O ator João Signorelli, que morreu aos 70 anos na terça-feira, 21, vítima de uma parada cardiorrespiratória, estava prestes a assumir um novo desafio nos palcos. Ele daria vida ao ambientalista Chico Mendes (1944-1988) no espetáculo Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive, criado por Lucélia Santos. A montagem tinha uma apresentação internacional prevista para setembro, durante o Festival de Teatro Todos, em Portugal.
A notícia da morte abalou profundamente Lucélia, que revelou que os dois estavam se preparando para viajar ao país europeu. “Estávamos preparando as malas pra estrearmos em Portugal. Estou devastada, estarrecida, chocada. A partida dele me deixa sem adjetivos”, declarou a atriz.
A parceria entre os dois também ultrapassava os palcos e estava ligada à defesa do meio ambiente. Recentemente, Lucélia e Signorelli estiveram juntos no Pará, onde visitaram Acará. O município é alvo de um projeto para a instalação de uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR), conhecida popularmente como “lixão”.
Os artistas se posicionaram ao lado de comunidades quilombolas e ribeirinhas que são contrárias à construção do empreendimento por temerem possíveis impactos ambientais, principalmente a contaminação de nascentes e rios. Para Lucélia, a conquista da população local também representará uma vitória em memória do ator. “Essa vitória será do João também”, afirmou.
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A atriz ainda destacou a importância do papel que Signorelli estava prestes a interpretar. Ao longo da carreira, o artista já deu vida a figuras históricas e personalidades conhecidas, como Mahatma Gandhi (1869-1948), Fernando Pessoa (1889-1935) e Chico Xavier (1910-2002). Lucélia descreveu o amigo como alguém marcado pela “doçura, fé, espiritualidade e amor”.
O espetáculo Vozes da Floresta – Chico Mendes Vive foi idealizado por Lucélia Santos durante a pandemia. A atriz chegou a conviver com Chico Mendes na década de 1980 e, desde então, mantém uma relação próxima com a história do seringueiro e sindicalista. Em novembro de 2025, ela e João Signorelli participaram da COP-30, reforçando a crença no papel da arte como instrumento de conscientização e defesa das causas sociais e ambientais.
João Signorelli e Lucélia Santos – Foto – reprodução/montagem Instagram
João Signorelli — Foto: Reprodução/Instagram
Quem era João Signorelli?
Natural de Cambuquira, em Minas Gerais, João construiu uma carreira de destaque principalmente nos palcos, com uma extensa atuação no teatro. Na televisão, participou de importantes produções, incluindo novelas e séries escritas por Gloria Perez, como “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes” (Globo, 2007), “Caminho das Índias” (Globo, 2009) e “Salve Jorge” (Globo, 2013). Entre seus trabalhos mais marcantes está o personagem Varetão, da novela “A Gata Comeu” (Globo, 1985).
Ao longo da carreira, o ator também integrou produções de diferentes emissoras, como “Dona Beija” (Manchete, 1986), “Serras Azuis” (Band, 1998) e “Chiquititas” (SBT, 2014). No cinema, participou de longas-metragens conhecidos pelo público, entre eles “Carandiru” (2003), “Garrincha – Estrela Solitária” (2003) e “Bruna Surfistinha” (2012).
João Signorelli e a esposa, a atriz Thaia Perez, caracterizados para a peça ‘Gandhi’, encenada em 2025 — Foto: Reprodução/Instagram
João Signorelli caracterizado como Fernando Pessoa na peça ‘Os 3 últimos dias de Fernando Pessoa’, encenada em 2025 — Foto: Reprodução/Instagram
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