A trajetória de Netinho (1966-2026) foi marcada por escolhas que ajudaram a transformar sua história. Natural de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, o cantor construiu uma carreira que atravessou gerações e levou a música da Bahia para diferentes regiões do Brasil e do exterior.

Antes de se tornar um dos nomes conhecidos do axé music, porém, Ernesto de Souza Andrade Júnior, nome de batismo do artista, viveu uma fase distante dos grandes trios elétricos e dos palcos lotados. Sua juventude foi marcada pelo contato com a música, pela mudança para Salvador e por uma decisão que ajudaria a definir os rumos de sua vida profissional.

Netinho cursou Engenharia Civil antes de se dedicar à música

Segundo a biografia publicada em seu site oficial, Netinho ingressou na Universidade Católica do Salvador (Ucsal) aos 16 anos para cursar Engenharia Civil. Naquele período, entretanto, a música já ocupava um espaço importante em sua rotina.

Aos 14 anos, ele havia ganhado o primeiro violão de sua mãe e aprendido a tocar sozinho. Sem aulas formais, desenvolveu suas habilidades musicais e passou a se apresentar em escolas, teatros e outros espaços que lhe ofereciam oportunidades.

Dois anos depois de entrar na faculdade, o cantor começou a trabalhar profissionalmente com música. Ainda estudante, passou a cantar em bares de Salvador, com repertório de Música Popular Brasileira (MPB) e bossa nova.

De acordo com o relato autobiográfico publicado em seu site, a receptividade do público foi rápida. Em apenas dois meses, Netinho já se apresentava de domingo a domingo em estabelecimentos conhecidos da capital baiana.

Em entrevista concedida à coluna Holofote, do Bahia Notícias, em 2008, o artista também relembrou que a dedicação à carreira musical o levou a abandonar duas faculdades, Engenharia e Filosofia. Na ocasião, explicou que trabalhava desde cedo e que chegou a sentir falta de tempo para a vida pessoal em razão da intensa rotina profissional.

Netinho - Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal
Netinho – Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal

A oportunidade que mudou a trajetória do cantor

O caminho de Netinho começou a ganhar novos contornos em 1986, quando ele participou do Carnaval de Salvador como folião do Bloco Beijo, puxado por Luiz Caldas e pela Banda Acordes Verdes.

Conforme o artista relatou em sua biografia oficial, a experiência despertou sua paixão pelos trios elétricos e pela energia da festa baiana.

No ano seguinte, ele soube, por meio de um jornal, que o Bloco Beijo procurava um novo cantor para formar uma banda própria. Netinho decidiu fazer o teste e foi aprovado, tornando-se um dos vocalistas da Banda Beijo.

A estreia no circuito oficial do Carnaval de Salvador aconteceu em 1988. Naquele ano, o grupo lançou o álbum ‘Prove Beijo’, que trouxe a música ‘Beijo na Boca’ e ajudou a projetar o cantor nacionalmente.

Segundo o gshow, Netinho conquistou espaço no cenário musical a partir dessa fase, antes de iniciar a carreira solo em 1993.

‘Milla’ consolidou o sucesso de Netinho

Depois de deixar a Banda Beijo, Netinho investiu na carreira solo e lançou o álbum ‘Um Beijo pra Você’, em 1993. O trabalho apresentou sucessos como ‘Capricho dos Deuses’, ‘Total’ e ‘Menina’, esta última incluída na trilha sonora da novela ‘Tropicaliente’, da TV Globo.

O reconhecimento cresceu ao longo da década de 1990. Em 1996, o cantor lançou ‘Netinho ao Vivo!’, álbum que popularizou a música ‘Milla’, uma das canções mais associadas à sua trajetória.

A faixa ganhou grande repercussão nas rádios e se tornou presença marcante no repertório do artista. Conforme informações reunidas em sua biografia oficial, o disco vendeu milhões de cópias e ampliou o alcance de sua carreira.

Netinho também levou seus shows para outros países, especialmente Portugal, e participou de projetos que contribuíram para divulgar a música brasileira no exterior.

Netinho
Netinho – Instagram/Reprodução

A trajetória de Netinho além dos palcos

Ao longo da carreira, o cantor também trabalhou na produção e direção de seus espetáculos. Em 2009, o álbum ‘Minha Praia’ recebeu uma indicação ao Grammy Latino, na categoria de melhor álbum de música de raízes brasileiras, conforme registros biográficos e informações divulgadas à época.

Sua trajetória também foi marcada por desafios pessoais e de saúde. Em 2013, enfrentou uma grave internação que o afastou das atividades artísticas. Anos depois, voltou a se apresentar e retomou projetos musicais.

Em fevereiro de 2025, Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B e iniciou tratamento. Segundo informações divulgadas por sua equipe e noticiadas pelo gshow, a doença retornou em 2026.

O cantor morreu em 13 de outubro de 2026, aos 60 anos, em Salvador, após complicações relacionadas ao câncer, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, conforme comunicado de sua assessoria.

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