Aos 66 anos, ex-príncipe britânico tinha deixado a mansão real de 30 quartos antes da prisão

Neste 19 de fevereiro, príncipe que perdeu títulos e palácios enfrenta prisão em meio a investigações e batalha sobre sua fortuna de quase R$ 20 milhões

Royal Lodge é a propriedade real em Windsor onde morava o príncipe Andrew - Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (19/2), no dia em que completou 66 anos, o ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor foi preso pela polícia do Reino Unido sob suspeita de má conduta relacionada ao seu trabalho oficial no passado — um desdobramento que abala ainda mais sua imagem e seu lugar histórico na família real.

O detido é o filho do falecido príncipe Phillip e irmão do rei Charles III, que desde 2025 não carrega mais títulos oficiais e acumula uma trajetória marcada por polêmica, perdas de privilégios e agora uma crise jurídica sem precedentes.

Prisão histórica e investigação por ligações com Jeffrey Epstein

A detenção ocorreu na Sandringham Estate, em Norfolk, e marcou a primeira prisão de um membro da família real britânica em séculos. Autoridades afirmaram que ele foi detido devido às investigações em andamento sobre sua conduta enquanto desempenhava funções públicas entre 2001 e 2011, período em que se relacionou com figuras ligadas ao financista Jeffrey Epstein.

Documentos conhecidos como “Epstein Files” foram usados para aprofundar a apuração, incluindo e-mails que indicariam possível troca de informações confidenciais ou favorecimento a associados de Epstein. Apesar das acusações, ele nega irregularidades e afirma que sempre cooperou com as investigações.

Títulos revogados, afastamento da monarquia e perda de palácios

Em 2025, o rei Charles III tomou a rara decisão de revogar oficialmente os títulos reais de Andrew, retirando seu estilo de “Príncipe” e o ducado de Duke of York. Com isso, ele passou a utilizar apenas o nome civil Andrew Mountbatten-Windsor, sem privilégios institucionais ou presença em eventos oficiais de Estado.

Ao longo de sua vida adulta, ele também teve que vender ou encerrar o uso de propriedades reais, incluindo palácios e residências que antes lhe pertenciam como membro da realeza — um reflexo claro da perda de influência dentro da família real.

O que acontece com sua fortuna de quase R$ 20 milhões?

Antes dos recentes eventos, estimava-se que Andrew tinha um patrimônio pessoal em cerca de quase R$ 20 milhões (aproximadamente US$ 4 milhões), composto por rendimentos, investimentos e propriedades privadas. No entanto, com a perda de títulos, privilégio fiscal e algumas vendas forçadas de imóveis, a estrutura de sua fortuna tem sido impactada fortemente.

Especialistas ouvidos na imprensa britânica afirmaram que, sem privilégios, parte dos rendimentos relacionados a cargos públicos ou benefícios vinculados à monarquia podem ser revistos ou até recuperados pelo Estado.

Além disso, propriedades significativas — como residências históricas ligadas ao ducado — foram transferidas para uso real ou vendidas, reduzindo a fatia de Andrew no mercado imobiliário de alto padrão.

Bancos e consultores financeiros próximos ao caso indicam que ele ainda dispõe de ativos privados, mas que a pressão legal pode afetar a liquidez e a gestão desses investimentos.

Para elevar o nível da sua matéria, pesquisei os detalhes arquitetônicos e as curiosidades históricas que tornam a Royal Lodge um dos ativos mais valiosos da Coroa.

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Os detalhes da mansão de 30 quartos em Windsor

No começo de fevereiro, após meses de resistência, o duque finalmente desocupou a Royal Lodge, uma suntuosa mansão de 30 quartos localizada na propriedade real de Windsor. O Rei Charles III (77) pressionou o irmão para que ele deixasse a residência oficial, visando reduzir gastos e reorganizar o patrimônio da Coroa.

A Royal Lodge ocupa um terreno de 98 acres dentro do Grande Parque de Windsor, oferecendo total privacidade aos seus moradores. A estrutura principal impressiona não apenas pelo tamanho, mas pelo valor histórico de sua arquitetura do século XIX. Ao todo, a residência abriga 30 quartos, incluindo sete suítes luxuosas e amplas salas de recepção decoradas com obras de arte da Coleção Real.

Internamente, a propriedade reflete o padrão da alta aristocracia britânica. O imóvel conta com um salão de festas magnífico, uma biblioteca imensa e uma capela privativa para cultos íntimos. Além disso, a mansão possui dependências separadas para funcionários e uma área de lazer completa. Portanto, o custo de manutenção de todo esse complexo ultrapassa a marca de R$ 2,5 milhões anualmente.

O refúgio verde e a “Casinha de Bonecas” Real

A área externa da Royal Lodge esconde um dos tesouros mais curiosos da família real: a The Little House (Y Bwthyn Bach). Trata-se de uma casa de campo em miniatura, presenteada à Rainha Elizabeth II quando ela ainda era criança. Além desse refúgio infantil, o jardim ostenta uma piscina aquecida e bosques preservados que garantem o isolamento da propriedade.

Dessa forma, o local funcionou como o refúgio preferido da Rainha-Mãe por décadas antes de o Príncipe Andrew assumir o contrato de locação em 2003. Contudo, o estado de conservação das paredes externas gerou críticas recentes, já que o duque teria negligenciado reformas estruturais. Assim, a mansão agora aguarda uma restauração completa para recuperar o brilho de seus tempos gloriosos sob o comando de um novo morador.

Da Guerra das Malvinas ao ostracismo

Andrew foi inicialmente saudado como herói após servir como piloto de helicóptero na Guerra das Malvinas em 1982, o que lhe rendeu respeito e popularidade no início da vida pública. Posteriormente, o príncipe atuou como enviado comercial do Reino Unido, representando interesses britânicos em viagens e eventos internacionais.

No entanto, sua reputação começou a se deteriorar nos anos 2000 devido à amizade com Jeffrey Epstein e declarações públicas mal-recebidas pela imprensa, incluindo uma entrevista em 2019 que aumentou o ceticismo público sobre sua conduta.

A crise ficou ainda mais intensa após a morte da americana Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras em 2025, o que impulsionou novas investigações e reabriu questionamentos legais.

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Yasmin Lima é jornalista formada pela Universidade Paulista e graduanda em Marketing pelo MBA da USP. Tem experiência em redação, redes sociais e análise de dados, tendo atuado em empresas do grupo UOL e em contas do Governo e da Prefeitura de São Paulo. Apaixonada por comunicação digital, tem interesse especial em temas de entretenimento, política e esporte