As investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro ganharam um novo capítulo nos últimos dias. Isso porque o colunista do Jornal O Globo Lauro Jardim revelou que o ministro Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci, usaram um jato executivo da antiga empresa de Vorcaro para viagens. Afinal, qual foi o avião que eles usaram?

De acordo com reportagem do Jornal O Globo, o jato executivo de Vorcaro envolvido na investigação é um Legacy 650, fabricado pela Embraer e com prefixo PP-NLR.

Números impressionantes sobre o avião de luxo

O jato executivo de Vorcaro fez parte da operação da empresa Prime You, da qual o banqueiro fez parte do quadro de sócios até Setembro de 2025. O jatinho chama a atenção pelo seu tamanho e estrutura de grandes proporções.

O Legacy 650 tem capacidade para 13 passageiros e autonomia de 7.220 quilômetros. A aeronave tem 26,3 metros de comprimento, 21,2 metros de envergadura e alcance máximo de 3.900 milhas náuticas, incluindo dois motores Rolls-Royce AE 3007A2. Além disso, o avião pode voar em até 41 mil pés de altitude e velocidade de 850 km/h.
Para decolar, o jato deve ter o peso máximo de 24,3 toneladas. O volume interno do avião é de 46,7 metros cúbicos e 8,1 metros cúbicos de bagagem.

Defesa de Moraes e sua esposa

Após a revelação de que Alexandre de Moraes e Viviane Barci usaram o jato executivo de grande porte da empresa de Daniel Vorcaro, a defesa deles enviou uma nota oficial ao site G1 informando que o casal faz o aluguel de viagens em jatos executivos de várias empresas e que nunca viajaram com Vorcaro.

“O escritório Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões. Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation. O escritório Barci de Moraes reitera que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa”, informaram.

Quem é Daniel Vorcaro e por que o nome do ex-banqueiro está envolvido em uma polêmica?

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está no centro de uma série de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de fraudes no sistema financeiro. O caso ganhou novos desdobramentos em setembro de 2026 após a divulgação de informações sobre a relação do empresário com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O que aconteceu com o Banco Master?

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado em 18 de novembro de 2025. Segundo o órgão, a decisão foi motivada por uma grave crise de liquidez, pelo comprometimento da situação econômico-financeira do grupo e por violações às normas que regulam o sistema financeiro.

A partir daí, a Polícia Federal passou a investigar diferentes operações relacionadas ao banco e a Vorcaro. Entre as suspeitas estão fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e operações envolvendo recursos públicos. A PF também investiga a venda de créditos que, segundo a apuração, não teriam lastro suficiente.

Vorcaro nega ter cometido crimes. Em depoimento à PF, segundo a Folha de S.Paulo, ele afirmou que o Master era solvente e que a crise enfrentada pelo banco teria sido de liquidez. A defesa também sustentou que operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) eram técnicas e auditadas.

Por que Daniel Vorcaro foi preso?

Em março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão preventiva de Vorcaro a pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, havia risco concreto de interferência nas investigações. A apuração apontava suspeitas de um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro supostamente comandado pelo ex-banqueiro. A Segunda Turma do STF manteve a prisão preventiva por unanimidade naquele mês.

As investigações continuaram nos meses seguintes. Em maio, uma nova fase da Operação Compliance Zero levou à prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e de outros investigados. De acordo com o STF, a etapa investigava suspeitas de fraudes bilionárias e também possíveis ações de espionagem, monitoramento de pessoas e obtenção de informações sigilosas.

E o que Alexandre de Moraes tem a ver com o caso?

Essa é uma das partes mais recentes da polêmica. Um relatório da Polícia Federal, elaborado a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, reuniu mensagens que, segundo a investigação, teriam relação com Alexandre de Moraes. O material deu origem a uma petição no STF, cujo conteúdo ainda não foi analisado pelo plenário em seu mérito.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 20 de setembro de 2026, documentos e mensagens analisados pela PF indicam que Vorcaro e Moraes mantiveram contato pessoal. A reportagem também informou sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

A mesma reportagem afirma que houve registros de viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro. Moraes nega irregularidades e afirma que nunca julgou causas relacionadas ao Banco Master ou ao empresário. O escritório de Viviane Barci de Moraes declarou que prestou os serviços contratados pelo banco.

É importante destacar que a existência de uma relação pessoal ou de um contrato de prestação de serviços, por si só, não comprova crime. As circunstâncias e eventuais implicações desses fatos ainda são objeto de discussão nas instâncias responsáveis pela apuração.