Aos 55 anos, padre Fábio de Melo abre o jogo sobre período difícil: ‘Tenho predisposição’
Em depoimento sincero, padre Fábio de Melo fala sobre depressão e as pessoas em sua família que atentaram contra a própria vida

O padre Fábio de Melo, de 55 anos, surpreendeu ao falar abertamente sobre sua luta contra a depressão. Em entrevista ao Jornal O Globo, ele confidenciou que viveu o pior momento da doença quando também teve crise de pânico no auge da fama. Além disso, ele relembrou as pessoas de sua família que atentaram contra a própria vida, como seus irmãos.
“Vivi um combo difícil de ser administrado: depressão e síndrome do pânico. Resultado da vida que vivia. Tenho predisposição genética a depressão, muitos suicídios na família. Durante muito tempo, convivi com isso. Mas em 2017, a casa ruiu. Pessoas que me amavam ficaram perto de mim, mas ninguém me socorria. Queria solidão. Aí entendi que os piores desertos eu atravesso sozinho. Foi logo após o suicídio da minha irmã“, disse ele, e completou: “Em 2017, era só o que queria e pensava. Com exceção de uma irmã, que morreu de acidente, todos nós tivemos episódios. Nunca tentei. Mas em muitos momentos, fiquei planejando. Em janeiro, tive uma crise muito ruim. Quando entendi que, por mais que estimulada por alguém, a luta é dentro de mim… Preciso encontrar recurso para sobreviver a mim mesmo. Quem me adoece não é o outro. Sou eu“.
O impacto da fama na depressão
O padre assumiu que a fama teve impacto em sua depressão. “Foi a vida pública, sim. A fama é um roubo. É uma ilusão. Rouba você daquilo que você mais ama fazer. Vai retirando a espontaneidade, privando os caminhos. O risco de se achar mais importante… Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância que reprovo no outro repetida em mim. Foi rápida minha visibilidade. Provocou dispersão interior. Sempre fui calmo, gostei de rotina. De repente, fazia 35 shows por mês pelo Brasil. Hoje, lido bem. Entendi que há uma medida. O tanto que sou para o outro preciso ser duas vezes para mim em termos de busca, viagem interior“, contou.
Ele contou que só conseguiu sair do estado depressivo por conta da dor de perder entes queridos. “Nada nos amarra mais no lugar certo que a dor. Quando minha irmã se matou, foi muito doloroso. Ainda é. Porque é da natureza humana a culpabilidade. Mesmo sabendo que fizemos tudo o que podíamos. Foi um contexto de muito sofrimento. Foi muito cruel. Se estivesse ali, jamais me acostumaria com a ausência dela. Todo mundo tem que ser buscado. Fiquei padre por isso. Também já fui esquecido, não fui convidado. Só entrei porque forcei a porta. Às vezes, era ridicularizado: “Esse não vai dar em nada.” Vivo para buscar os que não chegaram“, contou.
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