Pietra havia criticado a participação do grupo sul-coreano no espetáculo do intervalo da decisão do Mundial. Em uma publicação nas redes sociais, a influenciadora classificou os integrantes como “afeminados” e afirmou sentir “vergonha alheia” ao acompanhar a apresentação. O post acabou sendo removido, mas o conteúdo repercutiu entre os fãs do BTS.
Nas redes sociais, admiradores do grupo acusaram Pietra de xenofobia e homofobia e passaram a compartilhar conteúdos sobre a influenciadora. Entre as publicações, circularam supostas informações pessoais que teriam sido obtidas e divulgadas sem autorização.
De acordo com os relatos, os dados também teriam sido utilizados para realizar ações fraudulentas em nome de Pietra. Ela teria sido cadastrada como mesária voluntária em diferentes estados para as eleições de outubro e ainda aparecido como suposta filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Em nota enviada ao Metrópoles, Pietra afirmou que a situação teria deixado de ser apenas uma reação às suas opiniões e se transformado em uma série de ataques que, segundo ela, podem configurar crimes. A influenciadora disse ainda que o caso está sendo acompanhado pela Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo.
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“Nos últimos dias, tornei-me alvo de todos os tipos de ataques coordenados por parte do que pode-se considerar uma organização criminosa após a manifestação de uma opinião sobre um tema de interesse público e cultural”, começou o texto.
Segundo Pietra, algumas pessoas que estariam envolvidas nas ações já foram identificadas e poderão responder judicialmente por diferentes crimes. Entre os delitos citados por ela estão associação criminosa, organização criminosa, fraude eletrônica, invasão de dispositivo informático, falsa identidade, falsidade ideológica, ameaça, perseguição e crimes contra a honra.
“Todas as provas estão sendo preservadas e organizadas. Cada mensagem, cada perfil, cada cadastro fraudulento, cada tentativa de roubo e cada ameaça está sendo documentada e anexada aos arquivos policiais”, escreveu.
A influenciadora também declarou que os ataques teriam adquirido um caráter que considera misógino. Segundo ela, além de ameaças e ofensas de cunho sexista, parte das manifestações teria feito referência à sua fé cristã.
“A campanha de perseguição assumiu também contornos claramente misóginos, marcada por insultos sexistas, ameaças e tentativas de intimidação direcionadas especificamente à minha condição de mulher, assim como à minha fé cristã. Esses últimos componentes acrescentam ainda outros tipos de crime à extensa lista”, pontuou.
Acusações de xenofobia e homofobia
Pietra também voltou a contestar as acusações de xenofobia e homofobia que surgiram após a repercussão de sua publicação sobre o BTS.
A influenciadora afirmou que sua crítica não foi direcionada aos sul-coreanos ou a qualquer outro grupo étnico ou nacionalidade. De acordo com ela, o comentário fazia referência apenas a uma estética que, em sua avaliação, é promovida por determinados setores da indústria do entretenimento contemporâneo.
Como argumento, Pietra citou o boxeador japonês Naoya Inoue, que já havia sido mencionado por ela como um exemplo de masculinidade. Para a influenciadora, a referência demonstraria que sua crítica não tinha relação com a origem ou nacionalidade dos artistas.
Ela também negou que o uso do termo “afeminado” tenha sido uma manifestação homofóbica. Segundo sua explicação, a palavra teria sido utilizada para descrever características relacionadas à aparência e à maneira de se expressar, sem fazer qualquer associação com a orientação sexual.
Ao concluir o comunicado, Pietra afirmou que pretende deixar o assunto sob responsabilidade das autoridades e não deve voltar a se manifestar publicamente enquanto as investigações estiverem em andamento.
“Divergências de opinião pertencem a um estado livre. Ameaças de morte, perseguição, falsidade ideológica, organização criminosa, fraude, roubo, exposição de dados pessoais e intimidação pertencem ao Código Penal”, concluiu.
Veja a nota na íntegra:
“Nos últimos dias, tornei-me alvo de todos os tipos de ataques coordenados por parte do que pode-se considerar uma organização criminosa após a manifestação de uma opinião sobre um tema de interesse público e cultural.
O que começou como discordância de uma opinião exposta no meu próprio perfil pessoal rapidamente evoluiu para os mais diversos crimes.
A delegacia de crimes cibernéticos de São Paulo tem sido extremamente competente no rastreio das informações dos militantes e já identificou alguns dos responsáveis pelas ações, que responderão por associação criminosa (art. 288), organização criminosa (Lei 12.850/2013), fraude eletrônica / estelionato eletrônico (art. 171, §2º-A), invasão de dispositivo informático (art. 154-A), falsa identidade (art. 307), falsidade ideológica (art. 299), ameaça (art. 147 do Código Penal), perseguição (stalking) (art. 147-A) e crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação).
A campanha de perseguição assumiu também contornos claramente misóginos, marcada por insultos sexistas, ameaças e tentativas de intimidação direcionadas especificamente à minha condição de mulher, assim como à minha fé cristã. Esses últimos componentes acrescentam ainda outros tipos de crime à extensa lista.
Todas as provas estão sendo preservadas e organizadas. Cada mensagem (de WhatsApp e nas redes sociais), cada perfil, cada cadastro fraudulento, cada tentativa de roubo e cada ameaça está sendo documentada e anexada aos arquivos policiais.
Não haverá qualquer tolerância com esse tipo de conduta. Todos os meios legais serão utilizados para identificar cada responsável e buscar sua responsabilização individual, tanto na esfera criminal quanto na esfera cível.
A internet não é uma terra sem lei. O anonimato nas redes sociais não impede a identificação dos autores, nem os isenta das consequências de seus atos.
Além do mais, não há qualquer indício de xenofobia por minha parte, tanto que um dos exemplos de masculinidade utilizados por mim na postagem foi o do boxeador asiático Naoya Inoue. Minha crítica jamais foi dirigida a qualquer povo, etnia ou nacionalidade, mas exclusivamente a uma estética específica difundida por parte da indústria do entretenimento contemporâneo.
Da mesma forma, não houve conduta homofóbica, uma vez que o termo “afeminado” é usado para designar uma pessoa que possui características, modos, gestos, voz, aparência ou estilo tradicionalmente associados ao feminino.
A palavra, per se, não significa homossexual, inferior, imoral, criminoso ou digno de desprezo. Ela descreve apenas características percebidas da aparência ou da expressão de alguém.
Divergências de opinião pertencem a um estado livre. Ameaças de morte, perseguição, falsidade ideológica, organização criminosa, fraude, roubo, exposição de dados pessoais e intimidação pertencem ao Código Penal.
Não farei novos comentários enquanto as investigações estiverem em andamento. Obrigada pelo espaço e que Deus nos conduza.”


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