Steve Martin começou a carreira nos bastidores, escrevendo piadas para a televisão no final dos anos 1960, e rapidamente se tornou um dos rostos mais reverenciados da comédia mundial. O estrondoso sucesso nas bilheterias de cinema e, mais recentemente, nas plataformas de streaming garantiu não apenas fama, mas a base financeira para que ele cultivasse uma de suas maiores paixões fora das telas: o colecionismo. Hoje, esse gênio das artes cênicas possui um acervo privado de quadros e desenhos de mestres renomados com um valor estimado em até R$ 522 milhões, abrigado em suas luxuosas propriedades na Califórnia e arredores.

O portfólio artístico inclui peças raras de gigantes como Pablo Picasso, Edward Hopper, Roy Lichtenstein e David Hockney, funcionando como a prova material de que o comediante venceu na vida com sofisticação e astúcia. Saiba mais sobre o império cultural e a trajetória de ascensão desse lendário talento de Hollywood.

O veterano de Hollywood Steve Martin – Foto: Ron Galella / Ron Galella Collection via Getty Images

O início: da loja de mágicas na Disney aos holofotes da comédia

Nascido em Waco, no Texas, em 1945, Steve Martin cresceu em uma família simples na Califórnia. A trajetória de muito trabalho começou cedo: aos 10 anos, vendia guias na Disneylândia e, mais tarde, dava expediente na loja de mágicas do parque. Aos 18, ele já se apresentava misturando música, ilusionismo e humor na Knott’s Berry Farm. O salto em sua ascensão social ocorreu quando sua genialidade o levou a escrever para o programa televisivo “The Smothers Brothers Comedy Hour”, trabalho que lhe rendeu um Emmy logo aos 23 anos. Desse ponto em diante, ele assumiu os microfones no “Saturday Night Live” e no “The Tonight Show”, lotando estádios com suas turnês de stand-up nos anos 1970 e 1980 e selando seu passaporte para o sucesso.

Tesouro particular: uma coleção de arte de impressionar museus

Obras de Hopper são destaque na coleção. Foto: Buyenlarge / Getty Images

Embora o ator também mantenha um invejável conjunto de imóveis avaliado em mais de R$ 156 milhões (US$ 30 milhões), o verdadeiro grande símbolo de sua conquista pessoal é sua elogiada coleção de arte, cujo valor flutua entre R$ 261 milhões e R$ 522 milhões (US$ 50 a US$ 100 milhões), de acordo com o portal Celebrity Net Worth. Como o próprio ator detalhou em uma entrevista ao The Art Newspaper, a “mania” de colecionar despertou no final da década de 1960.

A primeira aquisição expressiva foi uma tela do artista Ed Ruscha em 1968. Com o estouro de seus salários no cinema na década de 1990, as aquisições ganharam contornos milionários, e obras de nomes de peso como Willem de Kooning, Georges Seurat e Lucian Freud entraram na coleção. Um dos maiores trunfos de seus investimentos é a tela “Casa do Capitão Upton”, de Edward Hopper: comprada por cerca de R$ 12 milhões (US$ 2,3 milhões) em 1987, ela hoje é avaliada em até R$ 156 milhões (US$ 30 milhões). A perspicácia de Martin para negócios no mercado de arte foi atestada em 1999, quando comprou “Hotel Window”, também de Hopper, por cerca de R$ 52 milhões, e a revendeu em 2006 por impressionantes R$ 140,9 milhões (US$ 27 milhões).

O refúgio das obras: entre Los Angeles e os leilões

Parte dessa suntuosa galeria particular repousa pelas paredes de suas propriedades na Califórnia, como a suntuosa mansão em Beverly Hills com quase 650 metros quadrados e um vasto jardim, ou a famosa “Mud House” em Montecito, uma icônica casa de concreto de arquitetura brutalista que já foi avaliada em até R$ 104 milhões.

Mas a atuação do comediante na cidade de Los Angeles vai muito além das propriedades físicas: ele se consolidou como uma figura atuante no circuito artístico global, chegando a doar milhões de dólares ao acervo americano do The Huntington e a atuar como conselheiro do Museu de Arte do Condado de Los Angeles (LACMA), segundo o diretório da Frick Art Reference Library. Toda essa vivência imersa entre a metrópole do cinema e as efervescentes galerias de Nova York ainda serviu de combustível criativo para ele escrever o romance “An Object of Beauty”, focado nos bastidores e nas altas cifras desse mercado.

O lastro do luxo: salários milionários na TV e fortuna consolidada

Sustentar tamanho investimento cultural exige uma retaguarda financeira espetacular, e o astro entrega exatamente isso. Atualmente, a fortuna líquida de Steve Martin é estimada em robustos R$ 783 milhões (US$ 150 milhões). E essa quantia não para de ser alimentada.

Estrelando a série de sucesso global “Only Murders in the Building” ao lado de Selena Gomez e Martin Short, o ator faturou cerca de R$ 3,13 milhões (US$ 600 mil) por episódio em sua primeira temporada. Como a série também o tem como criador e produtor executivo, as remunerações se multiplicam. Somado a isso, ele não abandonou os palcos: as elogiadas turnês musicais e humorísticas que faz com Martin Short chegam a arrecadar facilmente mais de R$ 4,6 milhões (quase US$ 900 mil) em uma única noite de lotação esgotada em cidades como Washington, D.C. e Los Angeles.

Quem é o gênio por trás do acervo

Steve Martin, hoje beirando os 80 anos, transcende a figura do ator bem pago, sendo um autêntico patrimônio da cultura estadunidense. Vencedor de cinco prêmios Grammy, um Oscar Honorário e um Emmy, ele imprimiu seu nome na história estrelando sucessos inesquecíveis como “O Pai da Noiva”, “Doze é Demais”, “A Pantera Cor-de-Rosa” e “Roxanne”.

Acima de qualquer rótulo, sua genialidade é multifacetada: além da televisão e das bilheterias mundiais, ele é um autor best-seller (de romances e peças teatrais da Broadway), roteirista e um formidável e virtuoso músico de bluegrass no banjo. A mesma mente que encantou plateias com piadas absurdas hoje ostenta o refinamento necessário para trafegar livremente pelos acervos das mais elitizadas instituições de arte do planeta.

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