O jornalista Álvaro Pereira Jr. se tornou assunto nas redes sociais após fazer comentários irônicos sobre a carreira acadêmica de Gil do Vigor. A repercussão começou depois que o ex-BBB anunciou que dois artigos de sua autoria haviam sido aceitos pela Sociedade Brasileira de Econometria (SBE).
Em uma publicação no X, antigo Twitter, Álvaro questionou a conquista do economista ao escrever: “Também conhecido como: nenhuma revista estrangeira aceitou meus artigos”. Em seguida, o repórter chamou Gil de “falso acadêmico” e criticou a maneira como, em sua avaliação, a rotina de um pesquisador era apresentada.
A declaração provocou uma reação do ex-BBB, que afirmou que não era a primeira vez que sua formação e seu trabalho como economista eram colocados em dúvida. Gil também relembrou os obstáculos que enfrentou ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica e celebrou as conquistas alcançadas.

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Álvaro Pereira Jr. criticou Gil do Vigor nas redes sociais Imagem: Reprodução/X

Álvaro Pereira Jr. criticou Gil do Vigor nas redes sociais Imagem: Reprodução/X
Questionar minha excelência como acadêmico por ter trabalhos aceitos em uma conferência brasileira, sendo ela extremamente relevante mundialmente, mostra sua falta de noção e de respeito. Ainda assim, seguem alguns aceites de artigos solo em conferências INTERNACIONAIS.… https://t.co/pEhDrTj17T pic.twitter.com/R5msoJFjru
— GIL DO VIGOR (@GilDoVigor) September 24, 2026
Quem é Álvaro Pereira Jr.?
Álvaro Pereira Jr. é jornalista e construiu uma carreira de quase quatro décadas no jornalismo, com passagens por veículos como Folha de S. Paulo, Notícias Populares e TV Globo. Desde 1995, integra o quadro de profissionais da Globo e ficou especialmente conhecido pelo trabalho no Fantástico, onde atuou tanto em funções de chefia quanto como repórter.
Formado em Jornalismo e Química pela Universidade de São Paulo (USP), Álvaro direcionou boa parte de sua trajetória para pautas relacionadas à ciência e tecnologia. A formação na área científica também contribuiu para sua atuação como jornalista especializado. Aos 26 anos, ele fez um curso de aperfeiçoamento em jornalismo científico no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, esteve envolvido em algumas das principais coberturas jornalísticas das últimas décadas. Entre elas estão o acidente com o avião da TAM, o incêndio da boate Kiss, a tragédia envolvendo a Chapecoense, o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida e as mortes de artistas como Michael Jackson e Amy Winehouse.
Os primeiros passos no jornalismo
Antes de chegar à televisão, Álvaro Pereira Jr. começou sua carreira no jornalismo impresso. Ele passou pelo Grupo Folha, onde trabalhou na Folha de S. Paulo e posteriormente no Notícias Populares.
Seu interesse pela profissão surgiu inicialmente por causa da escrita. Antes de concluir a formação em Jornalismo, ele já havia começado a estudar Química, área que continuou presente em sua trajetória profissional.
A primeira experiência como jornalista ocorreu na revista Química e Derivados. Foi durante esse período que soube da existência de uma oportunidade na editoria de Ciência da Folha de S. Paulo. Ele participou do processo seletivo e, em 1987, passou a integrar a equipe do jornal.
Depois de retornar dos Estados Unidos, em 1990, Álvaro participou da reformulação do Notícias Populares. A experiência no jornal popular também influenciou sua visão sobre a função do jornalismo e a importância de produzir conteúdo que tivesse utilidade prática para o público.
A chegada ao Fantástico
Uma reportagem publicada na Folha acabou abrindo caminho para sua chegada à televisão. O então diretor do Fantástico, Luiz Nascimento, conheceu o trabalho de Álvaro e o convidou para assumir a editoria-chefe do programa no Rio de Janeiro.
A mudança do jornal impresso para a televisão trouxe desafios. Apesar da experiência na apuração e na coordenação jornalística, Álvaro ainda precisava se adaptar à dinâmica específica da TV.
Em 1997, voltou para São Paulo e assumiu a chefia de redação do Jornalismo da Globo. Dois anos depois, retornou ao Fantástico por alguns meses. Na sequência, mudou-se para os Estados Unidos para acompanhar a esposa, que realizava um pós-doutorado na Califórnia.
Experiência nos Estados Unidos
Durante o período em que viveu em Berkeley, na Califórnia, Álvaro aproveitou a proximidade com importantes centros de pesquisa para aprofundar seu trabalho com ciência. Também passou a atuar diante das câmeras, algo que ainda não havia feito com frequência por ter ocupado principalmente cargos de chefia.
Ele produziu reportagens para a GloboNews e o Fantástico, além de atuar no programa Milênio. Entre os trabalhos realizados no período esteve uma cobertura sobre os impactos dos atentados de 11 de setembro de 2001.
A passagem pelos Estados Unidos também proporcionou entrevistas com personalidades internacionais. O jornalista conversou com nomes como Bruce Willis, Julia Roberts, Brad Pitt e Gisele Bündchen, principalmente em pautas relacionadas ao cinema e à cultura.
De volta ao Brasil
Álvaro retornou ao país em 2002 e voltou a ocupar uma posição de liderança no Fantástico, em São Paulo. Paralelamente ao trabalho de coordenação, continuou produzindo reportagens.
A ciência permaneceu como uma de suas principais áreas de interesse. Um exemplo foi a cobertura da explosão do ônibus espacial Columbia, quando o jornalista recorreu a especialistas para explicar ao público as possíveis causas do acidente.
Sua relação com o universo científico também passou a ser uma característica marcante de sua produção jornalística. Ao longo dos anos, Álvaro se dedicou a pautas que buscavam traduzir temas complexos para o público de televisão.
Participação na criação do g1
Em 2006, Álvaro Pereira Jr. recebeu a missão de participar da criação do portal de notícias da Globo, que viria a se tornar o g1.
Ele ajudou a estruturar a redação em São Paulo e reuniu profissionais vindos de diferentes veículos e empresas de comunicação. A proposta incluía uma organização inspirada nas redações tradicionais, com editorias especializadas e espaço para jornalistas e colunistas de diferentes perfis.
O projeto também apostou em recursos que ainda estavam em fase inicial na internet brasileira, como transmissões em streaming. Entre os colaboradores convidados estavam nomes como Paulo Coelho, Carlos Alberto Sardenberg e Cristiana Lôbo.
Depois da consolidação do portal, Álvaro deixou a função ligada ao projeto e retornou ao Fantástico em 2007.
Coberturas de grandes repercussões
De volta ao programa, o jornalista participou da cobertura de acontecimentos que tiveram grande impacto nacional e internacional.
Em 2007, esteve envolvido na cobertura do acidente com o avião da TAM, ocorrido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A equipe trabalhou com diferentes frentes de apuração, incluindo as possíveis causas da tragédia e os personagens relacionados ao caso.
Em 2009, após a morte de Michael Jackson, Álvaro viajou para Los Angeles e produziu uma reportagem sobre a trajetória do cantor. O trabalho passou por lugares relacionados à vida e à carreira do artista.
Anos depois, em 2011, a morte de Amy Winehouse também mobilizou a equipe do Fantástico. A cobertura foi preparada em meio à urgência característica de acontecimentos inesperados e contou com informações sobre a trajetória da cantora.
Álvaro também participou de projetos especiais do programa, incluindo uma produção com a banda irlandesa U2, cuja estrutura foi montada em poucas horas no terraço da Globo em São Paulo.
Viagens e reportagens internacionais
Entre as experiências internacionais do jornalista está uma cobertura realizada em Honduras, em 2014. Ao lado do cinegrafista Marcelo Benincassa, Álvaro esteve em San Pedro Sula, cidade marcada por elevados índices de violência.
Dois anos depois, viajou para Chernobyl, na Ucrânia, para produzir uma reportagem sobre os 30 anos do desastre nuclear. A pauta mostrou a situação da cidade abandonada de Pripyat e os efeitos que permaneciam décadas depois do acidente.
Dedicação às reportagens
Em 2017, após mudanças na estrutura do Fantástico, Álvaro decidiu deixar a função de chefia para se dedicar exclusivamente ao trabalho de repórter.
A mudança permitiu que ele ampliasse sua atuação em campo e passasse a concentrar ainda mais seu trabalho na criação e execução de pautas. Entre os acontecimentos que cobriu posteriormente esteve o incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, em São Paulo, em 2018.
A ciência e a tecnologia continuaram aparecendo com frequência em suas reportagens, mesmo em coberturas de acontecimentos de outras áreas. O jornalista também passou a desenvolver pautas próprias e viagens jornalísticas.
Ao longo da carreira, Álvaro Pereira Jr. consolidou um perfil marcado pela combinação entre jornalismo, ciência, televisão e cultura. Sua experiência inclui trabalhos como repórter, editor, chefe de redação e profissional envolvido na criação de um dos principais portais de notícias do país.
Entre as características que ele próprio atribui à sua trajetória está a busca por assuntos novos e tendências. Segundo o jornalista, seu interesse sempre esteve ligado ao que está na vanguarda e às transformações que acontecem no presente.
Álvaro Pereira Jr. – Foto: reprodução/TV Globo
Álvaro Pereira Jr. – Foto: Bob Paulino/Memória Globo
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