz Martins deixou contribuições marcadas pelo rigor formal e pela sensibilidade. Em 2019, publicou duas obras de destaque: +1, volume que reúne sonetos e poemas visuais, e Rimas, lançado no formato especial da coleção Megamini, pela editora 7Letras.
A versatilidade de Marcelo estendeu-se com igual brilho à música popular brasileira. Como letrista, teve participação relevante na discografia do cantor e compositor Fred Martins (57), com destaque para o álbum Ultramarino, lançado em 2020 pela gravadora Biscoito Fino.
O apelido “Paredão”, pelo qual era carinhosamente chamado no meio musical e estudantil de Niterói, nasceu da junção entre sua presença física marcante e carismática e a solidez estrutural de sua poesia — lapidada com excelência tanto no ambiente acadêmico quanto nas rodas cotidianas de composição.
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