Tuberculose deve receber atenção especial neste momento de crise

Embora possa manifestar-se em indivíduos de todas as classes sociais, a tuberculose é mais comum na população carente. Com o agravamento da crise econômica mundial, é certo que aumentará a pobreza no planeta e, com isso, naturalmente pode haver aumento também do número de casos da doença. A única maneira de evitar que isso venha a ocorrer é, pois, intensificando o combate a ela.

O Brasil adotou a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir em 50% a incidência da tuberculose até 2015. Acertou ao fazer isso, pois, embora a situação brasileira tenha melhorado, o país ainda está entre os 22 – agora é o 18o – que concentram 80% dos casos da doença. Segundo divulgou o Ministério da Saúde no mês passado, houve queda de 24,4% na incidência e 31% nas mortes pela tuberculose no Brasil nos últimos sete anos. Mas, como mostram as estatísticas oficiais, o número de casos continua elevado. Em 2007, por exemplo, de acordo com o Portal Saúde, do Ministério da Saúde, houve 72000 casos novos. E cerca de 6000 pessoas ainda morrem de tuberculose todo ano no país. Rio de Janeiro, Amazonas, Pernambuco, Pará e Ceará são os Estados com maior incidência.

A tuberculose é uma doença infecciosa e contagiosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela é transmitida pelo ar, quando o doente tosse, espirra ou fala. Cerca de 90% das pessoas, felizmente, neutralizam a ação do microrganismo e não desenvolvem a doença. Nas restantes, porém, sobretudo as debilitadas, as crianças e os idosos, inflama os alvéolos pulmonares. Os sintomas são: febre diária sobretudo ao entardecer, suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, tosse prolongada com catarro, cansaço e, às vezes, escarro com sangue.

Mas a bactéria pode também disseminarse e inflamar as meninges – membranas que recobrem o sistema nervoso central -, gânglios, rins, ossos em especial da coluna, intestinos, ovários e trompas. Nesses casos, os sintomas são específicos de cada local. A tuberculose fora dos pulmões é mais frequente em imunodeprimidos, como portadores de aids, quem faz quimioterapia para o tratamento de câncer ou tem diabetes, alcoólicos e transplantados.

Tuberculose tem cura quando bem tratada, mas os doentes, como se sabe, podem até ir a óbito. Segundo o Portal Saúde, 2 milhões de pessoas morrem todo ano da doença no planeta. A causa mais comum é o diagnóstico tardio, com a moléstia já em estágio avançado, em portadores de doenças associadas, como aids, diabetes e alcoolismo.

Felizmente, é possível evitar o contágio. Crianças devem tomar a vacina BCG no primeiro mês de vida, que as defende das formas graves da tuberculose. Também é importante identificar logo eventuais portadores e tratar, porque assim se evita a disseminação da doença. Isso é fundamental especialmente agora que o Brasil se engajou na campanha da OMS. Os organismos oficiais, aliás, precisam intensificar sua ação, do contrário, com o avaço da crise, o número de casos até pode aumentar.

Quem apresenta tosse por três semanas, enfim, deve procurar logo um Posto de Saúde. O diagnóstico de tuberculose é feito com exame do escarro e raios X do pulmão. O tratamento, feito com remédios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ainda dura seis meses. O doente não pode interrompê-lo jamais. Só o médico, ao fim do tratamento, tem condições de avaliar se o doente está curado e dar-lhe alta. Uma boa notícia é que o país deve adotar novos medicamentos no tratamento da tuberculose, que serão tomados por dois meses apenas.