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Filho de atriz e maestro, ator vive com deficiência auditiva e conta como aparelho o ajudou a ter vida mais agradável

Filho da atriz Lucélia Santos com o maestro John Neschling, Pedro Neschling faz desabafo sobre como é viver com a deficiência auditiva: 'Espero que isso inspire outras pessoas a vencer o medo'

Pedro Neschling - Foto: Reprodução / Instagram
Pedro Neschling - Foto: Reprodução / Instagram

O ator e diretor Pedro Neschling, de 43 anos, vive com a deficiência auditiva ao longo de sua vida e faz o uso de aparelho auditivo para ajudá-lo no dia a dia. Filho da atriz Lucélia Santos com o maestro John Neschling, ele falou abertamente sobre a falta de audição em um vídeo nas redes sociais.

O astro destacou que ainda existe preconceito contra as pessoas que possuem algum grau de surdez e relembra que não ouvia falar sobre o assunto quando era criança e já convivia com a deficiência. “Vejo muita gente que fica envergonhada por possuir uma deficiência. Acha que vai ser destratada ou sofrer muito preconceito. Existe aquela ideia antiga de que surdez é coisa de velho. Na escola não se falava sobre isso, nenhuma mãe, nenhum pai… Ninguém aventava essa possibilidade. A gente nunca tem que se sentir diminuído por ter uma deficiência, ou se sentir incapaz. Entender que qualquer deficiência só é uma característica dentre as muitas que você tem. Ela não te define, ela faz parte de quem você é“, disse ele.

Além disso, ele defendeu o uso do aparelho auditivo para melhorar sua qualidade de vida. “Fico bem triste de perceber que ainda existe muita vergonha e preconceito contra os aparelhos auditivos. Sempre que eu conto um pouco da minha experiência, estou torcendo pra que isso possa ajudar outras pessoas. O fato é que eu passei a ter uma vida muito mais agradável depois que comecei a usar os aparelhos: sair pra jantar com amigas, ir a festas, me jogar no carnaval…. Situações que antes eram muito desconfortáveis e cansativas pra mim, passaram a me trazer prazer. Espero que isso inspire outras pessoas a vencer o medo, a vergonha e o preconceito“, afirmou.

O diagnóstico no fim da adolescência

Pedro Neschling já contou que foi diagnosticado com deficiência auditiva aos 18 anos, mas nunca descobriu a causa. “A surdez é uma deficiência invisível porque, se eu não contar, não ficam sabendo. Boa parte da minha vida fui, e sou, deficiente. Provavelmente, as pessoas não sabem, mas a minha perda vem desde antes que eu possa me recordar. Tive um diagnóstico de surdez aos 18 anos. Não tenho um diagnóstico sobre a causa. Provavelmente, alguma coisa hereditária, não há essa explicação“, contou ao Jornal O Globo.

E completou: “Naquele momento, fui mal orientado. Não passei a usar aparelho. O médico disse: “Você tem recursos, se vira bem”. O que é uma besteira. Se pode usar um recurso que te ajude, por que não? Comecei a fazer TV em 2002, trabalhei direto até 2014 como ator e em nenhum desses trabalhos utilizei o aparelho que hoje me ajuda. É difícil explicar para quem escuta o quanto ele é fundamental para a minha qualidade de vida. Hoje, penso: “Meu Deus! Sou deficiente auditivo mesmo. Como tive uma carreira tanto tempo?”. Há frequências que não escuto“.

Ele ainda contou os detalhes do seu caso. “Tenho uma perda pequena nos graves e uma perda bastante significativa e profunda nos agudos. Tem sons que não escuto. É uma perda moderada para severa. Desenvolvi ferramentas que me possibilitam conviver com ela. Se eu tirar o aparelho agora, ainda mais num ambiente de barulho controlado, vou continuar conversando contigo normalmente. A gente está um de frente para o outro, eu faço leitura labial. Mas não vou mais escutar o ar-condicionado, a campainha. Se alguém falar atrás de mim, não vou ouvir. A minha voz muda completamente no meu ouvido. A minha experiência da vida muda completamente. Sem falar que vou terminar essa entrevista exausto. Como boa parte da minha vida eu terminava o meu dia. As pessoas acham que é botar o aparelho ou fazer um implante coclear que, pronto, escuta-se normalmente. Não. Ele me ajuda a melhorar dentro das minhas perdas. Agora estou usando um aparelho que não é o meu, porque ele deu um problema e está precisando passar por ajustes. Estou com um emprestado e você não faz ideia do alívio que é estar com um aparelho regulado. Ontem usei um que não estava adequado. Fico nervoso, ansioso. As pessoas não percebem“, afirmou.

Conselho para quem vive com a surdez

Recentemente, Pedro Neschling falou sobre o conselho que tem para as pessoas com deficiência auditiva. “Desde que comecei a falar publicamente sobre a minha surdez, recebo muitos e muitos relatos de pessoas que têm vergonha em assumir socialmente sua deficiência, outros muitos de familiares preocupados com entes queridos diagnosticados com perda auditiva e como será a vida para eles (sobretudo pais de crianças pequenas). O que eu tenho a dizer para vocês é: calma! Uma deficiência não é uma carta condenatória. É apenas uma das inúmeras característica que a pessoa tem. Compreender a situação e, com tranquilidade, buscar o auxílio possível em cada caso é o primeiro e mais importante passo. E, em seguida, deixar claro para o mundo que não somos nós que precisamos nos adaptar aos moldes padronizados, mas o contrário. A sociedade é que deve estar atenta às pessoas com deficiência e se preparar para incluí-las em todos os espaços e esferas. Isso não é nenhum favor, é civilidade e humanidade”.

Para concluir, Pedro deu conselhos para uma sociedade mais inclusiva. “Você que como eu é pessoa com deficiência auditiva, não se sinta só e muito menos menor do que os outros. Você que é pessoa sem deficiência, evite piadas bobas e busque conhecimento sobre atitudes anticapacitistas que podem transformar o mundo em um lugar melhor para todos. Tudo fica muito melhor quando é bom para todo mundo”.

 

Priscilla Comoti é editora de conteúdo do site CARAS. Ela é formada em jornalismo e em audiovisual, já passou pelos sites Contigo!, Minha Novela, TiTiTi, Mais Novela e Portal Márcia Piovesan. Escreve sobre celebridades, notícias sobre a família real britânica, TV, reality show e novelas.