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Aos 26 anos, influenciador vende ‘alma’ para empresa de tecnologia por R$ 5 bilhões

Descubra quem é o jovem que transformou o silêncio em ouro e acaba de fechar um contrato bilionário para ser substituído por uma inteligência artificial

Influenciador vende 'alma' por R$ % bilhões - Foto: Getty Images

A internet acaba de registrar um negócio inédito que parece ter saído de um roteiro de ficção científica. O criador de conteúdo com o maior número de seguidores no mundo vendeu os direitos de uso do seu próprio rosto, da sua voz e de seus padrões de comportamento para uma empresa de tecnologia. O valor da negociação chama a atenção do mercado financeiro: impressionantes 975 milhões de dólares, o que equivale a cerca de R$ 5 bilhões na cotação atual. O objetivo principal dessa operação é transformar a estrela das redes sociais em um ativo digital que nunca dorme.

Na prática, a empresa compradora, a holding financeira Rich Sparkle, vai utilizar inteligência artificial para criar um “gêmeo digital” do influenciador. Isso significa que um computador será capaz de gerar vídeos, participar de transmissões ao vivo e estrelar campanhas publicitárias em vários idiomas ao mesmo tempo. Tudo isso sem que a pessoa real precise pisar em um estúdio para gravar uma única cena. A máquina vai replicar exatamente a forma como ele se move e reage, trabalhando 24 horas por dia para vender produtos e manter o engajamento em escala global. É um modelo de negócio que muda as regras do jogo na chamada economia da influência.

O foco na filantropia e na família

O nome por trás dessa história é Khaby Lame. Apesar das cifras astronômicas e de ter se tornado o rosto mais conhecido da internet, o jovem de 26 anos tem priorizado o uso de sua fortuna em doações e causas sociais de alto impacto. Logo que o dinheiro começou a entrar, sua primeira grande ação foi comprar uma casa para tirar sua família de um conjunto habitacional humilde e garantir o sustento dos pais.

Além do apoio familiar direto, Khaby atua como Embaixador da Boa Vontade do UNICEF. Ele investe recursos próprios e faz viagens ao Senegal, seu país natal, para financiar campanhas que protegem os direitos de crianças em situação de vulnerabilidade e incentivam a educação básica.

Khaby Lame
Khaby Lame – Foto: Getty Images

De desempregado a império da tecnologia

Para entender o tamanho desse salto financeiro, é necessário olhar para o passado recente. Em março de 2020, no auge da pandemia, ele havia acabado de perder o emprego como operário em uma fábrica. Fechado no quarto, começou a gravar vídeos curtos apenas com a câmera do celular. O humor simples, que ironizava tutoriais complicados usando apenas um gesto de mãos e nenhuma palavra, quebrou as barreiras do idioma. Em pouco tempo, ele ultrapassou a marca de 160 milhões de seguidores, tornando-se o número um de sua principal plataforma.

O acordo fechado no início de 2026, que envolveu a venda de sua agência (a Step Distinctive Limited), marca uma transição definitiva. Ele deixou de ser apenas um produtor de vídeos de humor para virar sócio de uma megaoperação de capital aberto na bolsa de valores.

O futuro do trabalho na internet

Esse movimento levanta discussões profundas sobre o futuro do entretenimento e da publicidade. Enquanto o avatar de inteligência artificial assume o trabalho pesado de gravar conteúdos e gerar vendas online, com projeções da empresa compradora apontando para até 4 bilhões de dólares em movimentação anual, o humano por trás das telas ganha liberdade absoluta. Ele agora possui o tempo necessário para focar em sua vida pessoal, expandir suas doações e colher os frutos de um império construído sem dizer uma única palavra.

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GABRIELA CUNHA é jornalista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Especialista em entretenimento, atua na cobertura editorial de televisão, celebridades e comportamento, com foco em notícias e análises