Seu amor é chantagista? Pois você pode estar colaborando para isso

A chantagem emocional é comum até entre casais que se amam. Existem pessoas que se utilizam dela intencionalmente, claro. Mas muitas vezes o chantagista não tem consciência de que manipula o parceiro. Este, por medo de contrariá-lo, acaba cedendo e, desse modo, lhe dá carta branca para agir sempre da mesma maneira quando pretende alguma coisa.

A chantagem emocional é definida pelo dicionário Houaiss como atitude ou dito com segundas intenções cujo objetivo é atingir alguém afetiva e/ou emocionalmente para alcançar o que se deseja. Ocorre no dia-a-dia de muitos casais, até mesmo daqueles que pelo menos teoricamente se amam.

Claro que há quem se utilize da chantagem de maneira intencional, premeditada. Mas muitas vezes o chantagista não tem consciência de que manipula o companheiro. É sua forma de agir e ela se torna habitual.

Mas o chantageado também é responsável pelo modo como o outro se comporta. Muitas vezes ele não tem coragem de enfrentá-lo. Cede e, assim, estimula a continuar agindo de tal forma. Por isso o chantagista em geral não muda; se consegue o que quer, para que mudar? O chantageado é quem precisa mudar.

Os métodos usados pelo chantagista podem ser: retirar o amor ou a atenção; ignorar o outro; ficar vários dias sem falar com ele; ter ataques de raiva a toda hora; não querer sexo; usar de agressões físicas; e, se o casal não mora junto, pode desaparecer ou ficar sem telefonar.

Geralmente o chantagista é mais egoísta, mimado e o outro, mais generoso e responsável. Mas como saber o que é ou não chantagem ou se ambos são mesmo egoístas e insensíveis? O adepto da chantagem se queixa muito e sofre quando é contrariado. Se o parceiro resolve separar-se, ele diz: “Se você me deixar, vai ficar sem nada. Eu vou tirar seus filhos”. Outra frase típica de chantagista: “Se você se separar de mim, vai acabar com a minha vida”. Quando a mulher que sempre foi dona de casa resolve trabalhar fora e o marido é um chantagista, com certeza ouvirá: “Se você fizer isso, vai prejudicar as crianças”.

Na hora em que um dos dois quer carinho, se insinua sexualmente, e o outro não quer, pode dizer com delicadeza que não é o que deseja naquele instante e o rejeitado deve se conformar. Se provocar uma briga por isso, se ficar emburrado, claro que está chantageando. Quando o parceiro faz o que o outro pretende, dá-se uma trégua, mas se precisar vai se utilizar de novo o recurso que funcionou.

Em geral o chantagista não tem atitudes sensatas. Também não sabe ser prático e direto. Ele se coloca no centro de tudo e, assim, jamais expressa consideração pelos sentimentos e desejos do outro.

Todo casal deve estabelecer seus limites e mostrar que há algumas coisas que não são aceitáveis. Não se pode ceder por medo, por exemplo. Quando há um impasse, o ideal é que os dois conversem sobre a crise, um perceba os sentimentos do outro e aceite que é responsável pelo que ocorre também. Sem ameaças ou punições. Quando ocorre uma traição, por exemplo, e passada a tempestade o parceiro decide perdoar, porque considera a relação importante, pode até se mostrar triste durante algum tempo, mas não deve ficar o tempo todo acusando o parceiro, lembrando o que ocorreu e dizendo que perdeu a confiança. Se perdoou, deve pôr um ponto final na história, não fazer chantagem, se aproveitando do fato para agredir.

O mais importante em tudo é a pessoa ser flexível, não ter uma única opinião, não se considerar dona da verdade, perceber que talvez o outro tenha razão, se interessar pelos motivos dele. Quem ama de verdade está disposto a entender e até a mudar para agradar seu amor. Mas para tudo há limite.