Antônio Zeni fala sobre mudança para São Paulo aos 18 anos e crescimento artístico: ‘Tenho me aventurado’

Ator gaúcho celebra nova fase em São Paulo e assume a versão jovem do personagem de Fábio Assunção em 'Nosso Lar 3', sob a direção de Wagner de Assis

Antonio Zeni - Foto: Marcos Paulo

Aos 18 anos, a vida de Antônio Zeni ganhou uma nova métrica. Natural de Novo Hamburgo (RS), o ator que cresceu frequentando teatros e museus incentivado pelos pais, iniciando seus estudos artísticos logo aos sete anos, acaba de trocar a familiaridade do Sul pela agitação da capital paulista. Essa mudança, no entanto, não é apenas geográfica; ela marca o rito de passagem para a vida adulta e a consolidação de uma carreira que já nasceu com fôlego internacional.
A decisão de morar sozinho em São Paulo foi um passo calculado entre o fim do ciclo escolar e o início da maioridade. Antônio explica que o principal ponto para esse movimento foi entender que estava entrando em uma nova fase. “Fazer 18 anos e terminar o ensino médio foram dois acontecimentos que antecederam essa mudança. São Paulo sempre esteve muito ligada às oportunidades e ao movimento artístico que eu buscava, então a mudança aconteceu como um passo natural”, revela o ator.
A experiência de morar sozinho tem sido transformadora e, por vezes, desafiadora no sentido prático. Entre as responsabilidades domésticas e a organização da própria agenda, ele descobriu um prazer especial na cozinha. “Morar sozinho te obriga a amadurecer em muitos aspectos, desde organizar a rotina até perceber ainda mais o valor de ter a família por perto. E claro, eu particularmente gosto muito de cozinhar, então tenho me aventurado”, conta, mostrando um lado mais cotidiano que contrasta com a aura dos sets de filmagem.

Antonio Zeni - Foto: Marcos Paulo
Antonio Zeni – Foto: Marcos Paulo

Responsabilidade

A trajetória de Antônio reflete uma versatilidade constante. Após finalizar as gravações da série bíblica “Reis“, onde interpretou o jovem Acabe, ele mergulhou em um dos projetos mais aguardados do cinema nacional: “Nosso Lar 3″. No longa, ele assume a responsabilidade de viver a versão jovem de Domênico, papel interpretado por Fábio Assunção (54) na fase adulta.
Para Zeni, dar vida à juventude de um personagem que terá continuidade com uma de suas inspirações profissionais e trabalhar sob a direção de Wagner de Assis (55) foi uma experiência transformadora. “O Wagner foi um verdadeiro mestre, ter sido dirigido por ele é um privilégio enorme. Dividir o mesmo personagem com o Fábio, um ator que admiro e que é uma grande inspiração para mim, é uma honra“, destaca o ator, que acredita que a força da história irá emocionar profundamente o público.

Combustível criativo

São Paulo tornou-se o novo combustível criativo de Zeni. Ele descreve a capital como um lugar que provoca o artista: “É uma cidade que não te deixa parado, ou você acompanha, ou fica pra trás“. Após o período inicial de adaptação, ele passou a usar a efervescência cultural local para alimentar seu olhar. Para ele, estar em constante estímulo acelera sua evolução, algo que reflete diretamente na forma como ele escolhe seus papéis hoje.
Com passagens por produções como “Chama a Bebel” e “El Presidente: Jogo da Corrupção” (Amazon Prime Video), Antônio agora busca personagens que exijam mais do que técnica. “O que o Antônio de 18 anos busca em um personagem hoje que o Antônio de 15 anos não buscava? Profundidade e presença. Hoje em dia me interesso muito mais pelas camadas emocionais, pelos conflitos internos e pelas contradições que os personagens vivem”, explica.
Mesmo com o currículo cheio, o foco no aprendizado é rigoroso. Seus dias em São Paulo, quando não está gravando, começam com café da manhã e a leitura de métodos como os de Stanislavski. Além do aperfeiçoamento cênico, ele investe em cursos e imersões voltados para o empreendedorismo, entendendo que a visão de mercado é vital para uma carreira consistente e global.
Ao definir esta fase em uma única palavra, ela seria Plantar. “Sinto que estou construindo uma nova fase em todos os sentidos: na carreira, na vida pessoal, nos relacionamentos. É um momento de muito aprendizado, plantio e crescimento. Sou grato demais por estar vivendo tudo isso”, finaliza o ator, que carrega a base sólida do Sul para conquistar novos palcos pelo mundo.