Longe da TV há 6 anos, apresentadora de 71 anos revela motivo do sumiço
Longe das telinhas há 6 anos, apresentadora abre o jogo sobre bastidores perigosos e explica por que se recusa a voltar à TV

O motivo para o longo afastamento não é a falta de convites ou o peso da idade, mas uma escolha de vida muito consciente. Sem sentir falta da rotina dos estúdios, uma apresentadora assumiu que a televisão tradicional ficou definitivamente no passado. A decisão tem a ver com a busca por mais qualidade de vida e uma nova forma de falar com as pessoas no dia a dia. Em um bate-papo recente, ela explicou o que motivou essa mudança de rota: “Com sinceridade, não tenho saudade da televisão. Eu continuo me comunicando, mas hoje a tela é das redes sociais, não mais a telona”.
A declaração foi dada durante uma entrevista com a jornalista Fabi Saad, no programa Mulheres Positivas, transmitido pelo canal Record News recentemente. Na conversa de peito aberto, a veterana lembrou como era a pesada rotina de trabalho nas décadas de 1980 e 1990. Ela comandava formatos ao vivo que exigiam muita energia, lidando diariamente com situações imprevisíveis. Essa carga impedia que o público visse quem ela realmente era fora da figura séria das câmeras. “Sempre fui assim, mas não mostrava esse meu lado antes, porque não tem como expor o seu dia a dia quando se está na rotina da televisão”, desabafou a convidada.
A dona dessas falas é a mesma mulher que popularizou os programas de debates sobre comportamento na televisão, abrindo caminho para formatos muito antes de nomes como Márcia Goldschmidt ou Ratinho. Aos 71 anos, Silvia Poppovic é a voz por trás dessa reflexão. Fora da TV desde o início de 2020, quando deixou o matinal Aqui na Band, ela decidiu virar a página de vez e focar em seus próprios projetos na internet.
Bastidores tensos e casos de polícia
Para entender essa virada na carreira, é preciso lembrar do tipo de programa que a consagrou em rede nacional. As atrações que levavam seu nome na grade eram marcadas por discussões intensas, barracos entre familiares e opiniões divididas. E, por ser um programa ao vivo com plateia, o controle era muito difícil. Na entrevista à Record News, Silvia recordou os momentos mais absurdos com bom humor, mostrando que o formato cobrava um preço alto.
“Tudo acontecia na TV ao vivo. Já tive gente desmaiando do meu lado, assalto no estúdio, polícia tentando pegar bandido, gente armada na plateia“, detalhou a apresentadora. Mesmo com todos esses riscos reais, ela entende que esse nível de tensão prendia quem estava assistindo em casa. “Era muito engraçado. Tudo fazia parte do molho do programa”.

O fim da era da gritaria
Apesar do sucesso de audiência com as brigas no passado, essa fórmula não tem mais espaço na vida de Silvia. Ela entende que a polêmica era a ferramenta de trabalho da época, mas hoje seu principal objetivo é garantir o próprio sossego e ter paz na rotina.
“Se não tivesse gritaria, polêmica e debate, o programa não teria ido bem. Hoje, não estou interessada em briga, não consigo ter isso na minha vida. Acabou“, sentenciou de forma direta. A estratégia agora é medir o esforço. “Eu escolho as brigas em que quero entrar. Falo sobre temas importantes, mas só os que não têm polêmica”, afirmou.
A reinvenção nas redes sociais
Com um currículo que inclui o início de sua carreira na Globo, onde foi uma das primeiras comandantes do Globo Rural, além de passagens pelo SBT, TV Record e TV Cultura, Silvia não abandonou a comunicação. Ela apenas levou sua experiência para o meio digital. Hoje, a jornalista divide seu tempo produzindo vídeos para plataformas como Instagram e YouTube.
Nesse novo espaço, ela cria conteúdos com foco em estilo de vida, moda acessível, receitas práticas e reflexões diárias para as mulheres. Longe da pressão dos números do Ibope, a internet permitiu que ela construísse uma relação muito mais próxima, direta e real com as seguidoras que a acompanham há décadas na televisão.