por Karine Tavares

O charme e a elegância da princesa Paola de Orleans e Bragança (24) trouxeram de volta ao Golden Room do Copacabana Palace, Rio, o glamour dos anos dourados. Na noite de gala, Paola superou oito candidatas e foi eleita a Miss Elegante Bangu 2007, uma homenagem ao centenário de nascimento de Guilherme da Silveira – presidente da Fábrica de Tecidos Bangu, morto em 1991, que criou o concurso, famoso na década de 1950 por reunir as jovens da sociedade tradicional nos mesmos salões. “É engraçado reviver aqueles anos. Hoje, as meninas são tão diferentes que deve ter sido muito difícil escolher. Nunca imaginei viver algo assim. Acho que agora meu cachê vai triplicar“, brincou a modelo.

Paola exibiu na passarela duas criações do estilista Luciano Canale (39), da grife Santa Ephigênia. “Os vestidos são lindos, bem anos 1950, mas totalmente modernos“, elogiou a descendente da família imperial brasileira, enquanto recebia os parabéns de Alicinha da Silveira (54), filha do homenageado. “A Fábrica Bangu trouxe o chique para a moda e foi a primeira indústria a fazer o algodão no Brasil. O concurso começou divulgando o tecido mas se transformou em símbolo daquela época“, contou a herdeira de Guilherme. “Quis relembrar isso para manter viva a obra do meu pai. Ele ficaria orgulhoso“, acrescentou. Alicinha teve a ajuda de Gisella Amaral (67) na organização.”Era a festa mais importante da cidade na época“, garantiu Gisela, feliz com o sucesso da noite beneficente em prol da Cruz Vermelha brasileira – com convites vendidos a 200 reais, foram arrecadados cerca de 15 000 reais, descontados os gastos da festa. Em agradecimento, o diretor da entidade, Luiz Novaes (64), entregou placa a Nara Carruthers (53), que representava o marido, Philippe Carruthers (61), diretor-geral do Copacabana Palace.

Mestre-de-cerimônias da noite e presidente do júri, a colunista Hildegard Angel (56) apresentou as nove candidatas que concorriam ao Miss Elegante Bangu. Elas subiram à passarela com dois modelos, esporte e gala, de um mesmo estilista. Abrindo o desfile, a designer de jóias Yara Figueiredo (40) mostrou modelos de Carlos Tufvesson (37); a promoter Ana Paula Barbosa, de Tony Palha (42); Luciana Pittigliani (27), de Marco Ricca; Fiorella Mattheis (19), de Glorinha Pires Rebello (60); Maria Helena Pessoa de Queiroz (19), de Liz Machado; Ana Helena Palhares (22), de Marta Macedo (33); Maria Beatriz Mendes de Almeida (20), de Marcela Virzi; e Stephanie de Oliveira (16), de Isabela Capeto (37).

As criações foram elogiadas pela socialite Carmen Mayrink Veiga, jurada do concurso. “As coisas mudaram muito. Hoje, ninguém se produz como naquela época. Mas eu amei o vestido do Luciano Canale. Estava um deslumbre, era realmente o mais bonito. E as criações da Glorinha Pires Rebello também eram belíssimas“, elogiou Carmen, um dos ícones de elegância da sociedade carioca, enquanto jantava ao lado de Ana Bentes Bloch (61), que participou do concurso na época. “Tinha 12 ou 13 anos quando concorri. Foi a partir do Miss Elegante Bangu que aprendi a usar salto alto, a não roer as unhas, a ter mais postura. O concurso transformou completamente minha vida, me preparou para a TV. Os melhores estilistas desenhavam para a gente“, contou a viúva de Adolpho Bloch (1908-1995).

À frente do seu tempo, a socialite Noelza Guimarães (62) concorreu a Miss Elegante Bangu em 1959. “Aquela era uma época espetacular. As mulheres não podiam sair de casa e eu vinha ao Copa desfilar. Depois, pratiquei ski aquático na Lagoa, que não era poluída, conheci meu marido e casei. O concurso foi um grande acontecimento na minha vida“, rememorou.

O cirurgião plástico Ivo Pitanguy (81) também entrou no clima de nostalgia, se empolgou com a noite e relembrou os tempos áureos do Copacabana Palace e da cidade. “O glamour do Rio nunca se perdeu. A carioca não precisa ser rica, tem que ter um charme natural, como o da onda do mar quando bate na areia“, avaliou ele, ao lado da mulher, Marilu (70). O ambiente elegante fez o médico reviver a época dos grandes shows do Golden Room. “Pertenço a uma geração que assisiu a Edith Piaf e Yves Montand. O Rio atraía esses artistas naturalmente. Hoje, tudo mudou“, lamentou Pitanguy, emocionado com as interpretações de Mario Reis (1907-1981), Carmem Miranda (1909-1955) e Francisco Alves (1898-1952) feitas pelos cantores Antônio Negreiros, Eduarda Fadini e Márcio Gomes. O pocket show lembrou também o centenário de nascimento do cantor Mario Reis, primo-irmão de Guilherme da Silveira.