A atriz Marisa Orth (63) revisitou os bastidores e os reflexos profissionais de interpretar Magda no seriado Sai de Baixo. Durante conversa sobre sua trajetória artística, a atriz detalhou a dualidade entre o estrondoso sucesso popular e os obstáculos para desvincular sua imagem do estereótipo cômico em convites posteriores na televisão e no teatro.

Qual é o impacto da personagem Magda na carreira de Marisa Orth?

O papel de Magda consolidou a projeção nacional da artista e estabeleceu um marco no humor televisivo dos anos 1990. A enorme repercussão popular, contudo, exigiu escolhas artísticas deliberadas nos palcos e no drama para evitar que o estereótipo limitasse seus convites profissionais.

A atriz Marisa Orth volta à apresentação; antes, artista esteve ao lado de Pedro Bial no BBB
Marisa Orth – Foto: Reprodução/Globo

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Exibido a partir de 1996 pela TV Globo, o programa contava com plateia presencial no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, e reunia dinâmicas ágeis de improvisação. Ao lado de Miguel Falabella (70), intérprete de Caco Antibes, a atriz construiu cenas que marcaram a teledramaturgia brasileira com o clássico bordão “Cala a boca, Magda”.

A popularidade imediata da produção transformou a rotina da artista. Enquanto o público celebrava as gafes da personagem, diretores de teledramaturgia passaram a associar a intérprete à figura da mulher ingênua, o que dificultou convites para papéis dramáticos naquele período.

Como a atriz lidou com o estereótipo após Sai de Baixo?

A ruptura com a caricatura televisiva dependeu de um planejamento focado em produções artísticas diversificadas. A atriz direcionou esforços para áreas complementares da carreira:

  • investimento em montagens teatrais de alta densidade dramática;
  • atuação de destaque no teatro musical brasileiro em papéis contrastantes;
  • participação em filmes nacionais de diferentes gêneros cinematográficos;
  • lançamento de trabalhos musicais com repertório focado na MPB.

Antes da consagração no humorístico dominical, o currículo da artista já acumulava trabalhos como vocalista da banda Luni, na década de 1980, e a estreia em telenovelas em Rainha da Sucata, em 1990. O retorno aos palcos serviu como catalisador para restabelecer a pluralidade de sua atuação. Em 2012, ela assumiu o papel da matriarca Morticia no musical A Família Addams, trabalho que renovou seu prestígio técnico perante a crítica e o grande público.

A colaboração com Falabella ganhou uma nova versão na TV em 2007, no seriado Toma Lá, Dá Cá. Na pele da corretora de imóveis Rita Moreira, Marisa apresentou uma composição satírica com tom completamente diferente da ingenuidade de Magda.

O que Marisa Orth pensa sobre o legado da personagem hoje?

O distanciamento temporal permitiu uma reconciliação completa com a dimensão histórica do trabalho. A atriz ressalta a complexidade de executar comédia ao vivo em ritmo de sitcom teatral com transmissão em rede aberta.

“No começo me irritava porque tinha medo de nunca mais poder fazer outra coisa, o barato de ser atriz é poder fazer vários personagens. Mas hoje amo a Magda”, declarou a intérprete em entrevista ao UOL Universa.

A presença dos episódios em catálogos de streaming e canais por assinatura continua apresentando a atração a novas gerações de espectadores, mantendo a personagem como referência indispensável da história do humor na televisão brasileira.

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