Inesquecível pelo papel da marcante vilã Odete Roitman em Vale Tudo (1988), Beatriz Segall (1926-2018) carregou até o fim da vida o peso e o carinho do reconhecimento do público nas ruas. A projeção da personagem foi tão grande que a atriz continuava sendo chamada pelo nome da figura da ficção mesmo anos após a exibição original.
A proximidade dos fãs, no entanto, trazia situações inusitadas. Em uma ocasião na cidade de São Paulo, uma jovem chegou ao ponto de retirar os óculos escuros da veterana apenas para observar seus olhos.
O episódio, comentado por Beatriz em uma entrevista à Folha de S. Paulo, revelou uma curiosidade sobre a abordagem dos admiradores nas ruas. Em 2010, a artista revelou que, para preservar sua rotina e evitar transtornos, ela decidiu impor uma regra rígida: sem fotos e sem abraços.
Limites mantidos no teatro
Apesar da postura firme, a veterana explicou que era mais difícil evitar a aproximação das pessoas no teatro. No entanto, o aviso para evitar abraços e intimidade forçada permanecia intacto.
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“Não é que me irrita. Foto eu não tiro. Uma vez o Claudio Corrêa e Castro foi processado porque um maluco tirou uma foto com ele e saiu pelo Brasil vendendo um espetáculo em seu nome. No teatro é mais difícil de evitar, mas quando as pessoas vêm eu falo: ‘Tudo bem. Só não me abrace!’. Detesto intimidade forçada“, declarou ela à coluna de Mônica Bergamo.
Na época, Beatriz Segall ainda comentou sobre a fama de ‘inacessível’ que ganhou após as declarações. A famosa, que chegou a ser comparada com a atriz Bette Davis, destacou que não entendia a razão desse rótulo.
“Aliás, é uma comparação que fazem volta e meia e que me deixa muito orgulhosa. Mas ela era antipática por natureza. Eu sou [do signo] de leão, mas um leão domado. Às vezes digo as coisas de brincadeira, mas com o semblante sério. Se a pessoa não tem senso de humor, não posso fazer nada. Mas não maltrato ninguém, não…“, destacou a veterana.

A carreira de Beatriz Segall na TV
Nas telinhas, Beatriz Segall construiu uma trajetória brilhante e se consolidou como uma das atrizes mais respeitadas da teledramaturgia brasileira. Embora tenha eternizado a inesquecível vilã Odete Roitman no clássico Vale Tudo (1988), sua carreira na TV vai muito além da marcante antagonista.
Ao longo de mais de quatro décadas nas telas, a veterana acumulou atuações refinadas e personagens marcantes em produções históricas da televisão, como:
- Dancin’ Days (1978)
- Pai Herói (1979)
- Água Viva (1980)
- Barriga de Aluguel (1990)
- Sonho Meu (1992)
- Anjo Mau (1997)
- O Clone (2001)
- Bicho do Mato (2006)
- Lado a Lado (2012)
A partida de Beatriz Segall
A atriz Beatriz Segall faleceu em 5 de setembro de 2018, aos 92 anos, em São Paulo, devido a problemas respiratórios. A partida da veterana mobilizou o país e relembrou a trajetória marcante de uma das maiores artistas da televisão brasileira.
Com uma carreira consagrada nos palcos e nas telas, a eterna Odete Roitman eternizou personagens memoráveis na teledramaturgia, deixando um legado inestimável para a cultura nacional e uma saudade profunda nos fãs que a acompanharam ao longo das décadas.
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