O Comandante Hamilton, que é um piloto experiente dos telejornais brasileiros, esteve no estúdio da CARAS Brasil nesta terça-feira, 22, e comentou sobre o acidente de helicóptero que tirou a vida do cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas. A aeronave caiu em uma área de mata e ficou desaparecida por cerca de 24 horas. O Corpo de Bombeiros e as autoridades de Santa Catarina localizaram os destroços do helicóptero em uma área de difícil acesso e constataram as mortes das cinco pessoas à bordo.
Em entrevista à CARAS, o comandante Hamilton analisou qual é o maior perigo para um helicóptero em meio a um voo em condições climáticas inesperadas. Ele informou que a chuva de granizo é algo que pode derrubar um helicóptero. “Esse helicóptero é um Bell 430, é um biomotor, helicóptero homologado para voo por instrumento. Ele tem condições de voar sem enxergar nada, ou seja, usando as referências do painel. O que o helicóptero não tem condição de suportar, na verdade, é uma chuva de granizo. O vento forte ainda tudo bem, chacoalha um pouco, balança, mas uma chuva de granizo realmente é muito ruim e o piloto foge disso. Dependendo do tipo de granizo, pode afetar o voo até derrubar uma aeronave, porque o gelo nessa região tem informação, nós vimos imagens, de gelo do tamanho de uma laranja. Isso é um tiro na aeronave. Atingindo uma pá ou quebrando o parabrisa, realmente pode derrubar a aeronave. Avião, eu já vi vários, mas helicóptero até hoje eu nunca vi um ataque severo, porque o piloto sempre foge“, afirmou.
A busca e a investigação do acidente
Hamilton também comentou sobre a falta de sinal do transmissor de localização após o acidente. “Os helicópteros e aviões possuem um transmissor que, quando você tem um choque, quando bate brusco ou uma pancada muito forte, aciona de forma automática. Ele manda um sinal para o satélite e indica que uma aeronave está em pane. Esse helicóptero não tenho a informação de que ele tenha emitido esse sinal. Ou não funcionou ou não estava na aeronave ou aeronave não tinha também. O que as autoridades priorizam é para entender primeiro se houve uma falha humana ou se uma falha mecânica ou uma fatalidade climática, que vai ser feito a partir de agora por parte das autoridades“, informou.
Além disso, o piloto contou sobre o impacto da aeronave no solo com base nos destroços e como será a investigação do que causou a queda. “A aeronave ela bateu muito forte, foi um choque muito grande, por isso que todos não resistiram aos ferimentos. Agora o Cenipa vai montar esse quebra-cabeça, vai montar toda a nave, vai verificar se ela entrou voando, qual era a condição, se teve algum problema mecânico. De repente pode ter sido algum problema mecânico, o piloto não conseguiu fazer o que ele queria, que era voltar pro local ou pousar no local mais seguro ou se aeronave simplesmente entrou numa condição ali de falta de visibilidade, continuou voando e acabou batendo. Isso vai ser levantado pelo CENIPA. Para a aviação, no geral, sempre interessa saber o que aconteceu para que haja mais segurança no futuro e principalmente descobrir aonde foi o ponto que deu início a esse acidente. O acidente é como se fosse um dominó, dá o start. Se não for interrompido, todas as peças caem e aí chegam no acidente. Então, vamos descobrir o que aconteceu, por que não foi interrompido“, afirmou.
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“A aviação não trabalha com riscos, ela trabalha de forma exata, minimiza os riscos. Quando está em condições, por exemplo, de falta de condição visual, você tem que voar com uma aeronave que seja homologada por um instrumento, que tenha dois motores e tenha toda a instrumentação para que as referências sejam instrumentos e não de referências visuais. Essa região tem muita chuva, muito nevoeiro, dificulta muita visibilidade. Aí o piloto tem que realmente voar mais alto para poder sair do risco de atingir o solo. Ou então quando a situação fica muito ruim, não consegue seguir à frente por ter chuvas que possam ter granizo ou chuva de granizo lá no meio, que é um risco tremendo para a aviação, o piloto geralmente desvia ou volta para o local que decolou. Inclusive tinha alertas meteorológicos de risco de granizo e as pessoas prontamente levantaram a hipótese de um pouso preventivo. Só que é uma região muito sinuosa. Normalmente quando a situação fica ruim, você não consegue seguir à frente. Quando você não consegue voltar também, está cercado uma condição atmosférica muito agressiva, risco de granizo, uma situação realmente muito complicada que foge ao controle, foge inclusive a previsão que o piloto fez antes de decolar, ele procura um local para pouso“, completou.
Inclusive, ele destacou que é importante que a investigação aconteça para que um acidente assim não se repita. “A sociedade, toda vez que acontece alguma coisa, quer uma resposta muito rápida, e nesse caso, a mesma coisa. Foram usados vários homens do Corpo de Bombeiros, foi usado também ajuda local para procurar. Mas uma coisa que ajudou bastante foi as informações que a operadora passou para a polícia, fizeram a triangulação, viram os sinais emitidos pelos celulares. Isso ajudou a marcar uma área, demarcar uma área onde foi feita a varredura. Não é fácil, porque Santa Catarina é um dos estados que melhor preserva a natureza, ou seja, muita mata, tem muita vegetação natural, isso sempre dificulta um pouquinho achar, principalmente chegar no ponto. É uma região de difícil acesso, então eles trabalharam muito rápido, foram muito eficientes, espanta até a rapidez com que conseguiram. Eu pensei que fosse demorar um pouco mais para chegar no local“, afirmou.
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