A atriz Cristina Aché está pronta para um novo capítulo na carreira. Ela está afastada das telas há 18 anos, desde o filme Encarnação do Demônio (2008). Contudo, a artista afirmou agora que deseja voltar a atuar no cinema e no teatro.

De fato, o anúncio acontece em um momento muito especial. Afinal, ela é a grande homenageada pela mostra “Filmes com Aché: Uma Cristina do Cinema Brasileiro”. O evento está em cartaz na Caixa Cultural Rio. A mostra reúne 24 produções da artista e celebra sua contribuição ao cinema nacional.

Em entrevista ao jornal O Globo, Cristina contou que voltou a sentir vontade de trabalhar com atuação. Ela passou anos dedicada a outros projetos de arte. Por isso, ela declarou com entusiasmo: “Vou voltar a contar histórias”.

Estreia no cinema aconteceu aos 15 anos

Cristina Aché iniciou a carreira no cinema muito cedo. Aos 15 anos, ela protagonizou o longa Os Primeiros Momentos (1973), dirigido por Pedro Camargo. Na época, porém, ela não planejava seguir a profissão de atriz.

Como era apaixonada por cinema, a jovem costumava faltar às aulas. Ela fazia isso para frequentar a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Desse modo, foi nesse ambiente que ela conheceu realizadores importantes. Ali ela recebeu o convite para seu primeiro longa-metragem. O filme marcou o início de uma trajetória de sucesso. A profissão a transformou em um dos principais nomes do cinema nacional.

Atriz trabalhou com alguns dos maiores diretores do país

Ao longo da carreira, Cristina Aché construiu uma lista de filmes de destaque. Ela trabalhou ao lado de cineastas consagrados. Ela atuou com Reginaldo Faria em Quem Tem Medo de Lobisomem (1975). Também trabalhou com Bruno Barreto em Amor Bandido (1978). Além disso, foi dirigida por Cacá Diegues em Chuvas de Verão (1978) e por Neville d’Almeida em Os Sete Gatinhos (1980).

Outro capítulo importante de sua jornada foi a parceria com o diretor Joaquim Pedro de Andrade. Ela foi casada com ele e os dois tiveram dois filhos. Ambos trabalharam juntos em produções marcantes. Entre elas estão Guerra Conjugal (1975), Vereda Tropical (1977) e O Homem do Pau-Brasil (1981).

Vale destacar que Cristina participou de novelas da TV Globo, como Vejo a Lua no Céu (1976), O Amor é Nosso (1981) e Novo Amor (1986). Contudo, ela sempre afirmou que sua maior identificação artística era com as telonas.

Mudança para a França transformou sua carreira

No início dos anos 2000, Cristina decidiu deixar o Brasil. Ela queria viver uma nova experiência artística na França. Assim, ela ingressou no tradicional Théâtre du Soleil, companhia fundada por Ariane Mnouchkine. A atriz permaneceu no grupo por quase quatro anos.

Segundo a atriz, a experiência foi uma verdadeira escola de vida. Isso porque todos os integrantes participavam de todas as etapas das produções. Eles cuidavam desde a atuação até a confecção de figurinos e a organização dos espetáculos.

Ademais, foi nesse período que ela conheceu a artista têxtil Ysabel Maisonneuve. Com ela, a atriz aprendeu a técnica japonesa de tingimento shibori. Ela passou a desenvolver essa atividade profissionalmente após retornar ao Brasil. Atualmente, Cristina vive em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. No local, ela mantém um ateliê dedicado à criação de peças artesanais.

Vontade de voltar aumentou após a pandemia

Embora tenha seguido um novo caminho profissional, Cristina revelou que nunca abandonou a ideia de atuar. Antes da pandemia de Covid-19, ela chegou a iniciar conversas sobre novos trabalhos. No entanto, os projetos acabaram interrompidos na época.

Agora, com a retrospectiva de sua carreira, a atriz afirma estar motivada para retornar aos palcos e às câmeras. Esse sentimento forte veio após ela rever os seus filmes antigos. Ao comentar o momento atual, ela destacou que sente falta do fazer artístico. Portanto, o contato com as histórias do cinema e do teatro tornou-se seu foco principal.

Mostra reúne 24 filmes e encontros com grandes nomes

A mostra “Filmes com Aché: Uma Cristina do Cinema Brasileiro” acontece na Caixa Cultural Rio até o fim de julho. O evento reúne praticamente toda a filmografia da atriz. Além da exibição de 24 longas-metragens, a programação inclui debates. O público poderá acompanhar encontros com artistas que fizeram parte de sua trajetória.

A lista de convidados inclui Débora Bloch, Helena Ignez, Carla Camurati e Daniel Filho. Do mesmo modo, participam Tony Ramos, Reginaldo Faria, Stepan Nercessian, Edwin Luisi e o cineasta Bruno Barreto. No catálogo da mostra, a diretora Bia Lessa define Cristina Aché como uma figura rara do cinema brasileiro. Ela destaca características marcantes da atriz, como sua forte presença cênica e sua voz.

Quase duas décadas depois de seu último trabalho no cinema, Cristina Aché afirma que está pronta para escrever um novo capítulo. Dessa forma, ela retorna com a rica experiência acumulada ao longo de mais de 50 anos dedicados à arte.

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