O cantor Netinho, que morreu nesta terça-feira, 13, aos 60 anos, deixa uma única filha, Bruna. Apesar da fama conquistada em todo o Brasil com o sucesso Milla, o artista costumava manter a vida pessoal longe dos holofotes e falava pouco sobre seus relacionamentos e a família.
Bruna é fruto do relacionamento de Netinho com a jornalista Mariana Trindade, com quem ele chegou a se casar oficialmente. A filha nasceu em 2000 e foi a única herdeira do artista. Em 2008, o cantor tornou pública sua bissexualidade, mas não chegou a assumir publicamente um relacionamento homoafetivo.
Em 2012, durante participação no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, Netinho falou sobre a experiência de ser pai de uma adolescente. Na época, já estava divorciado e contou que tinha ciúmes da filha, então com 14 anos.
Ao ser questionado por Fátima Bernardes sobre a paternidade, o cantor admitiu que lidava com dificuldade com o crescimento de Bruna. Ele contou que ficou cerca de um mês sem encontrá-la e se surpreendeu ao perceber as mudanças físicas da filha durante esse período.
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“Tenho, ela tem 14 anos e é um problema porque eu sou um pai ciumento”, disse na ocasião. Quando a apresentadora perguntou se ele sofria com a situação, Netinho respondeu que sim e comentou que a filha começava a ter novas amizades e a viver as transformações da adolescência.
Netinho falou sobre a relação com a filha
Na mesma entrevista, o artista comparou a própria experiência como filho com a relação que construiu com Bruna. Ele explicou que perdeu o pai quando tinha apenas nove anos, mas guardava lembranças importantes dos ensinamentos recebidos durante a infância.
Segundo Netinho, o pai trabalhava como escrivão e costumava levá-lo ao escritório. Ainda criança, ele acompanhava algumas atividades profissionais e chegou a fazer depósitos bancários de bicicleta, experiências que recordava com orgulho.
Ao falar sobre a paternidade, o cantor reconheceu que a rotina de shows e viagens dificultou sua presença nos primeiros anos de vida da filha. Ele lembrou que, quando Bruna nasceu, a música Milla fazia grande sucesso e sua agenda estava lotada, com mais de 20 apresentações por mês.
Por conta dos compromissos profissionais, Netinho contou que só conseguiu ver a filha oito dias após o nascimento e admitiu não ter acompanhado de perto os primeiros cinco anos dela.
Questionado por Fátima Bernardes sobre a falta que sentia desse convívio, o artista afirmou que a saudade era grande, embora também tivesse muito amor pela profissão. Ele explicou que conciliar a carreira musical com a vida familiar era um desafio e que precisava administrar o tempo dedicado a cada uma dessas áreas.
Na ocasião, Netinho também observou que Bruna havia passado a compreender melhor sua rotina como artista. De acordo com o cantor, a filha começou a entender a relação dele com os fãs, algo que, quando era mais nova, despertava ciúmes.
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Despedida reservada
De acordo com o comunicado, o velório e a cremação serão realizados de maneira privada, conforme um desejo manifestado pelo próprio artista. A cerimônia será restrita aos familiares e amigos mais próximos.
A equipe também pediu compreensão e respeito à privacidade das pessoas próximas ao cantor, para que familiares e amigos possam atravessar o período de luto com tranquilidade. Ao final da nota, agradeceu as mensagens de carinho, solidariedade e apoio recebidas após a confirmação da morte.
Leia o comunicado na íntegra:
“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje.
Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível. Sua voz, sua energia e sua forma tão particular de se conectar com o público deixam um legado que permanecerá para sempre na memória e no coração de seus fãs, amigos e de todos que tiveram o privilégio de acompanhá-lo.
Netinho partiu tranquilo. Durante os últimos meses de tratamento, costumava dizer:
‘Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.’
Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Neste momento de profunda dor e despedida, pedimos respeito à privacidade da família e dos amigos, para que possam vivenciar esse momento com a serenidade e o recolhimento necessários.
Agradecemos, de coração, todas as manifestações de amor, carinho e solidariedade recebidas. O afeto de todos é também parte da história que Netinho construiu e do legado que deixa.
Contamos com a compreensão e o respeito de todos”.
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Relembre a trajetória de saúde de Netinho
Nos últimos meses, Netinho passou por um novo período de tratamento após a doença voltar a se manifestar. Em maio deste ano, o cantor revelou que o câncer no sistema linfático havia retornado, quase um ano depois de alcançar a primeira remissão.
Durante esse período, ele recebeu acompanhamento médico no Hospital Aliança Star, em Salvador, na Bahia, sob os cuidados da oncologista Glória Bonfim Arruda.
Em setembro, depois de compartilhar vídeos e atualizações sobre o tratamento com seus seguidores, o artista optou por interromper temporariamente as publicações nas redes sociais. Na ocasião, sua equipe explicou que ele permanecia internado na capital baiana e precisava concentrar suas energias na recuperação.
“Netinho segue internado em Salvador e enfrenta novo tratamento de saúde. Neste momento delicado, o artista decidiu se afastar temporariamente das redes sociais para concentrar todas as suas energias no tratamento e na busca pela recuperação”, informou a assessoria naquele momento.
A última mensagem que Netinho deixou antes de morrer
Conhecido nacionalmente pelo sucesso Milla, Netinho demonstrava gratidão pela trajetória que construiu na música e pelo carinho recebido dos fãs. Segundo a assessoria, o cantor costumava dizer: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”.
Linfoma não Hodgkin
O linfoma não Hodgkin reúne mais de 20 tipos de câncer, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença afeta o sistema linfático e tem apresentado aumento no número de casos nas últimas décadas, especialmente entre pessoas com mais de 60 anos.
Para o período de 2026 a 2028, a estimativa do Inca é de 12.560 novos diagnósticos por ano no Brasil. Desse total, 6.580 casos devem ocorrer entre homens e 5.980 entre mulheres.
O sistema linfático integra as defesas do organismo e desempenha um papel importante no combate a infecções e outras doenças. Como esse tecido está distribuído por diferentes partes do corpo, o linfoma não Hodgkin pode surgir em diversas regiões.
Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?
Os sinais da doença podem variar de acordo com a região afetada. De acordo com o Inca, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando persistem sem uma causa aparente.
Entre as principais manifestações estão:
- Caroços ou aumento dos gânglios linfáticos no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
- Suor noturno intenso;
- Episódios de febre;
- Coceira na pele;
- Emagrecimento sem motivo aparente.
A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha linfoma. No entanto, é importante procurar avaliação médica para investigar a origem dos sinais.
O que pode aumentar o risco da doença?
Algumas condições podem elevar as chances de desenvolver o linfoma não Hodgkin. Segundo o Inca, entre os fatores associados estão alterações no funcionamento do sistema imunológico e determinadas infecções.
Confira os principais fatores de risco:
- Imunidade comprometida: pessoas com doenças genéticas hereditárias que afetam o sistema imune, indivíduos que utilizam medicamentos imunossupressores, como ocorre em alguns casos de transplante, e pessoas que vivem com HIV;
- Infecções específicas: presença de vírus como Epstein-Barr, HIV-1 e HTLV-1, além da bactéria Helicobacter pylori, associada ao desenvolvimento de úlceras gástricas;
- Exposição a substâncias químicas: contato com determinados agentes potencialmente associados à doença, como agrotóxicos, benzeno, aminas aromáticas, benzidina, bifenilos policlorados, tricloroetileno, tetracloreto de carbono e outros solventes orgânicos;
- Exposição à radiação: radiação ionizante e ultravioleta também aparece entre os agentes mencionados na lista de exposições de risco.
A presença de um ou mais desses fatores não significa que a doença necessariamente será desenvolvida. A avaliação dos riscos deve considerar o histórico e as condições individuais de cada pessoa.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação do linfoma não Hodgkin pode envolver diferentes exames, escolhidos de acordo com os sintomas e a suspeita clínica. Um dos principais procedimentos é a biópsia, que consiste na retirada de uma amostra de tecido, geralmente de um linfonodo, para análise laboratorial.
Outros exames podem ser solicitados para auxiliar na avaliação da doença, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e punção lombar, conforme a necessidade de cada caso.
Identificar a doença e determinar sua extensão são etapas importantes para definir a estratégia terapêutica mais adequada. Ao perceber sintomas persistentes ou alterações incomuns no corpo, a recomendação é buscar orientação médica.
Quais são os tratamentos disponíveis?
A escolha do tratamento depende de fatores como o subtipo do linfoma, o estágio da doença e as condições gerais de saúde do paciente. A quimioterapia é uma das abordagens utilizadas e pode ser combinada com imunoterapia ou radioterapia, conforme a indicação médica.
Conheça as principais modalidades:
- Quimioterapia: utiliza medicamentos para combater as células cancerígenas. Os remédios podem ser administrados por via oral ou intravenosa, e o esquema pode envolver a combinação de diferentes substâncias;
- Imunoterapia: emprega medicamentos que atuam sobre alvos específicos relacionados às células do linfoma ou estimulam mecanismos do sistema imunológico para combater a doença;
- Radioterapia: utiliza radiação para destruir células cancerígenas ou reduzir o tumor em regiões determinadas do corpo.
O acompanhamento especializado é fundamental para estabelecer o tratamento mais indicado para cada paciente, considerando as características específicas do linfoma e a resposta às terapias.
Vida pessoal
Netinho deixa uma filha, Bruna Trindade Andrade, de seu relacionamento com a jornalista Mariana Trindade.
Em entrevista à revista Quem, em 2008, o cantor também falou publicamente sobre sua bissexualidade. Na ocasião, comentou sobre experiências afetivas e compartilhou sua visão sobre a vida e a importância de aproveitar as oportunidades do presente.
“Já tive experiência homossexual. Foi há algum tempo, foi interessante. É a filosofia de que devemos passar por tudo na vida. Deus é energia, quando a gente morre é escuro total. Morreu, acabou. A oportunidade é agora. Não dá para deixar nada para depois”, declarou na entrevista.
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