Dudu Bertholini (46) consolidou seu nome como uma das principais figuras da moda e do entretenimento no Brasil. Apresentador do programa Esquadrão da Moda, do SBT, e astro do Programa Silvio Santos, na mesma emissora, ele transformou sua paixão pelo estilo em uma plataforma de representatividade LGBTQIAPN+ e desconstrução de padrões na televisão brasileira. Tanto que ele vive um amor que segue as próprias regras e acordos.

O casamento de Dudu e Gama Higai

Dudu Bertholini é casado com o artista Gama Higai e os dois vivenciaram um casamento em plena pandemia de Covid-19. Os dois se conheceram por meio do mundo artístico e o amor floresceu por causa do jeito como veem a liberdade no jeito de ser. “Gama é uma pessoa maravilhosa. Ele é não-binário e passei bem pelos pronomes. É uma pessoa incrível e está sempre de máscara, não gosta de mostrar o rosto. Foi um encontro incrível no lugar da gente legitimar nossas identidades. Havia entre nós uma certeza de que nós não estávamos dispostos a viver um relacionamento onde a gente não pudesse ser quem nós somos. Por um momento, isso parecia difícil. Fazia tempo que eu não casava, estava há 8 anos sem um relacionamento longo e Gama também. A gente se encontra em um ponto de legitimação da nossa liberdade, que é um ponto crucial do nosso amor”, afirmou ele no videocast do Universa, no UOL.

O casamento aconteceu por meio de uma transmissão de vídeo durante a pandemia de Covid-19 em 2020. “A gente montou tudo sem ninguém entrar em casa. Montamos uma tenda na sala de casa. Umas 300 pessoas no Zoom”, disse ele.

Eu e Gama Higai nos casamos no dia 24 de maio, em casa, quando celebramos um ano de namoro. Rolou depois a festa on-line, que pegou fogo. Meu vestido de “noive” foi um cafetã, parte da coleção que desenvolvi para a Scarf Me. Meu marido estava com um blazer vintage dos anos 80 e uma calça branca da Amapô. Estávamos os dois descalços“, disse ele na Veja.

E completou: “Foi uma celebração do amor e do real, sem invisibilizar a dor que nos cerca. Casamos quase uma semana depois do 17 de maio. Foi nessa data, em 1990, que a Organização Mundial da Saúde “despatologizou” a homossexualidade. Ainda estamos em um momento muito complicado, com esse desgoverno, mas a cerimônia que fizemos, de algum modo, reforça a mensagem da importância do isolamento social. Não entrou ninguém aqui para nos ajudar e tudo que pedimos foi higienizado. Ouvimos falar de muitos casais que estão brigando durante este período. Aqui tem sido diferente, o relacionamento se fortaleceu muito“.

A decisão de abrir a relação

Além disso, Bertholini também contou ao Universa que vive um relacionamento aberto. Os dois podem ter relações íntimas com outras pessoas, mas só amam um ao outro.

“Nós somos monogâmicos afetivamente e somos abertes sexualmente. O acordo de cada relacionamento é a parte mais importante. (…) O fato de a gente ter essa abertura sexualmente é uma coisa muito sadia pra gente e que nos aproxima. Eu não tenho ciúme do desejo. Acho que o que as pessoas mais têm ciúmes é o desejo, mais do que na prática: ‘Você tem mais tesão naquela pessoa do que em mim? Você gosta mais daquele corpo do que o meu?’. Eu acho isso a coisa mais egoísta do mundo. Respeitar e amar o desejo dessa outra pessoa é libertador e uma prova de amor”, afirmou.

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Trajetória e representatividade na TV

Antes de brilhar nas telas da emissora, Dudu Bertholini construiu uma carreira expressiva no universo fashion. Ele ganhou destaque internacional ao criar a marca de roupas Neon, chamando a atenção do público pelas estampas coloridas e modelagens amplas que valorizam diferentes tipos de corpos e identidades.

O sucesso nos bastidores da moda o levou naturalmente para a televisão. O especialista atuou como jurado e consultor de estilo em diversos programas focados em comportamento. Como uma pessoa não-binária, sua assinatura visual excêntrica e autêntica sempre acompanhou discursos necessários sobre diversidade e liberdade individual na mídia.

A arte funciona como um pilar fundamental em sua trajetória. Explorando constantemente a desconstrução de identidades visuais, o comunicador provoca o público a retirar as máscaras sociais, unindo moda, performance e comunicação em sua verdadeira essência.

Refúgio no interior

Longe da agitação dos estúdios e das passarelas, Dudu encontra equilíbrio em sua vida pessoal no interior paulista. Sua casa na cidade de Limeira, em São Paulo, tornou-se um refúgio familiar essencial para recarregar as energias e manter a conexão com suas raízes, afastando-se pontualmente da rotina acelerada da capital e dos holofotes.