Tudo que você precisa saber sobre o surto de meningite em Salvador

A mídia dá destaque a um surto de meningite na capital baiana. Até o início do mês houve 1 287 casos. Meningite é a inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A viral em geral é mais branda; já a bacteriana é grave, até fatal. Você pode prevenir-se evitando ambientes fechados e não comendo nem bebendo em locais cuja higiene desconhece.

Orlando Jorge Gomes da Conceição
Orlando Jorge Gomes da Conceição

Os serviços de saúde da Bahia registraram, até o início do mês, segundo notícias divulgadas pela imprensa, 1 287 casos de meningite. A incidência neste ano é três vezes maior do que em 2006, quando houve 496 casos. Salvador concentra 67,5% das ocorrências. Já são 60 os óbitos no Estado, sendo 10 na capital. A cidade, como se vê, registra um surto da doença.

A meningite se carateriza pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. É uma doença infectocontagiosa que pode ser causada por fungos, vírus e bactérias como meningococo e pneumococo. É normal haver um pequeno número de casos de meningite todo ano. Segundo a Secretaria de Saúde, a maioria dos casos baianos tem origem viral. A meningite por fungo é mais freqüente em pessoas imunodeprimidas, como portadores de aids, quem se submeteu à quimioterapia para o tratamento de câncer e transplantados. De outro lado, embora não se saiba por quê, há maior número de casos de meningite bacteriana no inverno, pois as pessoas passam grande parte do tempo aglomeradas em ambientes fechados. Já o tipo viral costuma aumentar no final do inverno e no começo da primavera, como outras doenças virais, entre elas as diarréias e as viroses.

Mas você que mora na Bahia, vai ou já está na região pode, com algumas medidas básicas, prevenir-se e não contrair aqueles microrganismos. Evite ambientes fechados e aglomerações de pessoas. Não consuma alimentos nem bebidas em barracas de praia e em outros locais cuja higiene desconheça.

A meningite pode manifestar-se em qualquer pessoa. É mais grave, porém, em crianças, cujas defesas orgânicas ainda estão em formação, e em idosos, pelo fato de sua imunidade estar em declínio. Os sintomas básicos são: febre alta, mal-estar geral, dor de cabeça, vômitos e rigidez na nuca. Nos casos mais graves, pode haver também convulsões. Crianças costumam apresentar ainda choro intenso. Portadores tendem a ficar prostrados. Se não recebem tratamento, a inflamação vai aumentando, comprimindo os tecidos cerebrais e os destruindo. Quando danifica as regiões que controlam funções vitais, como a respiração e o coração, pode até matar.

Pessoas com sintomas, em especial crianças e idosos, devem ser levadas logo a um pronto-socorro. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de cura e menores os riscos de seqüelas, como surdez e alterações de percepção e de movimento. O diagnóstico é clínico. Comprova-se a doença colhendo líquor (líquido no interior da coluna vertebral) e fazendo análise: apresentará aumento do número de células de defesa e das proteínas.

Nas meningites virais, só nos casos de maior gravidade o doente precisa ficar internado. Não existem tratamentos específicos; assim, faz-se apenas o controle dos sintomas. Por volta de 95% das meningites virais se curam sozinhas. O organismo das pessoas comuns, saudáveis, reage e neutraliza a ação viral.

Todos os portadores de meningite bacteriana, ao contrário, devem ficar internados em hospital, porque existe o risco de provocar infecção generalizada e até matá-los. O tratamento, por um período de 10 a 14 dias, é feito com antibiótico tomado pela via endovenosa. Isso se deve ao fato de que só se controla a bactéria com altas doses do medicamento no sangue de modo constante, o que se consegue apenas por meio de aplicação na veia. É preciso, claro, controlar também os sintomas. Felizmente, a maioria das pessoas se recupera bem.